23/07/2026
Hoje eu decidi doar meu MacBook Pro.
Tirei esta foto, abri o Instagram e comecei a escrever o anúncio:
“Doa-se MacBook Pro por motivo de mudança de profissão. As inteligências artificiais quebraram o meu negócio.”
Depois de 16 anos trabalhando com tráfego pago, parecia que finalmente havia chegado a minha hora.
Todos os dias aparece uma nova IA capaz de criar estratégias, escrever copies, produzir imagens, analisar campanhas e ensinar qualquer pessoa a anunciar.
Se uma máquina consegue fazer tudo isso em segundos, por que alguém ainda precisaria de mim?
O anúncio estava pronto.
Faltava apenas tocar em “publicar”.
Foi quando chegou uma mensagem que representa perfeitamente a minha rotina:
“Ohara, meu Instagram saiu do celular e eu não sei a senha. Você consegue me ajudar?”
Enquanto resolvia o acesso, lembrei de outro cliente que estava recebendo vários leads, mas não conseguia gerar nenhum agendamento.
O problema não estava no anúncio.
Os leads demoravam horas para receber uma resposta, ninguém fazia acompanhamento e não existia um processo de vendas.
Então olhei novamente para o MacBook.
A IA poderia ensinar aquele cliente a redefinir a senha.
Mas ele nem sabia qual e-mail estava vinculado à conta.
Poderia criar uma campanha completa.
Mas não perceberia sozinha que o problema estava no atendimento.
Poderia entregar dezenas de ideias.
Mas ninguém ali precisava de mais ideias.
Precisavam de alguém que entendesse o negócio, organizasse a estrutura, encontrasse os erros e fizesse tudo funcionar.
Foi nesse momento que apaguei o anúncio.
A inteligência artificial não tinha quebrado o meu negócio.
Ela tinha acabado apenas com a ilusão de que gestão de tráfego era apertar alguns botões e publicar anúncios.
A IA tornou as ideias abundantes.
Mas execução, experiência, responsabilidade e visão estratégica continuam sendo raras.
Para a maioria dos empresários, administrar anúncios sozinho não é uma opção acessível. Muitos estão ocupados cuidando da empresa e alguns nem conseguem recuperar a senha do próprio Instagram.
Por isso, o MacBook continuará comigo.
Depois de 16 anos, eu entendi que não estava olhando para uma ferramenta que havia perdido