23/01/2026
Gravem este nome! Esta incrível mulher trans, nordestina, de pouco mais de 30 anos, tem a voz e a presença das mais potentes que já se viu por essas bandas. Ontem, no Sesc 24 de maio, ela arrancou aplausos, arroubos e lágrimas de uma plateia em pé e em êxtase.
Conhecemos a Ju Santtos nos seus primeiros dias de São Paulo, numa noite gloriosa e musical, no camarote do concerto de Yamandu e Antonio Zambujo, há menos de um ano. Estávamos ainda com Renato Teixeira e, ela, acompanhada de Arismar do Espírito Santo. Sua imagem, com quase dois metros de altura, não passaria despercebida de jeito nenhum. Após o show, num jantar, ela nos contou sua história de filha de pastor, potiguar, recém-chegada à Pauliceia para tentar uma carreira na música.
Seguimos a noite, com ela e Yamandu, no Bar do Julinho e depois no Bar da Fila. Sua doçura e seu sorriso imenso nos ganharam em poucas horas. Dias depois ela fez uma homenagem à Nana Caymmi, no Instagram e arrebatou-nos de vez. Em seguida interpretou Alcione, magnífica e magnânima. Outros sucessos que já ouvimos em vozes como a de Maria Bethania e Caetano, ganharam novos timbres com sua capacidade vocal e performance.
Agora descobrimos que a moça ainda compõe. A delicada “Curuminha”, que ela gravou com o nosso amado sanfoneiro Mestrinho, é um presente. A estreia solo no Sesc foi linda e teve a aura de magia que envolve as divas. Choramos com “Se Eu Quiser Falar com Deus”; amamos “O Ciúme”, de Caetano, que Bethania tão maravilhosamente já cantou, aplaudimos em pé “Eu e a Brisa”, de Johnny Alfi eternizada por Tim Maia e agora revisitada lindamente por Ju Santtos. Enfim, uma noite e um nome para ficarem gravados na alma. Voe, Ju! O mundo é seu!
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