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14/10/2019

O Paradoxo da Escolha

Em 2004, o psicólogo americano Barry Schwartz, professor de Teoria Social da Universidade de Swarthmore, lançou o livro "O Paradoxo da Escolha - por que mais é menos." Na obra, Schwartz argumenta que a reduzir as escolhas pode diminuir bastante a ansiedade do consumidor. A seguir uma síntese de suas ideias, atualíssimas e muito importantes para a formulação de estratégias e táticas.

Nunca tivemos tantas opções. Vamos a uma loja e encontramos uma imensa variedade de marcas de um mesmo produto, cada uma com suas especificidades. Essa liberdade de escolha, no entanto, está causando problemas a boa parte da população global, segundo especialistas. O medo de estar perdendo algo (ou fear of missing out - FoMO, em inglês) foi um conceito criado para tentar explicar esse fenômeno moderno.

O conceito explica que a imensa diversidade de opções leva as pessoas a uma sensação de que sempre se está perdendo algo — ao escolher jantar em um determinado restaurante, por exemplo, significa abrir mão de visitar todos os outros nos arredores. Essa condição, que muitas vezes cria uma ansiedade extremamente prejudicial, já é tratada por diversos especialistas como um problema sério da atualidade.

Schwartz aponta que ter muitas opções leva a quatro condições que reduzem a felicidade::

Paralisia de análise – As pessoas passam mais tempo analisando as opções quando elas são muitas, algumas vezes ficando “paralisadas” diante das alternativas;

Arrependimento antecipado – São tantas opções que nenhuma parece perfeita. Então, quando alguém faz uma escolha, ela parece errada imediatamente;

Arrependimento pós-decisão – Quando uma pessoa faz determinada escolha, ela muitas vezes se arrepende da decisão, já que a experiência pode não ter sido tão boa quanto se o a escolha fosse outra;

Expectativas escaladas – Quanto mais opções existem, maiores são as expectativas. E com expectativas grandes, aumentam as chances de decepção.

Quer estejamos comprando um jeans, pedindo uma xícara de café, selecionando uma transportadora de longa distância, inscrevendo-se na faculdade ou escolhendo um médico, as decisões diárias - grandes e pequenas - se tornaram cada vez mais complexo devido à enorme variedade de opções com as quais somos apresentados.

Como consumidores assumimos que mais opções significam melhores opções e maior satisfação. Mas tome cuidado com a escolha excessiva: a sobrecarga de escolha pode fazer você questionar as decisões que você toma antes mesmo de tomá-las, pode criar expectativas irrealisticamente altas e pode se culpar por toda e qualquer falha.

A longo prazo, isso pode levar a paralisia na tomada de decisões, ansiedade e estresse perpétuo. E, em uma cultura que nos diz que não há desculpa para ficar aquém da perfeição quando suas opções são ilimitadas, muitas opções podem levar à depressão clínica.

A dramática explosão de escolha - dos mundanos aos profundos desafios de equilibrar carreira, família e necessidades individuais - se tornou paradoxalmente um problema, e não uma solução.

A nossa obsessão pela escolha nos encoraja a buscar aquilo que nos faz sentir piores. É fácil entender quanto essas condições impactam nas decisões de compra e porque o tema deve merecer atenção dos profissionais de marketing.

24/12/2018

Para quem está pensando em fazer Marketing 1to1 com ajuda de CRM

O marketing de massa está realmente em fase terminal. Acabou o velho conceito de clientela. Agora é cada cliente, um a um. Para gerenciar as estratégias, táticas e tecnologias envolvidas é fundamental considerar os princípios básicos desse modo de fazer negócios, sem o que definitivamente não irá funcionar.:

1. Identificação Sociodemográfica e psicográfica dos prospects/clientes;

2. Diferenciação. Há clientes mais valiosos, menos valiosos e sem valor algum;

3. Interagir. Diga "alô" de vez em quando, procure saber se estão satisfeitos antes de tentar vender-lhes algo mais.

5. Customizar: Tenha soluções ajustáveis às necessidades e expectativas de cada prospect/cliente.

Um alerta: o modelo 1to1 funcionando bem trará bons retornos. Mas não será barato.

16/12/2018

Pense simples

Um dos fundamentos do Posicionamento Competitivo é não tentar contar toda a história ao prospect. Seu conteúdo deve enfocar apenas uma qualidade marcante para ser posicionada na mente dele. Aquele súbito estalo, aquele salto criativo da mente que "vê" num átimo como resolver o problema de um jeito simples é algo bem diferente da inteligência em geral.

Estudos divulgados no Scientific American mostraram que pessoas com alta capacidade de "eureka!" são todas inteligentes em grau mediano. Mas além desse nível parece não haver qualquer correlação entre alta inteligência e capacidade de imaginar soluções simples para problemas complexos.

Se existe algum truque para encontrar esse conjunto de palavras e imagens simples, é ser implacável com relação a como editar a história que se quer contar. Tudo aquilo que outros também possam alegar deve ser eliminado. Tudo aquilo que exija uma complexa análise para se provar deve ser esquecido. Tudo aquilo que não se ajuste ao fácil entendimento deve ser evitado.

Por fim, o óbvio nunca deve ser ignorado. As ideias óbvias tendem a ser as mais poderosas porque serão óbvias também para o mercado. De fato, a maioria das boas ideias são óbvias depois que as compreendemos. Alguém sugere uma boa ideia, uma estratégia perfeita e nos perguntamos: por que não pensamos nisso antes? É tão óbvio!

Edward de Bono diz que é como escalar uma montanha e não ver o melhor caminho, até que você chega ao topo e olha para baixo. As ideias podem parecer óbvias depois do fato. Mas ela não eram óbvias para as pessoas que estavam escalando a montanha. (Com insights de Jack Trout)

16/12/2018

Qual posição nas mentes você ocupa?

Posicionar é pensar ao contrário. Em vez e começar consigo mesmo, comece pensando no que os outros pensam. Em vez de perguntar o que você é, pergunte qual posição ocupa na mente dos prospects e clientes.

Mudar a mentalidade em nossa sociedade supersaturada de comunicação é uma tarefa extremamente difícil. É muito mais fácil trabalhar com o que já existe nas cabeças das pessoas. (Curiosamente os políticos nunca se atentam para isso).

Ao determinar o estado mental do seu cliente potencial, é importante não permitir que os egos corporativos intervenham. A resposta à pergunta "qual posição você ocupa" é dada pelo mercado e não pelo diretor de marketing.

Se pesquisar requer dinheiro, que seja. Gaste algum dinheiro. É melhor saber exatamente contra o que você está lutando agora do que descobrir isso mais tarde, quando não puder fazer mais nada a respeito.

Conhece o refrigerante lima-limão Seven Up* (7Up)? Ele enfrentou sérios problemas de posicionamento. Mas a questão não era a atitude dos prospects em relação a uma bebida lima-limão, mas a enorme parcela dos cérebros ocupada com as bebidas à base de cola. Para a maioria das pessoas, "me dá um refrigerante" significa uma Coca ou uma Pepsi.

Olhar para o quadro geral ajudou a 7Up a desenvolver um programa de posicionamento competitivo muito bem sucedido. Simplesmente ocupou a brecha "uncola" - o que refrigerante que não é à base de cola.

Muitos produtos atuais são como o 7Up antes desse posicionamento. Eles ocupam posições fracas ou não ocupam nenhuma posição nas mentes dos prospects. Então, o que você deveria fazer? Descobrir um modo de entrar no cérebro das pessoas pendurando o seu produto, serviço ou conceito naquilo que já se encontra lá dentro. (Com insights de Jack Trout)

*O refrigerante 7 Up nasceu em St. Louis, nos Estados Unidos em 1929, criado por Charles Leiper Grigg. Originalmente chamada de "Bib-Label Lithiated Lemon-Lime Soda". Ele era comercializado como um medicamento para “curar ressaca”.

Aos pouco, com o sucesso da "Bib-Label Lithiated Lemon-Lime Soda", o nome acabou sendo trocado para um de apelo mais comercialmente expressivo. Em 1933, passou a ser chamada de “7 Up”. Até o final da década de 1940, o refrigerante tornou-se a terceira marca mais consumida no mundo.

Em 1986, a marca foi vendida parcialmente para a PepsiCo, que a distribui para a América Latina. Em 1988, a empresa foi vendida para a Cadbury Schweppes (Dr Pepper/Seven Up, Inc), que também fabrica o refrigerante Dr Pepper.

Marketing One to One: o que aprendi com Don PeppersTive a sorte de conhecer os conceitos de Marketing 1to1, formulados p...
28/10/2018

Marketing One to One: o que aprendi com Don Peppers

Tive a sorte de conhecer os conceitos de Marketing 1to1, formulados por Don Peppers e Martha Rogers, fazendo uma busca por livros de marketing na Amazon. Recebi o primeiro "The One to One Future" - bem antes do lançamento da versão em português - e descobri o que seria a gestão de mercado no Século 21. Fui comprando e mergulhando de cabeça nos livros da dupla* que se seguiram. Assisti às palestras de Don, mas não poderia imaginar que pouco tempo depois estaria no mesmo palco em Quito palestrando ao lado dele. E foi lá mesmo no Equador que nos tornamos amigos.

Aqui vai um pouco do que aprendi, lembrando que Marketing 1 to 1 é também conhecido por CRM (a estratégia, não a ferramenta tecnológica que tem o mesmo nome):

A primeira das quatro etapas de implementação do Marketing One to One é a identificação dos clientes. A menos que você consiga identificar uma parte razoável dos Clientes Mais Valiosos (CMVs**) em detalhes endereçáveis o suficiente para distinguir um do outro, individualmente, você não pode ser um profissional de marketing 1to1. Detalhes endereçáveis podem ser endereço postal, código de conta, endereço de e-mail, número de telefone, SMS e messengers, redes sociais ou qualquer outro identificador exclusivo.

Mas em muitas empresas, especialmente aquelas que dependem de grandes sistemas de distribuição ou varejo, é difícil obter acesso a identidades de clientes individuais e, mesmo que o acesso seja obtido, é tão difícil rastrear um cliente individual de transação para transação.

Muitas vezes, também é difícil identificar um cliente individual que faz negócios com diferentes divisões ou locais. Embora as empresas business-to-business geralmente tenham menos problemas identificando as empresas com as quais lidam, muitas vezes têm dificuldade em rastrear os executivos com autoridade ou influência sobre as decisões de compra dessas empresas.

Para fazer as coisas com eficiência de custo, é importante saber quais clientes são mais valiosos e quais são os menos valiosos. Definir o valor de um cliente é a parte complicada, mas, uma vez feito, seu plano deve ser classificar seus clientes por essa variável e alocar estratégias diferentes para níveis diferentes de clientes. Se o conceito de "valor" em si é difícil, quando aplicado a seus clientes, você pode substituir "importância para sua empresa".

Depois de classificar seus clientes pelo valor, a próxima tarefa é diferenciá-los por suas necessidades. Concentrando-se em seus clientes mais valiosos primeiro, você deve ser capaz de identificar um número de grupos baseados em necessidades examinando padrões transacionais, mas entender sua compreensão das necessidades do cliente será auxiliado por algum tipo de interação com o cliente também.

Supondo que você possa identificar seus clientes individualmente, classificá-los por seu valor e diferenciá-los geralmente por suas necessidades, o próximo passo é trabalhar em suas interações com esses clientes. Interagir com um cliente é o primeiro sinal visível (para o cliente) do seu programa de marketing 1 to 1. A interação em si pode ocorrer em uma variedade de fóruns e mídias. Duas coisas são importantes aqui.

Primeiro, você quer direcionar mais e mais interações com os clientes para mídias mais econômicas, como a web, ponto de compra/venda (para varejistas) ou EDI. Em segundo lugar, você deve se concentrar em adquirir informações mais úteis durante todas as interações - informações que podem ajudá-lo a tomar decisões ou implementar novas estratégias com relação a seus clientes.

Se o cliente receber uma visão "racional" de sua empresa durante o processo de interação, muitos dos conflitos que agora existem, no que diz respeito a lidar com clientes individuais, devem ser resolvidos - portanto, a interação serve como um cadinho no qual muitos dessas questões integrativas serão discutidas.

Se você não mudar a forma como realmente trata um cliente com base no que sabe sobre esse ele, então, qual seria o ponto de até chamá-lo de relacionamento "um-para-um"? Quando o cliente lhe diz algo sobre como ele ou ela quer ser tratado e você age sobre ele, você está, de fato, customizando. Mas a única maneira pela qual você poderá fazer produtos e serviços personalizados mais geralmente disponíveis para sua "própria base de clientes é adotando pelo menos alguma forma de customização em massa.

Além disso, tratar diferentes clientes de maneira diferente significará que a empresa precisa de um maior grau de integração do que antes A integração funcional é necessária se o departamento de produção ou prestação de serviços for capaz de fazer pelo cliente o que o departamento de vendas ou marketing aprendeu que esse cliente particular deseja. A integração também levará a empresa a buscar alianças estratégicas com outras empresas não concorrentes.

O Marketing 1 to 1 é uma estratégia de negócios que tem como abordagem principal o relacionamento com o cliente e, na verdade, o objetivo desta estratégia é de tornar o cliente leal à empresa e como consequência gerar mais vendas com maior frequência.

* "The One to One Future", "Enterprise One to One", "One to One B2B", "The One to One Manager"", "The One to One Fieldbook", entre outros.
** Os CMVs - Clientes Mais Valiosos não são exclusivamente os que compram mais. Vários outros critérios são considerados para essa classificação, entre eles recência, frequência, valor colaborativo, etc.

28/07/2018

Posicionamento: a mente funciona pelo ouvido

"Quando você era criança, aprendeu primeiro a falar e depois a ler. E aprendeu a ler devagar e com esforço, dizendo as palavras em voz alta à medida que forçava o cérebro a associar a palavra escrita ao som armazenado na mente. Em comparação, aprender a falar requer muito menos esforço do que aprender a ler. Armazenamos sons diretamente e depois os repetimos em várias combinações conforme nossa destreza mental vai aumentando.

À medida que crescemos, aprendemos a traduzir com ampla rapidez as palavras escritas na linguagem oral exigida pelo cérebro que nem temos consciência de qual processo de tradução está ocorrendo. Então, nos dizem que 80% do processo de aprendizagem se realiza pelos olhos. É claro que sim. Mas ler é apenas uma parte do processo. Aprende-se muita coisa a partir de pistas visuais que não envolvem a leitura no sentido convencional. Por exemplo, aprende-se a detectar o estado emocional de outra pessoa "lendo" seus sinais corporais.

Quando as palavras são lidas, elas somente são compreendidas quando o tradutor visual/verbal que há no cérebro interpreta oralmente aquilo que se vê escrito. Da mesma maneira, um músico aprende a ler a música e a ouvir o som em sua cabeça, como se alguém estivesse extraindo-os de um instrumento. Tente decorar um poema sem lê-lo em voz alta. É muito mais fácil memorizar o material escrito se reforçamos o seu componente auditivo, a linguagem que funciona no cérebro." (Jack Trout)

19/07/2018

Nenhum posicionamento dura para sempre

Com as mudanças de comportamento do consumidor, nos concorrentes, na tecnologia e na economia, as empresas precisam reavaliar o posicionamento de seus produtos. Alguns que estão perdendo participação no mercado talvez precisem de reposicionamento.

Mas isso deve ser feito com extremo cuidado pois com a reformulação corre-se o risco de sacrificar alguns clientes que gostam do produto como ele se encontra hoje. A Volvo, por exemplo, era a dona absoluta da posição "segurança" entre todas as marcas de carros. Mas começou a dar menos ênfase à segurança e mais ao estilo. Perdeu a posição e clientes.

08/07/2018

Cliente versus categoria

A maioria dos programas de marketing é formulada com a ideia de ser orientada para o cliente. A empresa isola os segmentos de mercado com maior probabilidade de serem atraídos pela marca. Em seguida executa programas de marketing direcionados a esses segmentos.

Há uma abordagem melhor. Primeiro determina-se em que tipo de categoria se vai competir. Então desenvolve-se uma estratégia de produto sob medida para a categoria, não para os clientes da categoria. Experimente da próxima vez que lançar uma nova marca.

P.S. As categorias não são iguais. A menos que a empresa saiba com que tipo de categoria está lidando, pode estar cometendo um erro estratégico. O tipo 1 é composto por produtos comprados com frequência, que geralmente têm um líder de mercado bem definido e uma forte marca no segundo lugar. O tipo 2 é a de produtos comprados com pouca frequência e que geralmente não têm um líder claro no mercado.

Endereço

Florianópolis, SC
88080-300

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