18/12/2020
2019, foi um ano diferente … encontramos a palavra!
Essa frase estava em um texto que enviamos em janeiro desse ano. Mas, se 2019 foi um ano diferente, qual seria a palavra para 2020?
Melhor nem tentar. Que adjetivos podemos dar a esse momento que estamos vivendo? Começamos o ano dizendo … “é isso que a gente realmente deseja, cada vez mais e com mais força! Encontros, abraços, olhares, apertos de mãos … que tudo isso esteja mais presente em nossa vida … daqui para sempre ….” Acho que o pra sempre teve que esperar. Dois meses após o envio desse texto, estávamos tomando a decisão de trabalhar em casa, longe uns dos outros e longe de todo mundo. Chegou a pandemia e com ela o distanciamento social, todo mundo o tempo todo, mais e mais ligado em redes sociais e telas. Passamos a fazer tudo por telas, reuniões intermináveis por zoom e muitas outras ferramentas similares. Os abraços, os olhares, os apertos de mãos ficaram proibidos e viraram lembranças. Perdemos completamente a noção do tempo e ao mesmo tempo parece que isso não acabará nunca. Já passou muito tempo. Quanto tempo ainda falta? Será que as vacinas serão eficazes, será que teremos vacinas para todos? Será que perdemos a capacidade de nos indignarmos com todos que já morreram ou que ainda morrerão, somos apenas números? No momento em que escreviam essas palavras, algumas muitas festas clandestinas estavam acontecendo em algum lugar. Em que parte da estrada erramos o caminho e perdemos o medo e a compaixão com o outro? O texto ao qual me refiro, aquele de janeiro, também falava sobre não existir uma chave, que a gente desliga 2020 e começa 2021, e infelizmente não existe mesmo. Tudo é só vida e história que segue.
Somos gratos, por estarmos aqui e por estarmos dia após dia lutando à nossa maneira para superarmos esse momento, mesmo sabendo que tudo que fizemos ou que podemos fazer, ainda será pouco.
Se tem uma coisa que essa coisa de natal e final de ano tem de bom é a ideia de que a esperança se renova, não porque acaba um ano e começa outro, mas porque precisamos acreditar. Continuamos sendo “realistas esperançosos”.
Em 2021, contem com a gente, porque "tudo que nóis tem é nóis".
(Emicida)