27/03/2026
Às vezes eu paro e penso no peso real do que faço. Não é só sentar, ligar a máquina e desenhar. É olhar para alguém que está confiando em mim algo que vai ficar ali para sempre. Enquanto outras profissões permitem erros que podem ser corrigidos com um clique ou uma borracha, no meu trabalho cada traço é definitivo. Isso muda a forma como eu enxergo minha responsabilidade.
Ser tatuador me ensinou a respeitar histórias que não são minhas. Já vi pessoas chegarem sorrindo para eternizar uma conquista, e outras chegarem em silêncio para cobrir uma dor que não conseguem mais carregar sozinhas. Em cada sessão, eu lembro que estou lidando com mais do que pele — estou lidando com memória, identidade e, muitas vezes, com cicatrizes que ninguém vê.
Essa profissão também me ensinou humildade. Por mais que eu evolua na técnica, sempre existe algo novo para aprender, um estilo diferente para estudar, uma forma melhor de atender e orientar quem senta na minha frente. A tatuagem me obriga a crescer como artista, mas principalmente como pessoa.
No fim das contas, ser tatuador é viver sabendo que deixo marcas no mundo todos os dias — não em paredes, não em telas, mas em pessoas. E isso me faz refletir constantemente se estou sendo digno da confiança que recebo a cada nova pele que se oferece ao meu trabalho.