18/11/2025
Em 2011, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, pediu a seu grande amigo, Lula da Silva, então ex-presidente do Brasil, que intermediasse um contato com o marqueteiro João Santana, o mago das campanhas eleitorais do petismo e artífice de grifes como o “Minha Casa, Minha Vida” e “Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)”. Um jatinho da Construtora Andrade Gutierrez levou João Santana a Caracas, acompanhado de José Dirceu, do jornalista Franklin Martins, rosto conhecido por anos de presença no telejornalismo da TV Globo, e do embaixador da Venezuela no Brasil, Maximilien Sánchez Arveláiz. Quem recebeu João e o grupo no Palácio Miraflores, sede do governo, não foi Chávez. O fundador do regime bolivariano já lutava contra o câncer que o mataria em 2013, mas escondia a doença para não enfraquecer sua candidatura a um novo mandato presidencial, o terceiro consecutivo, na eleição do ano seguinte. Escalou, para conduzir a reunião que trataria de sua campanha à reeleição em 2012, um tipo corpulento e de bigode proeminente chamado Nicolás Maduro, à época o chanceler venezuelano.
A história que vai ser trazida aqui não é inédita, mas assume ares de novidade para muitos que não a conhecem, pela juventude, ou tentam esquecê-la, por conveniência ou, mesmo, cinismo. Quem a detalhou, com fartura de detalhes e uma desenvoltura notável, foi a esposa e braço-direito de João Santana, Mônica Moura, e o fez em ato de colaboração com a Justiça Federal e o Ministério Público no âmbito da Operação Lava Jato, em 2017.
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