17/05/2026
Essa semana completo mais um ano de vida.
E, pela primeira vez, eu olho para minha história sem querer apagar nenhuma parte dela.
Às vezes eu paro e penso na Adriana criança… naquela menina sonhadora, que começou a trabalhar aos 14 anos, cheia de esperança no coração, acreditando que o amor seria abrigo, que a vida seria leve e que existiriam finais felizes como nos filmes.
Se ela pudesse me encontrar hoje, acho que primeiro me abraçaria forte.
Depois choraria comigo por tudo o que tivemos que suportar.
Ela jamais imaginaria que viveríamos dores tão profundas. Que por trás de um casamento existiriam lágrimas silenciosas, medos, humilhações e violências capazes de destruir uma mulher por dentro. Houve momentos em que eu achei que não conseguiria sair. Momentos em que pensei que minha história terminaria ali.
Mas terminou diferente.
Porque eu tive coragem.
Coragem de pegar na mão do meu filho pequeno e recomeçar mesmo sem saber como seria o amanhã. Coragem de sair viva. Coragem de não virar estatística. Coragem de sobreviver quando tudo em mim estava cansado.
E foi aí que eu renasci.
A Adriana criança se emocionaria ao ver a mulher que eu me tornei. A mulher que estudou, trabalhou, enfrentou julgamentos, venceu dores e provou — principalmente para si mesma — que era capaz. Que conquistou seu espaço profissional com esforço e verdade. Que reconstruiu a própria vida tijolo por tijolo.
E talvez o mais bonito de tudo: ela veria que, depois de tanta dor, nós ainda conseguimos acreditar no amor. Mas agora em um amor que respeita, acolhe, cuida e traz paz.
Essa semana, completando mais um ano de vida , eu não comemoro apenas mais um aniversário.
Eu comemoro minha sobrevivência.
Comemoro a mulher forte que nasceu das próprias cicatrizes.
Comemoro a mãe, a profissional, a mulher que caiu tantas vezes e, ainda assim, escolheu continuar.
A Adriana criança olharia para mim com orgulho e diria:
“Você venceu.”
E eu diria para ela:
“Nós vencemos.” ✨