20/08/2026
Memória Capelense
EDÉLZIO VIEIRA DE MELO
Nascido em Rosário do Catete, no Engenho Catete Velho, Edélzio Vieira de Melo viveu parte da infância em Maruim, ao lado dos pais, o desembargador José Sotero Vieira de Melo e Arminda Barreto de Melo. Seguiu depois para o Rio de Janeiro, onde estudou na Escola Militar. Do Rio, veio para Salvador, ainda como militar, e optou pelo curso de Medicina na tradicional Faculdade de Medicina da Bahia, onde colou grau em 1936.
Formado, regressou a Sergipe e iniciou sua carreira médica em Capela, substituindo o clínico Odilon Ferreira Machado, afastado das atividades por motivo de doença. Em Capela, conciliaria duas atividades que marcariam sua trajetória: a medicina e o magistério, ambas exercidas com dedicação e verdadeiro espírito de missão.
Como médico, atendeu em toda a região, nas cidades e povoados, tanto em seu consultório quanto no hospital, até ser nomeado para integrar, como sanitarista, o quadro da Saúde Pública do Estado.
Em 1944, mudou-se para Aracaju. Trabalhou como médico no antigo IAPC — Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Comerciários —, no SESI — Serviço Social da Indústria — e na LBA — Legião Brasileira de Assistência. Posteriormente, foi colocado à disposição do Governo Federal para desempenhar outras funções, entre elas a de diretor da Caixa Econômica Federal em Sergipe.
No magistério, dirigiu o Grupo Escolar Coelho e Campos e atuou como voluntário no Colégio da Imaculada Conceição, mantido pelas Irmãs da mesma denominação. Durante vários anos, dedicou-se à atividade pedagógica, deixando importantes registros de aulas, discursos de paraninfo e outros textos que revelam sua vocação para o ensino.
O médico e professor trazia consigo uma tradição familiar profundamente ligada à vida pública sergipana. Seu DNA político remetia ao Barão de Maruim, a Manoel Correia Dantas, a Coelho e Campos e a outros nomes de uma família numerosa e influente. Assim, não resistiu aos apelos da vida pública.
Em 1941, o interventor Augusto Maynard Gomes, também nascido em Rosário do Catete, convidou Edélzio Vieira de Melo para assumir a Prefeitura de Capela, nomeando-o prefeito. Começava, ali, uma trajetória política marcada por disputas intensas, coragem cívica, disposição e fidelidade partidária.
Nas eleições para a Assembleia Constituinte Estadual, em 1947, no contexto da redemocratização e da constitucionalização do País, Edélzio Vieira de Melo foi eleito pela legenda do PSD — Partido Social Democrático. Logo assumiu a função de secretário, coordenando os trabalhos dos constituintes ao lado do correligionário Marcos Ferreira de Jesus.
Encerrados os trabalhos constituintes, nos quais participou ativamente dos debates, Edélzio Vieira de Melo foi eleito, por duas vezes, presidente da Assembleia Legislativa. Marcos Ferreira de Jesus havia deixado o Poder Legislativo para assumir a Prefeitura de Aracaju, por nomeação do governador José Rollemberg Leite.
Em 1950, Edélzio Vieira de Melo foi eleito vice-governador e protagonizou um dos episódios mais marcantes da política sergipana. Contestado o resultado da eleição, e encerrado o mandato do governador, o desembargador João Dantas Martins dos Reis, então presidente do Tribunal de Justiça do Estado, considerou-se substituto legal do governador eleito até que fossem solucionadas as pendências eleitorais e confirmados os resultados.
Sem depender de nova eleição, Edélzio Vieira de Melo foi proclamado e diplomado vice-governador. Ao tentar assumir o cargo, conforme entendimento do Tribunal Regional Eleitoral, encontrou as portas do Palácio fechadas. Seguro de suas convicções e determinado a defender o resultado eleitoral, reuniu um grupo cívico e dirigiu-se ao Palácio, sem sucesso. Deu meia-volta e seguiu para a Assembleia Legislativa, onde assumiu o Governo do Estado, permanecendo à frente do Poder Executivo entre 17 de fevereiro e 12 de março de 1951.
A questão foi posteriormente resolvida pela mais alta Corte de Justiça em favor do vice-governador. Recontados os votos de algumas seções, foi confirmada a vitória de Arnaldo Rollemberg Garcez, que tomou posse em 12 de março de 1951 e governou até janeiro de 1955, tendo Edélzio Vieira de Melo como um de seus principais colaboradores.
Em 1954, Edélzio Vieira de Melo foi candidato ao Governo do Estado. A campanha foi marcada pela forte disputa entre UDN e PSD, em um ambiente de grande animosidade política na capital e no interior. Edélzio perdeu a eleição para Leandro Maciel, resultado que interrompeu a sequência de vitórias do PSD e de seu aliado PR.
Posteriormente, o PSD reuniu José Rollemberg Leite e Edélzio Vieira de Melo para uma nova disputa eleitoral, desta vez contra Luiz Garcia e Dionízio Machado. Edélzio sofreu nova derrota, mas preservou a imagem de liderança construída ao longo de sua trajetória política.
Atendendo aos apelos de amigos e correligionários, candidatou-se a deputado federal em 1962, em uma memorável eleição que levou Seixas Dória, então dissidente da UDN, ao Governo de Sergipe.
Edélzio Vieira de Melo perdeu a eleição por poucos votos. À época, surgiram alegações de fraude e violação de urnas, em meio às acirradas disputas políticas daquele período.
Pouco tempo depois, em 23 de dezembro de 1962, morreu, aos 52 anos, deixando uma trajetória marcada pela medicina, pelo magistério e pela vida pública. Sua passagem por Capela e por Sergipe inscreveu seu nome na história política e social do Estado.
Casado com Mary Barreto, filha de Ariovaldo Barreto, usineiro de Capela, foi pai de cinco filhos — Sérgio, Geraldo, Gilza, Arminda e Silvia —, que deram continuidade, com as novas gerações, às tradições da família e ao legado de Edélzio Vieira de Melo.
{Por Luiz Antonio Barreto, in Portal Infonet, 21.08.2009. Imagem de arquivo, sob criação gerada por inteligência artificial, de caráter meramente ilustrativo.}