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Memória CapelenseOrlando Vieira DantasNascido em 28 de setembro de 1900, no Engenho Palmeira, em Capela (SE), Orlando Da...
29/04/2026

Memória Capelense
Orlando Vieira Dantas

Nascido em 28 de setembro de 1900, no Engenho Palmeira, em Capela (SE), Orlando Dantas cresceu imerso na cultura patriarcal típica da economia açucareira nordestina. Filho de Manoel Corrêa Dantas — que governou Sergipe entre 1927 e 1930 —, herdou não apenas a posição social, mas também o vínculo direto com a produção canavieira, chegando a dirigir a Usina Vassouras. Ainda assim, construiu uma trajetória que ultrapassou os limites de sua origem.

Foi no jornalismo que Orlando Dantas encontrou sua principal trincheira. Desde cedo demonstrou inclinação para a escrita e o debate público. Em 1927, tentou fundar um jornal que já carregava o nome que marcaria sua história — Gazeta de Sergipe —, embora a iniciativa inicial não tenha prosperado. Persistente, consolidou-se posteriormente como o maior nome da imprensa sergipana do século XX.

Sua atuação jornalística foi marcada por firmeza ideológica e espírito combativo. Fez da imprensa um instrumento de enfrentamento político, denunciando arbitrariedades, injustiças sociais e defendendo a economia estadual. Em 1944, participou da fundação do jornal O Nordeste. Mais adiante, em 1956, criou a Gazeta Socialista, veículo que expressava suas convicções políticas e enfrentava diretamente setores conservadores da elite sergipana.

O auge de sua obra jornalística ocorreu em 1958, com a fundação da Gazeta de Sergipe, primeiro jornal diário de Aracaju. O periódico tornou-se espaço plural de debate e consolidou-se como referência na comunicação estadual. Sob sua liderança, o jornal não apenas informava, mas também mobilizava a opinião pública, especialmente em momentos de tensão política, como no período pós-1964, quando chegou a ser empastelado após o golpe militar.

Paralelamente ao jornalismo, Orlando Dantas teve atuação política relevante. Participou da fundação da Esquerda Democrática em Sergipe e elegeu-se deputado estadual constituinte em 1946, destacando-se pela defesa das liberdades políticas — inclusive ao protestar contra o fechamento do Partido Comunista. Posteriormente, como deputado federal pelo Partido Socialista Brasileiro (1951–1955), foi uma voz ativa em favor do nacionalismo econômico, especialmente na campanha pela criação da Petrobras e pelo monopólio estatal do petróleo.

Sua trajetória, contudo, não esteve isenta de contradições. Em 1969, durante o regime militar, filiou-se à Arena, partido governista, justificando a decisão como tentativa de promover mudanças internas no sistema político. O gesto foi amplamente criticado e, mais tarde, reconhecido por ele próprio como um equívoco. Após esse episódio, afastou-se da militância partidária.

Além do jornalismo, Orlando Dantas destacou-se como autor de obras voltadas à análise da sociedade sergipana. Entre seus livros, sobressai A Vida Patriarcal de Sergipe (1980), obra de caráter autobiográfico e sociológico, na qual examina as raízes históricas da dominação masculina e da estrutura dos engenhos. Também publicou O Problema Açucareiro de Sergipe (1944) e Política de Desenvolvimento de Sergipe (1974), evidenciando seu compromisso com a reflexão sobre economia e sociedade.

Orlando Vieira Dantas construiu uma trajetória singular. Empresário, político, jornalista e pensador social, foi, acima de tudo, um homem que ousou confrontar seu próprio tempo — e suas próprias raízes.

Faleceu em 9 de abril de 1982, deixando como legado uma obra que permanece como referência para a compreensão da sociedade sergipana.

{Fontes: Marcos Cardoso, Portal Infonet, 10 de dezembro de 2018; Manoel Cabral Machado, Brava Gente Sergipana e Outros Bravos, Editora J. Andrade, Aracaju.}

Memória CapelenseJosé da Mota Cabral, o padre JucaNascido em 7 de dezembro de 1882, no Engenho Flor das Pedras (Pau Seco...
28/04/2026

Memória Capelense
José da Mota Cabral, o padre Juca

Nascido em 7 de dezembro de 1882, no Engenho Flor das Pedras (Pau Seco), em Capela (SE), José da Mota Cabral, carinhosamente conhecido como padre Juca, foi uma das figuras mais marcantes da história religiosa do município. Filho do major Manoel Inácio da Mota e de Maria de Jesus Monte Cabral, foi batizado em 17 de janeiro de 1883 pelo padre Leandro Ribeiro dos Santos, na capela da família, em Vila Pedras.

Após os estudos primários no Colégio Santo Antônio, em Capela, seguiu para Salvador, onde ingressou, em março de 1888, no Seminário Menor de Santa Tereza. Concluiu o curso preparatório em novembro de 1903, passando ao Seminário Maior de Ciências Eclesiásticas. Recebeu a tonsura em 1904 e, no ano seguinte, as ordens menores. Em 25 de outubro de 1906, foi ordenado subdiácono e, em 1º de dezembro do mesmo ano, diácono, sendo então elevado ao sacerdócio. Todas as ordens foram conferidas por Dom Jerônimo Tomé da Silva, arcebispo da Bahia.

Sua primeira missa foi celebrada na Capela do Asilo dos Expostos, em Salvador, onde residia sua irmã, a religiosa Irmã de Caridade Helena (Maria Júlia da Mota Cabral), que atuou como paraninfa, ao lado do padre Manoel dos Santos Ferreira, vice-reitor do seminário.

De volta a Capela em 17 de novembro de 1907, padre Juca celebrou sua primeira missa solene na capela de Vila Pedras, em memória de seus pais. A ocasião foi marcada por festividades no Engenho Pau Seco, reunindo familiares, amigos e autoridades locais.

Em 1908, demonstrando vocação para o magistério, fundou, ao lado de suas irmãs — entre elas Maria Evangelina Cabral — o Externato São José. No mesmo período, passou a atuar como coadjutor da Paróquia de Capela. Com a renúncia do padre Leandro, assumiu como vigário encomendado em 1º de janeiro de 1909, função que exerceu por quase cinquenta anos, até seu falecimento, em 23 de agosto de 1957.

Durante sua longa permanência à frente da paróquia, promoveu importantes reformas na Igreja Matriz, elevando as torres, adotando traços do estilo gótico e modernizando a estrutura interna, com alterações na nave, iluminação, cobertura, pintura, além da construção de novas tribunas e do altar-mor. Sob sua liderança, o templo consolidou-se como um dos mais expressivos do estado de Sergipe.

A vida religiosa de Capela, nesse período, girava em torno da igreja. O calendário litúrgico era intensamente vivido pela população, com celebrações que iam do ciclo natalino às festividades de Nossa Senhora da Purificação, em fevereiro, passando pela Quaresma, Semana Santa, festas juninas, devoções marianas, além das celebrações de finados e do Advento. As confrarias e associações religiosas desempenhavam papel central na organização dessas atividades.

Padre Juca celebrava missas diariamente e, aos domingos, presidia a missa conventual, marcada por longas homilias. Dono de voz de tenor, conduzia as orações com forte expressividade. Também se destacavam as celebrações das primeiras sextas-feiras do mês, dedicadas ao Sagrado Coração de Jesus, e as grandes procissões, como as de Corpus Christi e Cristo-Rei.

A cidade vivia ao ritmo dos sinos da matriz e da Igreja do Amparo, que anunciavam tanto os momentos festivos quanto os lutos. Em especial, o Dia de Finados mobilizava grande comoção popular.

Sem jamais se afastar de suas funções — exceto para retiros anuais do clero —, padre Juca dedicou-se integralmente ao ministério sacerdotal. Esteve presente, inclusive, na inauguração da estátua do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, sendo recebido com entusiasmo ao retornar a Capela.

Em agosto de 1957, às vésperas de completar cinquenta anos de sacerdócio, foi acometido por grave enfermidade. Transferido para o Hospital de Cirurgia, não resistiu às complicações de uma úlcera duodenal. Faleceu em 23 de agosto daquele ano, pronunciando, segundo relatos, suas últimas palavras: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito”.

A notícia de sua morte causou profunda comoção. O corpo foi trasladado para Capela sob grande acompanhamento popular. A cidade parou para se despedir de seu vigário. Irmandades, escolas e a população em geral prestaram homenagens em um cortejo marcado por intensa emoção.

Apesar das críticas que por vezes recebia — sobretudo quanto à duração de suas celebrações e ao rigor disciplinar —, sua morte revelou o profundo vínculo afetivo com a comunidade. Padre Juca foi responsável por batizar, casar e acompanhar gerações de capelenses, consolidando-se como uma das figuras mais influentes da história local.

Seu sepultamento ocorreu aos pés do altar-mor da Igreja Matriz, sob o som dos sinos e manifestações de fé e respeito. Sua trajetória permanece como símbolo de dedicação pastoral, fé inabalável e serviço à comunidade.

{Fonte: Manoel Cabral Machado, Brava Gente Sergipana e Outros Bravos. Aracaju: Gráfica e Editora J. Andrade, 1999.}

Memória CapelenseAntônio Florivaldo MachadoCentenário de nascimento Antônio Florivaldo Machado foi um dos grandes pionei...
27/04/2026

Memória Capelense
Antônio Florivaldo Machado
Centenário de nascimento

Antônio Florivaldo Machado foi um dos grandes pioneiros da indústria de confecção em Sergipe, construindo uma trajetória marcada por trabalho, resiliência e espírito empreendedor. Nascido em 1926, em Vila Pedras, no município de Capela, era filho de Francisco Ferreira Machado e Maria Rosa Machado.

Oriundo de uma família humilde, teve na figura do pai, agricultor, os primeiros ensinamentos sobre honestidade, dedicação e responsabilidade. Da mãe, herdou valores ligados à fé, à disciplina e à organização familiar, características fundamentais em sua formação pessoal.

A infância foi vivida no ambiente rural, conciliando as limitações da época com momentos de lazer simples. Ingressou na escola pública aos sete anos de idade, dando continuidade aos estudos na sede de Capela, onde foi aluno da professora Aurelina, reconhecida como uma das mais importantes educadoras da cidade. O acesso à educação, no entanto, exigia esforço diário, com longas caminhadas sob sol e chuva. A necessidade de trabalhar desde cedo o levou a interromper os estudos ainda no curso primário.

Ainda jovem, mudou-se para Aracaju em busca de melhores oportunidades. Seu primeiro emprego foi na firma Aguiar Irmãos, tradicional estabelecimento comercial do ramo de tecidos. Antes disso, já havia adquirido experiência como balconista em Capela, na loja de Agenor de Souza Barbosa, onde aprendeu os fundamentos do comércio. Em Aracaju, destacou-se rapidamente pela habilidade no atendimento, domínio técnico na venda de tecidos e facilidade de comunicação com os clientes, o que lhe garantiu crescimento dentro da empresa, inclusive atuando na área de caixa, onde adquiriu conhecimentos práticos de contabilidade.

Com o apoio do cunhado Oséas Vieira Machado, conseguiu um pequeno espaço no mercado de Aracaju para iniciar seu próprio negócio. Com recursos modestos, estruturou uma loja de tecidos e confecções, batizada de “O Predileto”. O empreendimento prosperou graças ao atendimento diferenciado e à relação de confiança estabelecida com os clientes e fornecedores.

O crescimento das vendas levou à mudança para um espaço maior no mercado novo, onde consolidou o negócio sob o nome “Casa Machado”. A expansão permitiu não apenas o aumento da clientela, mas também a geração de empregos e a melhoria das condições de vida da família, que passou a residir com ele na capital.

Observando a demanda crescente por calças jeans, identificou uma oportunidade no setor de confecção. Com apoio de mão de obra especializada e estrutura inicial simples, deu início à produção própria. A qualidade dos produtos rapidamente chamou a atenção do mercado, impulsionando a criação da Confecção Durant, considerada a primeira indústria de confecção de calças em Sergipe.

A empresa expandiu suas atividades, instalando-se em espaço maior e adquirindo maquinário industrial. Seus produtos passaram a ser comercializados não apenas em Sergipe, mas também em estados vizinhos como Alagoas, Pernambuco e Bahia. Apesar do sucesso inicial, enfrentou dificuldades estruturais, especialmente pela falta de incentivos governamentais e pela concorrência com grandes indústrias que se instalaram no Nordeste.

O cenário econômico agravou-se após o golpe de 1964, período em que o comércio sofreu forte retração. Sem condições de competir no novo mercado, iniciou o processo de desativação da indústria. Posteriormente, transferiu suas atividades para o município de Maruim, onde manteve uma unidade produtiva por algum tempo, até encerrar definitivamente o ciclo na confecção.

Demonstrando capacidade de reinvenção, ingressou no ramo de alimentação, fundando uma churrascaria que funcionou por cerca de doze anos, garantindo a subsistência da família e a recuperação financeira.

Casado com Josefina Belém Machado desde 1951, construiu uma família numerosa, sendo pai de onze filhos: Excelsa Maria Machado, Rosa Maria Machado, Maria Angélica Machado, Antônio Florivaldo Machado Filho, Miriam Belém Machado, Anselmo Belém Machado, Maria Hortência Belém Machado, Ana Lúcia Belém Machado, Margarida Belém Machado, Maria de Lourdes e Francisca Belém Machado. Ao longo da vida, também acompanhou o crescimento da família com a chegada de dezoito netos.

Após a aposentadoria, passou a dedicar-se integralmente à convivência familiar. Sua trajetória foi marcada pela fé cristã, elemento que considerava essencial para enfrentar as adversidades e orientar suas decisões.

Antônio Florivaldo Machado faleceu em 19 de abril de 2013, aos 87 anos, deixando como legado sua contribuição pioneira para a indústria de confecção em Sergipe e um exemplo de perseverança, trabalho e valores familiares.

{Fonte: Perfil biográfico escrito pelo jornalista Osmario Santos, publicado em 17 de abril de 1994, no site osmario.com.br. | Imagem: criação por IA.}

Memória CapelenseEugênio Santos Filho, “Eugênio Alfaiate”: tradição, talento e legado na arte de vestirEugênio Santos Fi...
26/04/2026

Memória Capelense
Eugênio Santos Filho, “Eugênio Alfaiate”: tradição, talento e legado na arte de vestir

Eugênio Santos Filho, conhecido como “Eugênio Alfaiate”, foi um dos nomes mais respeitados da alfaiataria sergipana, construindo uma trajetória marcada pelo talento, disciplina e fidelidade a um ofício que atravessou gerações. Nascido em maio de 1934, na cidade de Capela (SE), seguiu os passos do pai, Eugênio Santos, alfaiate de prestígio em toda a região, reconhecido pela excelência e precisão nos cortes finos de ternos que vestiam autoridades e personalidades do estado.

A influência paterna foi determinante não apenas na escolha da profissão, mas também na formação de seu caráter. “Como alfaiate, eu não sou nem o rastro do meu pai”, dizia com humildade, ao mesmo tempo em que reafirmava ter herdado dele os valores de retidão, responsabilidade e dedicação ao trabalho.

Antes de se consolidar como alfaiate, Eugênio Santos — seu pai — também foi proprietário do tradicional Grau Cinema, em Capela. Entre as histórias transmitidas ao filho, destaca-se a passagem de Lampião pela cidade, quando teria assistido a uma sessão de cinema acompanhada por uma orquestra que executava a trilha sonora ao vivo — da qual o próprio pai de Eugênio participava, tocando bombardino. O episódio remonta ao início da década de 1930 e integra o imaginário histórico local.

Filho de Letícia, mulher dedicada que criou 13 filhos, Eugênio herdou, desde cedo, o forte vínculo familiar e o senso de responsabilidade. Iniciou os estudos aos sete anos, no Grupo Escolar Coelho Campos, em Capela, tendo como referência a professora Esmeralda Menezes, conhecida como “professora Zu”, a quem creditava sua sólida formação inicial.

A infância foi dividida entre os estudos e o trabalho. Ainda jovem, ajudava o pai nas atividades do sítio da família, lidando com a rotina rural, ao mesmo tempo em que demonstrava interesse pelo ofício da alfaiataria. Aos 12 anos, já cortava tecidos e dava os primeiros passos na confecção de roupas.

Em busca de melhores oportunidades, mudou-se para Aracaju, ainda na adolescência, ao lado do irmão, onde viveu de forma simples enquanto aprofundava sua formação. Foi na então Escola Industrial de Aracaju — hoje conhecida como Escola Técnica — que se especializou no curso de alfaiataria, aperfeiçoando as habilidades que o tornariam referência no segmento.

Ao longo da vida, Eugênio Santos Filho consolidou seu nome na sociedade sergipana como um profissional de excelência, mantendo viva a tradição do corte sob medida em um período de transformações na indústria do vestuário.

Além da atuação como alfaiate, teve participação ativa na representação institucional do setor. Exerceu, por muitos anos, os cargos de tesoureiro e conselheiro da Federação das Indústrias do Estado de Sergipe (FIES), além de atuar como delegado representante do Sindicato das Indústrias de Alfaiataria e Confecções de Roupas de Homens, Roupas de Malhas e Confecções em Geral do Estado de Sergipe.

Eugênio faleceu no dia 15 de junho de 2015, aos 81 anos, deixando um legado que ultrapassa a técnica da alfaiataria. Sua história é marcada pelo compromisso com o trabalho, pela valorização da família e pela contribuição ao desenvolvimento do setor de confecções em Sergipe.

Sua memória permanece viva como símbolo de uma época em que o ofício era sinônimo de identidade, precisão e respeito.

{Fontes:
Perfil de Eugênio Santos Filho publicado pelo jornalista Osmário Santos, em 04 de outubro de 2012, no site osmario.com.br. | Portal Infonet. Imagem: criação por IA.}

MEMÓRIA CAPELENSETUPÃ DA VIOLAGerson Batista dos Santos nasceu em 7 de julho de 1947, na Fazenda Quití, pertencente à Us...
23/04/2026

MEMÓRIA CAPELENSE
TUPÃ DA VIOLA

Gerson Batista dos Santos nasceu em 7 de julho de 1947, na Fazenda Quití, pertencente à Usina Proveito, no município de Capela, Sergipe. Filho de Antônio Batista dos Santos e Maria Gerusa de Jesus, cresceu em um ambiente de trabalho rural, herdando do pai valores como dignidade, honestidade e seriedade — marcas que levaria por toda a vida.

Ainda criança, aos três anos de idade, seguiu com a família para o estado de São Paulo, em busca de melhores condições. Lá, viveu inicialmente na pequena localidade de Gricélio, onde foi registrado. Seus pais passaram a trabalhar na lavoura de café, atividade que sustentava a família.

Gerson iniciou os estudos na Fazenda Taramas, na região de Lins, mas uma mudança de emprego dos pais interrompeu sua formação. O jovem passou então cerca de dez anos afastado da escola, dedicando-se ao trabalho na plantação de algodão ao lado da família.

Em 1964, com o clima de instabilidade provocado pelo Golpe Militar, seus pais decidiram retornar a Sergipe, fixando residência novamente em Capela. Foi nesse período que a música começou a ocupar um espaço definitivo em sua vida. Inspirado pelas lembranças da música caipira que ouvira em São Paulo, encontrou no canto uma forma de aliviar o peso do trabalho diário: “Para trabalhar de sol a sol tinha de cantar, senão o dia não passava”.

Sem acesso ao rádio, aprendeu de forma autodidata. Comprou um violão e recebeu as primeiras orientações de uma vizinha, Luiza, que logo se mudou da cidade. Persistente, seguiu aprendendo sozinho, afinando o instrumento “do seu jeito” e reproduzindo, de memória, canções de duplas consagradas como Tonico e Tinoco, Zico e Zeca, Zé Carreiro e Carreirinho, Lourenço e Lourival, entre outras.

De volta a Capela, trabalhou no canavial como sementeiro na Fazenda Quití. Foi nesse período que formou uma dupla com Nelson, conterrâneo que havia aprendido música no Paraná. Juntos, se apresentavam como “Gilson e Nelson”.

Paralelamente, destacou-se também no futebol. Atuando como atacante, ganhou o apelido de “Tupã”, em referência ao jogador do Palmeiras, pela habilidade em campo. Em Capela, jogou no tradicional time Rio Branco.

Retomou os estudos por meio da escola vinculada ao futebol e concluiu o curso ginasial. Foi nesse período que conheceu sua esposa, Sônia Maria dos Santos, natural de Aquidabã. O relacionamento começou de forma rápida e curiosa: “Foi um namoro de um dia”, recordava, com bom humor. Casaram-se em 1973 e construíram uma família com quatro filhos: Ana Cristina, Gerson Júnior, Crislane e Geferson. Tornou-se também avô de Ana Júlia e João Pedro.

Em 1974, mudou-se com a família para Aracaju. Iniciou sua vida profissional na construção civil, chegando a ocupar a função de gerente de obra na construtora J. Veloso. Posteriormente, trabalhou na indústria de beneficiamento de mármore de Cícero Gentil e, mais tarde, na empresa Metal Norte, onde adquiriu experiência no ramo de esquadrias de alumínio.

Com espírito empreendedor, abriu sua própria oficina na Rua Maranhão e realizou trabalhos importantes, como a confecção das esquadrias do Jornal da Cidade. Mais tarde, adquiriu um terreno na Avenida Hermes Fontes, onde construiu sua residência e estabeleceu sua oficina, local onde trabalhou por décadas com alumínio, ferro e aço.

A música, no entanto, jamais deixou de fazer parte de sua vida. Passou a se apresentar nos finais de semana em frente à sua oficina, chamando a atenção do professor de música Alvino Argolo, que o convidou para participar de seu programa de rádio. Foi ele quem lhe deu o nome artístico de Tupã da Viola, pelo qual se tornaria conhecido. Durante três anos, participou regularmente do programa.

Apresentou-se em diversos eventos pelo interior de Sergipe, com destaque para o Encontro Cultural de Alagadiço. Também cantou na casa de shows Suburbia, na Orla de Atalaia, em Aracaju, e era frequentemente convidado para apresentações em propriedades rurais. Seu repertório valorizava a música sertaneja de raiz, e seu CD, que trazia como destaque a canção “Forró da Volta”, teve boa aceitação popular.

Homem simples, trabalhador e apaixonado pela música, Tupã da Viola construiu uma trajetória marcada pela perseverança e pelo amor às suas origens.

Faleceu em Aracaju, em setembro de 2017, deixando um legado de cultura popular e memória afetiva para o povo sergipano.

(Fonte: perfil escrito pelo jornalista Osmário Santos, em 02 de abril de 2012. Imagem: criação por IA.)

Efemérides Capelenses  Antão Correia de Andrade  130 anos de nascimento (1896–2026)  Antão Correia de Andrade nasceu em ...
23/04/2026

Efemérides Capelenses
Antão Correia de Andrade
130 anos de nascimento (1896–2026)

Antão Correia de Andrade nasceu em Riachuelo (SE), em 17 de janeiro de 1896, e faleceu em Capela (SE), em 25 de dezembro de 1974. Era filho de Francisco Vieira de Andrade e de Maria Hercília Barreto Dantas (Dantas Vieira).

Casou-se, em primeiras núpcias, em Capela, a 8 de fevereiro de 1919, com Maria Noêmia Telles Cabral (1896–1959), filha de Francisco Vieira de Melo Cabral e de Honorina de Sousa Telles. Em segundas núpcias, contraiu matrimônio em Capela, a 20 de abril de 1963, com Maria Valdete Souza Mota (1917–2011), filha de Antônio Vieira da Mota e de Maria Corina Mota.

Antão destacou-se como prefeito de Capela, industrial e proprietário rural em Sergipe e na Bahia. Agricultor progressista no cultivo da cana-de-açúcar, foi um dos introdutores do preparo mecânico do solo e do uso de transporte automotivo nas atividades agrícolas. Em Aracaju, atuou como salineiro, produzindo sal fino para mesa e sal grosso destinado ao gado.

Durante sua gestão à frente da Prefeitura de Capela, o município foi palco de episódios marcantes relacionados ao cangaço. Em 24 de outubro de 1929, o bando de Lampião entrou na cidade após exigir a presença do prefeito, que foi compelido a acompanhá-lo. Na ocasião, o chefe cangaceiro percorreu pontos estratégicos, controlou comunicações, frequentou o cine-teatro local e impôs forte tensão à população. Sob pressão, Antão negociou a entrega de recursos financeiros — inicialmente exigidos em maior quantia — conseguindo reduzir o valor, o que contribuiu para evitar maiores violências. Após breve permanência, o grupo retirou-se sem confronto direto.

Dois anos depois, em outubro de 1931, uma nova investida foi frustrada. Diferentemente da primeira passagem, a população de Capela organizou resistência armada, posicionando-se inclusive nas torres da igreja. Ao tentar entrar na cidade, o bando foi recebido a tiros e recuou. O episódio ficou marcado pela tradição oral que atribui a Lampião a frase: “Vamos embora que nesta cidade até os santos atiram.”

(Segue nos comentários)

Efemérides Capelenses110 anos de nascimento de Manoel Cabral MachadoA história de Capela e de Sergipe se entrelaça com a...
21/04/2026

Efemérides Capelenses
110 anos de nascimento de Manoel Cabral Machado

A história de Capela e de Sergipe se entrelaça com a trajetória de homens públicos que, com inteligência, senso de dever e espírito cívico, ajudaram a moldar instituições e ideias. Entre esses nomes, destaca-se Manoel Cabral Machado, cujo legado permanece vivo como referência de compromisso com a vida pública e com a cultura sergipana.

Nascido em Rosário do Catete, em 30 de outubro de 1916, Manoel Cabral Machado era filho do médico Odilon Ferreira Machado e de Maria Evangelina Cabral Machado. Ainda na infância, sua vida se vincularia profundamente ao município de Capela, onde foi criado após seu pai fixar residência no exercício da medicina. Foi nesse ambiente interiorano, de relações próximas e valores sólidos, que se formaram as bases de seu caráter.

Sua formação educacional teve continuidade na capital, Aracaju, onde estudou em instituições tradicionais como o Colégio Salesiano de Aracaju e o Atheneu Sergipense. Nesse período, revelou desde cedo inclinação para a vida pública, participando ativamente de movimentos político-estudantis — uma experiência que antecipava sua vocação para o debate, a liderança e o serviço à coletividade.

A busca por formação jurídica o levou à Faculdade de Direito da Bahia, onde se graduou em 1942. De volta a Sergipe, iniciou sua trajetória administrativa no serviço público estadual, atuando no então Departamento do Serviço Público, hoje Secretaria de Estado da Administração de Sergipe, integrando a equipe do secretário-geral Francisco Leite Neto. Esse início marcaria uma carreira sólida e multifacetada, sempre pautada pelo rigor técnico e pela dedicação ao interesse público.

Em 1945, participou da fundação do Partido Social Democrático (PSD), ingressando de vez na arena política. Ainda naquele ano, candidatou-se a deputado estadual, não logrando êxito eleitoral, mas conquistando reconhecimento suficiente para ser convidado a integrar o governo de José Rollemberg Leite. Nesse período, exerceu funções de grande responsabilidade, como a Secretaria da Fazenda e, posteriormente, o cargo de procurador do Instituto do Açúcar e do Álcool em Sergipe.

(Segue)

Nota de pesar e de solidariedade Com pesar, lamentamos o falecimento de Cláudio Silva Santana, o querido Cadinho. Sua pa...
18/04/2026

Nota de pesar e de solidariedade

Com pesar, lamentamos o falecimento de Cláudio Silva Santana, o querido Cadinho. Sua partida deixa um vazio imenso no coração de todos que tiveram o privilégio de conhecê-lo e conviver com sua presença generosa e humana.

Neste momento de dor, nos solidarizamos com sua mãe, dona Helena; seus filhos, Bruno e Emilly; seus irmãos Sandra, Arlindo, André, Robson e Andréia; e com todos os demais familiares e amigos. Que Deus conceda conforto, força e serenidade para atravessar essa perda irreparável.

“Perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado e salva os de espírito abatido.” (Salmos 34:18).

Nossos sentimentos!

Mais uma análise por ChatGPT CPI do Crime Organizado: muito holofote, pouco resultadoA relatoria do senador Alessandro V...
15/04/2026

Mais uma análise por ChatGPT

CPI do Crime Organizado: muito holofote, pouco resultado

A relatoria do senador Alessandro Vieira na CPI do Crime Organizado expôs um erro de cálculo político difícil de ignorar. O que poderia resultar em um relatório técnico, consistente e voltado ao enfrentamento estrutural das facções acabou desviado por uma aposta arriscada — e mal calibrada.

Ao incluir pedidos de indiciamento contra ministros do Supremo Tribunal Federal e o chefe da Procuradoria-Geral da República, o relator deslocou completamente o eixo da CPI. O debate deixou de se concentrar no crime organizado e passou a girar em torno de um embate institucional com baixa sustentação jurídica e elevada carga política.

A consequência foi imediata: isolamento. Sem base sólida nem articulação suficiente, o relatório perdeu apoio dentro da própria comissão e acabou rejeitado. Um desfecho que não apenas enfraquece o trabalho apresentado, mas também compromete a credibilidade da condução da relatoria.

Mais grave que o resultado foi a escolha estratégica. Ao priorizar o confronto de alto impacto em detrimento da construção de consenso e de efetividade, o relator abriu mão de elementos essenciais a uma CPI: foco, estratégia e capacidade de entrega.

O senador Alessandro Vieira precisa reconhecer que uma CPI não é palco para duelos institucionais nem vitrine para protagonismo individual. Trata-se de um instrumento voltado a resultados. Ao mirar ministros do STF e o procurador-geral da República, desviou-se do objetivo central — e entregou ao país não um avanço no combate ao crime organizado, mas um relatório rejeitado, isolado e politicamente ineficaz.

(Com informações da Agência Brasil. Imagem: divulgação.)

Centenário de nascimento José Davino dos Santos1926 - 2026Celebrar o centenário de nascimento de José Davino dos Santos,...
14/04/2026

Centenário de nascimento
José Davino dos Santos
1926 - 2026

Celebrar o centenário de nascimento de José Davino dos Santos, o inesquecível Zé Peixeiro de Capela, é reverenciar uma das expressões mais autênticas da cultura popular sergipana. Nascido por volta de 1926, no município de Capela, ele se tornaria, ao longo da vida, um dos nomes representativos do coco nordestino, tradição marcada pelo ritmo, improviso e pela força da oralidade.

Ainda jovem, mudou-se para Aracaju, onde viveu grande parte de sua trajetória. Como tantos artistas populares de sua época, construiu sua vida em meio ao trabalho duro — foi pescador e trabalhador informal — encontrando na cultura uma forma de expressão, resistência e pertencimento.

Foi a partir da década de 1940 que Zé Peixeiro passou a se destacar como cantador de coco e samba de roda. Mais do que cantar, ele exercia o papel de tirador de coco: conduzia a roda, improvisava versos e dialogava com os brincantes, mantendo viva uma tradição coletiva. Sua presença era marcante, especialmente em ambientes populares, onde o coco não era espetáculo, mas vivência.

Em suas cantorias, fazia questão de reconhecer outros mestres da cultura sergipana, como: Mané de Lucinda, Zé Vicente (ou Zé do Topo) e Antônio Luiz do Siriri.

Essas referências revelam sua inserção em uma rede de saberes transmitidos oralmente, característica fundamental das culturas populares.

Um dos registros mais significativos de sua atuação ocorreu em 28 de junho de 1971, véspera de São Pedro, no bairro 18 do Forte, em Aracaju. Ali, o coco era vivido em sua essência: dança em pares, sapateado ritmado e refrões repetidos coletivamente, sob a condução do cantador.

No entanto, sua trajetória também foi marcada por uma ruptura. No início da década de 1970, Zé Peixeiro foi afastado do convívio social após envolver-se em um episódio trágico que resultou em sua prisão. Esse fato interrompeu sua presença nas rodas de coco e evidencia as contradições de uma vida vivida à margem das estruturas formais.

Apesar disso, seu legado permanece. Zé Peixeiro é símbolo de uma geração de artistas que, mesmo sem reconhecimento institucional, sustentaram e transmitiram tradições fundamentais para a identidade cultural do Nordeste.

No centenário de seu nascimento, sua memória ressurge como patrimônio vivo de Sergipe — não apenas como lembrança, mas como convite à valorização do coco, da cultura popular e de seus mestres anônimos.

(Fontes: Jackson da Silva Lima, estudos sobre cultura popular sergipana; Portal Infonet; Serigy Site e Acervo do Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular - CNFCP/IPHAN.)

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