23/02/2021
A ansiedade é uma reação a situações potencialmente perigosas, que envolve respostas a diferentes níveis: comportamental, somático, cognitivo e emocional. Apesar de se sobrepor ao medo, é importante compreender a ansiedade visto ser caracterizada por esta complexidade de respostas face à antecipação de uma ameaça, enquanto que o medo constitui uma emoção sentida quando se sente perigo real.
Em algumas destas situações, os medos e ansiedades são funcionais, por exemplo, o medo das alturas é adaptativo quando a criança começa a desenvolver a capacidade de locomoção (gatinhar e, posteriormente, andar), devido à possibilidade de quedas perigosas que comprometam a sua integridade física. Desta forma, a ansiedade alerta a criança para se envolver em comportamentos adaptativos de modo a evitar consequências negativas (neste caso, pode impeli-la a afastar-se de um lanço de escadas). Contudo, noutras situações, a ansiedade e medo podem ser vistos como irracionais considerando os padrões atuais, apesar de serem comuns naquele momento do desenvolvimento, devido a questões evolutivas. Por exemplo, crianças de 3 e 4 anos que têm medo do escuro pois, para os nossos antepassados, estava relacionado com a possibilidade de ameaças que, por não serem facilmente identificáveis, eram mais difíceis de combater, o que colocaria em risco a sua sobrevivência.
Deste modo, quando a criança é pequena, as questões que a deixam ansiosa estão mais relacionadas com o imaginário. À medida que a criança cresce e se desenvolve, estes medos começam a ser mais específicos e realistas, referindo-se a questões do quotidiano. Na adolescência, fase na qual ocorrem muitas mudanças, subsistem exigências em diversos domínios e, por isso, existe uma maior probabilidade de apreensão, ansiedade e receios. Os jovens tendem a preocupar-se com o desempenho escolar, a aceitação social dos seus pares e, no final desta etapa, com o seu futuro.