19/10/2023
〰️ Eu me lembro exatamente do momento em que tirei essa fotografia, na câmera antiga que usava filme analógico. Estava com cerca de 5 ou 6 anos, morava em Brasília, estávamos — meus pais, meus padrinhos e eu — em uma praça. Os brincos que usava eram de rubi, e são herança de família.
Eu estava com vergonha. Lembro-me da sensação das minhas bochechas corarem e do desconforto que senti ao posar para a câmera.
Mas, olha só que foto linda.
Mesmo com a vergonha escondida no canto dos meus lábios. A foto permanece linda. E, conta uma história, tão bonita quanto a imagem.
Naquela ocasião, felizmente, tive aqueles que me incentivaram, e tornaram possível esse registro.
Mas, nós sabemos que na vida não é sempre assim. Nem sempre haverá incentivadores. E, nem sempre seremos capazes de reconhecer que aquilo estranho e confuso que sentimos é a tal da vergonha nos dominando, transformando-se em medo e nos paralisando.
Aliás, na verdade, pode ser que encontremos muito mais críticos vorazes e impiedosos pelo nosso caminho, inclusive. E, pode ser que nós sejamos o nosso próprio crítico voraz e impiedoso. E, ah, isso é pior ainda.
Sentirmos vergonha e medo é natural. É, inclusive importante, nós possibilita fazer uso da prudência e da razão. Mas, paralisar diante deles não deve ser natural.
E, essa imagem me lembra disto, que ao enfrentar a simples vergonha de uma pose para foto, eu criei algo que hoje tenho a possibilidade de recordar com carinho.
➖ Quantas vezes, em nossas vidas, deixamos de agir por vergonha? Quantos sonhos e planos adiados? Quantas memórias deixaram de ser criadas? Quantos projetos existem apenas em nossas mentes e nunca se concretizam?
Que possamos ser corajosos, como a menininha desta foto foi, e enfrentar a vergonha, o desconforto e o medo — para realizar, agir e conquistar.