08/05/2026
A Nespresso gastou mais dinheiro na campanha da Dua Lipa do que em qualquer outra nos 40 anos da marca.
E o detalhe que quase ninguém percebeu: no comercial novo, ela rouba a frase "What else?" do George Clooney. Ele aparece, sorri, e cede o palco pra ela como se sempre fosse assim.
Isso não foi acidente porque George Clooney entrou em 2006 quando a marca precisava de elegância europeia, de um rosto que fizesse qualquer pessoa sentir que estava tomando o melhor café do mundo dentro de casa, e funcionou por duas décadas inteiras enquanto a Nespresso virou sinônimo de café premium no mundo todo.
Só que o cliente que comprou máquina vendo George Clooney na TV foi envelhecendo junto com ele, e a geração que domina o mercado hoje quer café de pistache, copo transparente e algo que valha um story, não um terno cinza num apartamento de luxo.
A Dua Lipa tem quase 100 milhões de seguidores entre Instagram e TikTok, três Grammys, e é literalmente o rosto de uma geração inteira que toma café todo dia mas nunca teve uma Nespresso em casa, e a marca entendeu que perder essa geração não é ajuste de rota, é abrir mão dos próximos 20 anos de receita.
A jogada foi não trocar um pelo outro porque George Clooney continua como embaixador, a Dua Lipa conquista quem ainda vai comprar, e a marca não quebra a confiança de quem já está dentro enquanto abre a porta pra quem ainda está de fora.
A maioria das empresas só pensa no próximo cliente quando o atual começa a sair pela porta, e aí o reposicionamento custa três vezes mais, parece desespero, e raramente funciona do jeito que precisava.
Sua marca já sabe quem vai sustentar ela daqui a dez anos?