19/03/2026
Hoje eu escrevo para um pai que não era meu pai… mas foi.
Cresci acreditando que você era meu pai. Foi assim que me ensinaram, foi assim que eu carreguei por anos. E mesmo sem respostas, mesmo sem entender a distância, eu já te admirava. Admirava pelo homem que você era, pela forma como vivia, trabalhava e construía sua história.
Eu falava de você com orgulho… mesmo sem saber exatamente qual era o meu lugar.
A vida seguiu, e um dia nos aproximou. E naquele encontro, você me deu algo que eu procurei por muito tempo: verdade. Você me disse que gostaria que fosse real, que teria orgulho se eu fosse seu filho. E aquilo ficou em mim.
A gente decidiu descobrir.
O exame disse que não. O sangue disse que não.
Mas você… disse que sim.
Você me acolheu, me respeitou e me permitiu viver algo que nem todo filho de sangue vive: a escolha. Você escolheu me tratar como filho, mesmo sem obrigação nenhuma. E isso tem um valor que não se explica.
Os momentos que vivemos foram simples, mas marcaram minha vida. As conversas, os encontros, as vezes que você me levou pra perto da sua realidade… tudo isso ficou.
Eu me sentia filho. E sei que, de alguma forma, você também me via assim.
Hoje você não está mais aqui.
E o que f**a é uma saudade diferente. Não é só a perda de alguém querido… é a sensação de ter perdido um pai que a vida me deu de um jeito inesperado.
Mesmo assim, eu carrego paz. Porque, de alguma forma, eu sei que vivi o que precisava viver ao seu lado.
E hoje eu só quero deixar registrado:
Eu tive um pai.
Não no sangue, mas na vida. E isso foi mais do que suficiente.
Obrigado por ter me escolhido.
Se existir um reencontro, eu só espero te encontrar de novo… e sentir que estou em casa.🤍🥺