30/09/2025
Gllagher: reformar a ONU para promover a paz, o desenvolvimento e os direitos humanos
Na Assembleia Geral das Nações Unidas pelo 80º aniversário de sua instituição, o secretário para as Relações com os Estados e as Organizações Internacionais relembra a necessidade de trabalhar pela paz através do desarmamento, do respeito ao direito humanitário e da superação da crise do multilateralismo. Ele reafirma a dignidade da pessoa, o cuidado com a criação e os riscos da IA, esperando que a diplomacia e o diálogo levem a um cessar-fogo nas áreas de conflito.
Edoardo Giribaldi – Vatican News
Tal como já fizera o Papa Leão XIV no início do seu pontificado, também o discurso do arcebispo Paul Richard Gallagher, secretário para as Relações com os Estados e as Organizações Internacionais, na Assembleia Geral da ONU, por ocasião do 80º aniversário de sua instituição, começa com um apelo à paz, objetivo para o qual devem convergir os esforços da comunidade internacional, chamada a se adaptar a um mundo “transformado” e marcado por “ameaças emergentes”. Da Ucrânia ao Oriente Médio, do Sudão à República Democrática do Congo e a outros cenários de conflito, o caminho indicado continua sendo o do diálogo, do multilateralismo e do desarmamento. Neste contexto “conturbado”, a Santa Sé reitera a necessidade de colocar no centro a “dignidade da pessoa humana”, protegendo o direito à vida, enfrentando a crise climática — causa de desigualdades que afetam particularmente migrantes e refugiadosConstruir a paz
O arcebispo enfoca a paz: não simplesmente a “ausência de conflito” ou equilíbrio entre adversários, mas um valor enraizado no “respeito mútuo”, “ativo e envolvente”, como já afirmado pelo Papa Leão XIV. Para construí-la, é necessário rejeitar o “ódio” e a “vingança”, favorecendo, em vez disso, o “diálogo e a reconciliação”. Valores que pertencem ao coração da diplomacia e que a comunidade internacional é chamada a promover com gestos concretos. Nesse sentido, a Santa Sé renovou a proposta de um fundo global, alimentado em parte pelas despesas militares, para erradicar a pobreza e a fome, promover o desenvolvimento sustentável e enfrentar as mudanças climáticas.
Assembleia Geral das Nações Unidas
Assembleia Geral das Nações Unidas
Parar a proliferação nuclear
O silêncio das armas, sublinhou Gallagher, passa pela “construção da confiança”. Neste contexto, contrasta a corrida ao rearmamento, que gera “novas ameaças” e “exacerba os medos”. O valor vertiginoso dos gastos militares globais — 2,72 trilhões de dólares em 2024 — perpetua “ciclos de violência e divisão”, subtraindo recursos dos pobres e vulneráveis. O desarmamento não é um cálculo político, mas um “imperativo moral”. É preocupante, portanto, que vários Estados estejam retirando seus compromissos dos tratados internacionais. Um alarme que envolve, em primeiro lugar, as ogivas nucleares: os estoques devem ser reduzidos e a modernização dos arsenais interrompida. Os dados disponíveis indicam que existem mais de 12.000 ogivas no mundo, “com uma potência explosiva total de 1,5 gigatons, equivalente a mais de 100.000 bombas do tipo lançada sobre Hiroshima”. E, inspirando-se no 80º aniversário dos bombardeios que atingiram a cidade japonesa, juntamente com Nagasaki, em 1945, Gallagher afirma que não há dúvida de que “um mundo livre de armas nucleares é necessário e possível”.
Respeitar o direito internacional humanitário
Outro “pilar” da paz é o respeito ao direito internacional humanitário. Sua violação — com ataques a civis, hospitais, escolas e locais de culto — constitui um “grave crime de guerra”. A isso se soma o uso da fome como arma. O pessoal militar, lembrou Gallagher, é “totalmente responsável” por suas ações, que não podem ser justificadas pela obediência às ordens. Em contextos de guerra, atuam também numerosos operadores humanitários, cuja missão é marcada por imensos desafios: ameaças à segurança, escassez de recursos, acesso limitado ao socorro.
Promover a liberdade
A Santa Sé também fez referência à liberdade de pensamento, consciência e religião. Mais de 360 milhões de cristãos vivem hoje em áreas de “forte perseguição ou discriminação”, configurando o cristianismo como “o grupo religioso mais perseguido do mundo”. Nenhum Estado ou sociedade - advertiu -, deve obrigar a agir contra a própria consciência. Central neste contexto é o diálogo inter-religioso: não uma mera troca de ideias, mas “um caminho compartilhado rumo ao respeito mútuo, à justiça e à paz”. Um compromisso urgente em um mundo marcado por extremismos, polarizações e conflitos muitas vezes alimentados por incompreensões. A Santa Sé, lembrou Gallagher, está na linha de frente também comemorando os 60 anos da Declaração conciliar sobre as relações com as religiões não cristãs, Nostra Aetate.
Preservar a dignidade humana
Todos os esforços da comunidade internacional devem colocar ao centro “a dignidade da pessoa”. Garantir os bens essenciais significa também defender o direito à vida, “desde