08/09/2026
Eu me diverti com a versão anos 80 da minha cara igual todo mundo. Mas aí me peguei pensando em como seria trabalhar com marketing médico naquela época.
Seria isso: placa na porta, páginas amarelas, indicação de colega e paciência. Muita paciência. A reputação de um médico era construída por quem já estava perto dele, outro médico, um paciente antigo, o farmacêutico da esquina. E levava anos para atravessar o bairro.
Quarenta anos depois, o consultório continua igual. A porta de entrada é que virou outra coisa.
Hoje o paciente digita o nome, lê avaliação, olha o perfil, compara com outro profissional e decide antes de falar com a sua secretária. Toda essa etapa acontece sem você na sala.
E é aqui que a maioria erra o diagnóstico: acha que Google Meu Negócio, conteúdo, anúncio, CRM e IA no atendimento são "divulgação". Não são. São a sala de espera nova, a que existe antes da consulta.
O que a tecnologia mudou não foi o mecanismo. A confiança continua sendo a moeda, exatamente como era em 1985. O que mudou foi o prazo: o que levava uma década de boca a boca hoje pode ser construído em meses, e perdido em uma semana de silêncio.
O efeito colateral disso é duro de ouvir: especialista excelente que ninguém encontra perde espaço para especialista mediano que todo mundo acha. Não é justo. Mas é como o paciente decide hoje.
Me conta aqui embaixo: quantos pacientes chegaram até você esse mês sem indicação de ninguém?
Bruno Morais · especialista em marketing médico e em IA aplicada a clínicas