15/02/2026
*LUTO NA RNA-BIÉ*
// APARATOSO ACIDENTE DE VIAÇÃO MATA DE BRUTAL O JORNALISTA DA RÁDIO NACIONAL DE ANGOLA (RNA), FERNANDO CHICAPA, NA CAPITAL DA PROVÍNCIA DO BIÉ//
= EQUIPA DE TRABALHO=
Edição: Jacinto Munjanga
Foto: Marta Buco
Supervisão: Manuela Lemos
O jornalista Fernando Nguli Martins Chicapa faleceu hoje, na cidade do Cuito, vítima de um acidente, segundo informações que circulam desde as primeiras horas do dia. A notícia deixou a província do Bié em choque, sobretudo a classe jornalística e os ouvintes da RNA-Bié, onde construiu uma carreira sólida e marcante.
Nascido a 29 de agosto de 1978, no município do Kuito, Fernando Chicapa tinha 47 anos de idade. Neto do Soba ou Rei Paulo Chicapa, da emblemática embala Ndulu — que deu nome ao município do Andulo — carregava consigo uma herança histórica e cultural de grande simbolismo.
Com uma trajetória de aproximadamente 27 anos dedicados à rádio, iniciou funções por volta de 1999. Em 2016 já somava 17 anos de serviço na Rádio Bié. Ao longo da sua carreira, destacou-se como um profissional educado, gentil, disciplinado e comprometido com a verdade e com a ética jornalística.
Foi vencedor do Prémio de Jornalismo em 2015, docente, conferencista e mestre de cerimónias em diversos eventos. Possuía formação média em Saúde e duas licenciaturas: uma em Ciências da Educação (Psicologia) pelo ISCED-Huambo da Universidade Agostinho Neto e outra em Ciências Políticas e Administrativas pela Universidade Aberta de Lisboa.
Entrou no jornalismo motivado pelo desporto, área pela qual nutria verdadeira paixão, especialmente pelo basquetebol, modalidade que praticou, dirigiu e ajudou a desenvolver em Angola, com formações recebidas pelo Comité Olímpico Angolano e pela Federação Angolana de Basquetebol.
Ao longo dos anos entrevistou figuras nacionais e internacionais, incluindo o então presidente da Federação Internacional de Ginástica, Bruno Grandi, durante o Mundial realizado em Nanning, China, em 2014.
Fernando Chicapa marcou profundamente a RNA-Bié, sendo considerado um dos seus melhores jornalistas. Homem de família, pai de filhos, vivia no bairro Chissindo, no Cuito. Era admirador de grandes nomes do jornalismo nacional e internacional e sonhava com uma Angola mais justa, com menos assimetrias sociais.
A sua partida representa uma perda irreparável para a comunicação social angolana e para o Bié.