02/05/2026
Pensei bastante em vir escrever sobre isto, não sou de mostrar fragilidades no epicentro do acontecimento nem acho que seja proprício fazê-lo quando estamos vulneráveis. Mas a verdade é que sempre usei as minhas redes sociais como ponto de verdade e de alerta para despertar e ajudar outros...
Então, tudo começou com uma dor de garganta que parecia “normal”.
Fui ao SNS na terça de há duas semanas, e disseram-me que não era nada de especial. Algo passageiro, mandaram-me para casa com uma solução para bochechar a boca e ben-u-ron. Mas nessa mesma noite, tudo piorou de forma muito rápida e agressiva. A dor tornou-se intensa ao ponto de deixar de conseguir engolir, falar, febre alta, beber, ou comer.
E no meio disto tudo, tinha o Gonçalo comigo, a precisar de mim, inclusive para amamentar. A exaustão física e emocional começou a pesar ainda mais.
Durante a madrugada dessa terça saímos os 3 de casa, desta vez fomos para as urgências em Braga. Tempo de espera: cerca de 8h. Com um bebé e naquele estado, não era uma opção. Fomos ao privado à procura de uma resposta mais rápida.
Mas, mais uma vez, senti que a situação foi desvalorizada.
Mesmo com sintomas evidentes, dor extrema, dificuldade em engolir, abrir a boca, febre alta, não houve uma resposta à altura. Cheguei ao ponto de ser eu a pedir medicação intravenosa e soro, porque já não conseguia ingerir líquidos e ter força.
Fui para casa com antibiótico e corticoide. E fiquei assim por dois dias.
Mas eu sabia que algo não estava bem.
E aqui entra algo que fez toda a diferença: o Luís. Foi ele que moveu mundos e fundos para conseguir uma consulta de otorrinolaringologia o mais rápido possível. Sem essa insistência, provavelmente tudo teria sido diferente.
Na sexta-feira, fui então à consulta. E houve finalmente alguém que olhou para o caso com a seriedade necessária. Fui imediatamente encaminhada com urgência para o hospital em Braga.
Para o bloco operatório.
O diagnóstico: uma infeção profunda na epiglote (uma estrutura essencial que protege as vias respiratórias. Quando inflama, pode comprometer não só a deglutição, mas também a respiração).
E foi exatamente isso que estava a acontecer...
Disseram-me que cheguei a tempo. Mais algumas horas, e as vias respiratórias poderiam ter ficado obstruídas.
E, neste caso, tudo contou.
Aquilo que começou como uma “simples dor de garganta” estava, na verdade, a evoluir para uma situação grave e potencialmente fatal.
Há lições importantes aqui:
Nem todas as dores de garganta são inofensivas. Quando há dor intensa, dificuldade em engolir ou respirar, febre alta persistente ou agravamento rápido, é um sinal de alerta.
Ouvir o próprio corpo é essencial. Se sentes que algo não está bem, insiste. Procura outra opinião. Não ignores.
E há algo que muitas vezes passa despercebido: a exaustão na maternidade. Estar doente enquanto se cuida de um bebé torna tudo mais difícil, há menos tempo, menos energia, menos margem para esperar ou reagir.
Ao mesmo tempo, houve outro gesto fundamental: os amigos que se disponibilizaram (ela sabe) foi lá a casa ficar com o Gonçalo, para eu conseguir ir à consulta. Pode parecer um detalhe, mas não é. Quando se tem um bebé, até “ir ao médico” pode ser um desafio logístico enorme.
Este texto não é para alarmar. É para alertar.
E também para agradecer. Porque, desta vez, não fiz isto sozinha, e isso fez toda a diferença 🙏
Ainda continuo internada à espera de alta, foco na recuperação, já cá somo 8 dias ⌛