19/08/2025
Um dos maiores desafios da comunicação nos dias de hoje é alcançar assertividade nas palavras. Para compreender o que significa ser assertivo, é preciso, antes, entender os polos opostos que formam o modelo binário da comunicação:
• Comunicação Passiva
• Comunicação Agressiva
O psicanalista norte-americano Marshall Rosenberg, criador da Comunicação Não Violenta, afirma em sua obra que a base para uma cultura de paz está na ausência de violência. Essa ideia se conecta com as sementes plantadas por Mahatma Gandhi, no início do século XX, e que inspiraram Rosenberg em suas reflexões.
Segundo ele, toda violência é a expressão trágica de uma necessidade humana não atendida. Por isso, tanto na comunicação passiva quanto na agressiva, pode haver violência escondida nas entrelinhas das palavras.
É importante destacar um ponto frequentemente confundido: o tom da fala não define, por si só, o tipo de comunicação.
• Uma fala calma não é necessariamente passiva. Pode ser agressiva e até revelar traços de manipulação.
• Uma fala nervosa não é necessariamente agressiva. Pode ser assertiva, desde que não ultrapasse os limites da violência — como gritos, ofensas ou agressões físicas.
A chave está no respeito: garantir que todas as pessoas tenham espaço de fala e não se calem diante de situações de injustiça ou violência. Como lembraram Chico Buarque e Gilberto Gil em “Cálice”: “Pai, afasta de mim esse cálice”.
Tanto a comunicação passiva quanto a agressiva podem ter como raiz a mesma violência geradora. Ambas tendem a reproduzir não apenas agressões explícitas, mas também violências sutis, veladas.
Compreendido esse modelo binário, torna-se mais claro o que é comunicação assertiva:
O ponto de equilíbrio entre razão e emoção.
Todos nós, de alguma forma, somos impactados por experiências de violência que moldam nossa forma de comunicar, muitas vezes de maneira inconsciente. Quando passamos a identificar essas raízes e tomamos consciência delas, conseguimos elaborar melhor o que dizer e como dizer.
Nesse processo, o emocional tem papel central. Quanto mais nos aprofundamos no caminho do autoconhecimento, mais preparados estamos para falar com clareza, firmeza e empatia.