12/08/2012
A tribo dos executivos ciclistas
Hugo Penteado está quase pronto para sair para o trabalho. São 7 horas de uma manhã rasgada pelo vento gelado de junho em São Paulo. Penteado apanha um guia de ruas no carro e consulta uma rota, mas não embarca no automóvel. Em vez disso, m***a em uma de suas três bicicletas e sai pedalando pelas ruas. Como economista-chefe da área de gestão de recursos do grupo Santander, Penteado tem responsabilidades sobre cerca de R$ 35 bilhões aplicados por clientes. Ele entra no banco antes das 8h. No trânsito de São Paulo, diferentemente do que o senso comum sugere, é a bicicleta que garante sua chegada a tempo.
Penteado faz parte de uma tribo de executivos ciclistas que abrem mão dos carros oferecidos a eles pelas empresas em que trabalham, das vagas privativas e às vezes de motoristas particulares para se arriscar pelas ruas e avenidas das grandes cidades brasileiras. Há um componente de diversão, mas há um quociente de risco. No mês passado, Antonio Bertolucci, presidente do conselho do Grupo Lorenzetti, morreu atropelado por um ônibus quando pedalava em São Paulo. Aos 68 anos, era um ciclista experiente. Tinha 15 bicicletas e há décadas desistira do carro para ir ao trabalho e voltar. Sua morte abalou a comunidade ciclística dentro e fora do mundo corporativo. Mas não mudou seus hábitos.
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Por Guilherme Felitti via Época Negócio