20/11/2018
Dia da consciência Negra, um dia de história, de fazermos uma viagem no tempo e conhecermos a nossa trajetória. Os nossos ancestrais foram os heróis da resistência, para que hoje pudéssemos desfrutar de um mundo melhor e mais consciente. O dia de agradecimento pelas heroínas quilombolas e pelos heróis que lutaram tão massivamente pela sobrevivência, onde os objetivos eram a eliminação da nossa identidade e o enfraquecimento de nossa cultura. Mas não somente em um dia do ano, a consciência não para no calendário e nem se acomoda em uma data. Estamos na fala, nos movimentando e nos desenvolvendo.
Faço sempre o apelo, devemos sempre olhar para aquilo que está escondido e camuflado, devemos sempre analisar a origem dos fatos, compreender a política, a educação, a música e onde estamos em tudo isso. Esse dia, para muitos usufruídos como descanso e para nós de estudo e construção de estratégias de enfrentamento.
O dia da consciência negra, não é somente para refletirmos o quanto ainda existe de racismo, pois é uma tecnologia que se atualiza e desenvolve em todas as esferas e instituições. Mas de dedicarmos a olhar o presente e percebermos as nossas relações uns com os outros, as nossas atitudes, as nossas falas, o nosso afeto, a nossa linguagem.
O que é a consciência negra para você ?
É apenas saber que existiu um momento histórico de luta?
Ou de fazermos de nossa história um ponto de partida para que futuramente o racismo seja com mais rapidez dissolvido das nossas mentes e da sociedade?
Hoje, desvelamos a história única, ela não nos pertence, não somos um povo para nos desenvolvermos como pessoas brancas, somos o que nós somos. Não seguiremos o manual de como ser um negro bem sucedido copiando a trajetória branca, temos a posse de livros em nossas mãos, podemos contar a nossa história a partir de nós mesmo, hoje temos a FALA, temos autonomia e com o esforço de nossos ancestrais, estamos vivos, resistindo por nós, pelas nossas crianças, estamos em todos os lugares, viva a nossa existência e a nossa ancestralidade.
Kyanaju Afropoetisa - Julia Santos