24/08/2026
É preocupante a tendência de confiar cegamente nas respostas das inteligências artificiais.
Acontece que ChatGPT não é uma máquina da verdade. Nem o Gemini, nem o Perplexity, nem a Claude, nem o Copilot.
São sistemas treinados para gerar respostas a partir de padrões aprendidos por meio de um volume extraordinário de dados.
Não podemos confundir uma resposta aparentemente bem escrita com uma resposta verdadeira.
Quando uma inteligência artificial responde a uma pergunta sobre história, economia, sociedade ou comportamento, ela está produzindo uma resposta a partir de padrões encontrados nos dados com os quais foi treinada.
Se os registros disponíveis sobre determinado fenômeno carregam desigualdades históricas, preconceitos ou distorções, um sistema pode reproduzir esses padrões e apresentá-los de uma maneira que parece objetiva, lógica e convincente.
É justamente por isso que o parágrafo 9 da Carta Encíclica do Papa Leão XIV chama atenção para uma questão tão importante: a tecnologia não é neutra. Ela tem o rosto daqueles que a concebem, financiam, regulam e utilizam.
Precisamos entender que existe uma infraestrutura gigantesca e muito cara por trás dos modelos de inteligências artificiais.
Por isso, gostaria de te lembrar que o ChatGPT não é mais inteligente do que você!!! Ele é capaz de acessar e organizar informações em uma velocidade que nenhum ser humano consegue acompanhar.
Entretanto, velocidade no tempo de resposta não é conhecimento e uma resposta convincente não é necessariamente verdadeira.
Por isso, antes de confiar mais em um software do que no seu próprio julgamento, ou no julgamento de um ser humano que estudou seriamente e tem base científica para opinar, pare e pergunte:
De onde veio essa resposta?
Em que dados ela se baseia?
Quem decidiu o que serviria de base para o treinamento desses modelos?
Que tipo de dado foi selecionado?
Que tipo de dado foi excluído?
Quem construiu o sistema que está respondendo?
Usar inteligência artificial exige justamente aquilo que nenhuma inteligência artificial deveria nos fazer abandonar: a capacidade humana de questionar.