20/10/2022
Você conhece a Estação Ecológica de Taiamã? Pois bem... Se tiver a oportunidade, vale muito à pena.
A Estação Ecológica de Taiamã é uma unidade de proteção integral federal administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, que tem como objetivo preservar e conservar, para fins científicos e educacionais, uma importante parcela do bioma Pantanal.
Segundo o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC – 9985/2000) as Estações Ecológicas são Unidades de Conservação de Proteção Integral sendo que o objetivo básico destas unidades é preservar a natureza, sendo admitido apenas o uso indireto dos seus recursos naturais.
Para chegar à Estação é necessário ir até a cidade de Cáceres, a qual dista 230Km de Cuiabá (MT), via rodovia asfaltada (BR 070) (sentido sudoeste de Cuiabá). Deste local o acesso é por estradas de chão com alguns trechos precários, até a fazenda Santo Antônio das Lendas. A viagem dura em torno de 2h 30min no período seco, sendo que na época de chuva este tempo tende a ser maior. Partindo da fazenda, gasta-se mais 1h 30min para acessar a sede da Unidade, via fluvial, utilizando motor de 40 HP.
Se o transporte for todo via fluvial (rio Paraguai), partindo de Cáceres (zona urbana do município f**a ao norte da Estação), são necessárias aproximadamente 4h 00min com motor 40hp. Vias de acesso para a EE de Taiamã. O ponto vermelho mais próximo, à noroeste da Estação, indica o porto Jatobá. O ponto mais distante é a Fazenda Santo Antônio das Lendas. Veja detalhes clicando no mapa ao lado.
A diversidade faunística do Pantanal é bastante rica, ocorrendo pelo menos 264 espécies de peixes, 652 de aves, 102 de mamíferos, 177 de répteis e 40 de ambíbios. A fauna é, em grande parte derivada do cerrado, com influências amazônicas. Um dos aspectos mais interessantes é a alta densidade de várias espécies dos grandes vertebrados brasileiros, não encontrada em nenhum outro lugar do continente.
A grande diversidade do pantanal está associada ao regime das inundações que mantém grandes áreas alagadas por períodos que variam entre 6 a 12 meses. Muitos vertebrados invadem a planície na estação seca para explorar a abundância de alimento depositada criada pelas enchentes. Animais migratórios chegam ao Pantanal durante a época de cheias para reprodução e procura de abrigo. O ciclo das inundações determina a disponibilidade de áreas secas e inundadas que, por sua vez, influência a distribuição sazonal das diversas espécies. Com a dinâmica de subida e descida do nível das águas, espécies generalistas são favorecidas em detrimento daquelas muito especializadas. Isso possivelmente é um dos fatores que tentam explicar os baixos números de grupos endêmicos do Pantanal. A vegetação do Pantanal, ao contrário das formações homogêneas típicas, apresenta-se como um mosaico de composições representativas de três regiões distintas: amazônica, cerrado e chaco. Nesse ambiente, coexistem aproximadamente 1.500 espécies de plantas, cujo conjunto fitofisionômico recebe a denominação de "complexo do Pantanal".
A Estação Ecológica de Taiamã apresenta extensos campos de gramíneas intercalados com elementos florestais, com porte elevado e esguio, formando pequenos maciços distribuídos nas ilhas. Outro aspecto importante da vegetação é a mata ciliar desenvolvida junto aos Rios Bracinho, Paraguai e Formoso, circundando as Ilhas de Taiamã e Sararé.
Nas margens dos rios da Estação ocorrem muitas espécies de plantas aquáticas, como o aguapé (Eichornia crassipes) que serve de abrigo a inúmeros peixes que nelas depositam seus ovos. Na época das cheias, verdadeiras ilhas de aguapé descem flutuando o rio Paraguai, servindo como meio de transporte para muitas outras espécies animais e vegetais. Junto a esta espécie ocorre a Eichornia azurea, a qual ocupa maior extensão que a primeira e é chamada também de aguapé. As "ilhas" flutuantes que descem o rio são chamadas de "camalotes". Ainda nas áreas alagadas há a Vitória régia (Victoria cruziana), a Pistia stratiotes, denominada erva de Santa Luzia, as ninféas (Nymphaeas sp.), bem como o Cyperus giganteus (popularmente conhecida como Piri), Equinodorus macrophylus, Sagittaria guyanensis, Pontederia lanceolata, dentre outras. Estas plantas são importantes para a cadeia alimentar da região, pois disponibilizam habitats para algas perifíticas e uma riquíssima fauna de invertebrados (Pott e Pott, 2000). Existe inclusive a descrição de uma espécie endêmica da região, chamada Drosophila aguape, coletada nas flores de E. azurea da Ilha de Taiamã (Val e Marques, 1996).
A avifauna mais representativa da Estação Ecológica é constituída de aves aquáticas, normalmente migratórias, as quais no período da vazante, se alimentam dos peixes aprisionados nas baias e lagoas rasas. Reúnem-se em grandes grupos, constituindo os "viveiros". Algumas das aves mais representativas na ilha são: o Biguá (Phalacrocorax brasilienus); o Biguá-Tinga (Anhinga anhinga); o Baguari ou Garça Cinza (Ardea cocoi); o Socozinho (Butorides striata); a Garça-branca grande (Ardea albas); a Garça-branca pequena (Egretta thula); o Socó-boi (Tigrisoma lineatum); o Tuiuiú (Jabiru mycteria); o Cabeça seca (Mycteria americana); o Tapicuru (Phimosus infuscatus); o Trinta-réis-anão (Sterna superciliaris); o Trinta-réis grande (Phaetusa simplex); o Coro-Coró (Mesembrinibis cayennensis); o Carão (Aramus guarauna); o Jaçanã (Jacana jacana); a Curicaca cinza (Harpiprion caerulescens); a Curicaca (Theristicus caudatus); o Periquito (Myiopsitta monachus); o Caracará (Polyborus plancus); o Gavião Caramujeiro (Rosthramus sociabilis); Aranquã (Ortalis canicollis) e o Tachan (Chauna torquata). Dentre os anatídeos (grupo formado por patos, gansos, cisnes e marrecos), as principais espécies observadas estão a Marreca-cabocla (Dendrocygna autunnalis) e o pato do mato (Cairina moschata).
Fonte: ICMBIO