05/06/2026
Você já leu uma conclusão que parecia uma segunda introdução? Ou um resumo dos resultados, sem qualquer reflexão adicional? Pois é. Esse é um dos problemas mais frequentes em TCCs, monografias e dissertações. O estudante, cansado, escreve qualquer coisa para "fechar" o trabalho. A banca, por sua vez, percebe na hora.
A conclusão é a última impressão que você deixa no júri. Se ela for fraca, repetitiva ou vaga, o trabalho, por melhor que tenha sido no desenvolvimento, termina com uma sensação de incompletude.
No Manual de Metodologia de Investigação Científica II da UCM-CED, a conclusão é tratada como "parte final do texto, na qual são apresentadas conclusões correspondentes aos objetivos e/ou às hipóteses". Mas o manual não diz apenas isso: ele alerta que a conclusão não deve extrapolar os resultados do desenvolvimento e deve ser uma decorrência natural do que foi demonstrado.
Então, como escrever uma conclusão que sintetiza, mas não repete; avalia, mas não enche; aponta limitações, mas não se desculpa? Vamos aos erros e às soluções.
1️⃣ O erro número 1: repetir a introdução (ou os objectivos) como se fossem conclusão
O erro mais grave é começar a conclusão com frases como:
"Este trabalho teve como objectivo analisar..." (isto já estava na introdução)
"No primeiro capítulo, vimos que..." (isto é sumário, não conclusão)
A conclusão não é um resumo do índice. O leitor (orientador, banca) acabou de ler o seu trabalho – ele sabe o que estava em cada capítulo. Repetir a estrutura é insultar a inteligência de quem lê.
O que fazer, então? Em vez de listar o que você fez, diga o que você descobriu de relevante e o que isso significa.
❌ Errado: "No capítulo 2, apresentámos o quadro teórico sobre evasão escolar."
✅ Correto: "A análise dos dados revelou que a falta de transporte é um factor de evasão mais relevante do que a carência de material didáctico – o que contradiz a literatura tradicional, que enfatizava os factores económicos."
Percebe a diferença? O segundo exemplo traz uma descoberta, uma relação, uma novidade.
2️⃣ O erro número 2: repetir os resultados (geralmente em forma de lista)
Outro erro clássico: transformar a conclusão numa repetição dos resultados já apresentados na secção de análise.
Exemplo: "Concluímos que 45% dos estudantes usam o celular mais de 3 horas por dia, 30% usam entre 1 e 3 horas, e 25% usam menos de 1 hora."
Isso não é uma conclusão – é um dado. A conclusão deve responder à pergunta: o que esses números significam? Eles confirmam ou refutam a hipótese? Que implicações práticas têm?
Solução: vá além do dado. Interprete-o à luz da teoria e do problema.
✅ "Os dados mostram que o uso intensivo do celular (>3h/dia) está associado a um rendimento académico abaixo da média (correlação de -0,42, p