23/08/2026
Agora imagine se o Ray Dalio fosse brasileiro.
Se ele está preocupado com os Estados Unidos, que ainda possuem a principal moeda de reserva do mundo e conseguem financiar sua dívida em dólar, imagine o que diria olhando para o Brasil.
Por aqui, o mercado projeta para 2026 uma despesa total do Governo Central de aproximadamente R$ 2,63 trilhões, contra uma receita líquida de cerca de R$ 2,57 trilhões. A expectativa é de mais um déficit primário, perto de R$ 59 bilhões.
E existe um agravante importante: a dívida bruta brasileira deve chegar a aproximadamente 83% do PIB em 2026, segundo as projeções do próprio Ministério da Fazenda. Para 2027, a mediana do mercado já aponta 86,5% do PIB.
O problema brasileiro não é simplesmente “ter dívida”.
Países conseguem conviver durante décadas com dívidas elevadas.
A questão é quanto custa carregar essa dívida.
O Brasil precisa pagar juros muito maiores do que os Estados Unidos para convencer investidores a financiar o governo. E quanto maior o custo dos juros, maior a parcela do orçamento que deixa de ir para investimento, infraestrutura e serviços públicos para simplesmente remunerar a dívida acumulada.
É aí que nasce o ciclo perigoso:
déficit gera mais dívida, mais dívida aumenta a percepção de risco, maior risco exige juros maiores e juros maiores deterioram ainda mais as contas públicas.
E existe uma diferença fundamental.
Os Estados Unidos possuem o dólar.
O Brasil não.
Se Ray Dalio já está preocupado com a sustentabilidade fiscal da maior economia do planeta, talvez a pergunta por aqui não seja se devemos prestar atenção.
Talvez seja:
por que ainda tratamos responsabilidade fiscal como uma discussão ideológica, quando no final quem paga a conta é o poder de compra da população?