13/08/2020
Seguindo adiante, com ...
No começo foi assim, quase que sem sentido. O trabalho era pouco, as obrigações, idem, nem imaginava o que seria o futuro.
O espaço era dividido entre estúdio fotográfico, ensaio musical e estudio de criação, de um maestro. Na época, ele fazia isso em um computador que, hoje, pouca gente conhece: um Atari. Ele não tinha disco de armazenamento e tudo funcionava na memória RAM. O sistema operacional era carregado por disquetes 1.44", assim como os arquivos, que eram salvos constantemente, sob o risco de perdê-los, caso o Atari desligasse, por algum motivo.
Com este, aprendi algumas teclas do piano, mas descobri que gostar de ouvir, não é a mesma coisa que gostar de fazer. São dons musicais completamente diferentes, apesar de interligados, entre si.
Vivi bons momentos, ele se tornou meu cumpadre, apesar da distância de hoje. Mas isso são outros quinhentos!
Os tempos foram tomando novos ares, novas coisas acontecendo, novas tecnologias e eu estava ali, em meio aquilo tudo.
Comecei a ter contato com "o mundo por trás das lentes", assistindo o trabalho feito com uma máquina pouco conhecida dos seres ditos "normais": uma Hasselblad! Sim, aquela que acompanhou Armstrong à lua!
Um rolo de filme, 12 poses. O colorido, revelado em laboratório externo; P&B, revelado no quarto escuro, com apenas uma lâmpada escura, para revelar no papel. Detalhe: nunca consegui enrolar o filme no espiral, no escuro!
Mas aprendi, na época, a preparar a química e a me encantar ao revelar foto P&B. A mágica de expor o papel à luz, mergulhá-lo na água e ver a imagem aparecer.
Não haviam máquinas digitais, celulares, filmadoras portáteis. Nada era tão simples, como hoje!
Para se produzir uma peça, em grande formato, era preciso uma foto de excelente qualidade, coisa impossível, para um equipamento qualquer.
E foi aí que conheci a Nikon FM10 (se não falha a memória), com a qual dei os meus primeiros cliques!
Curso? Para um curioso autodidata? Necessário,mas não essencial!
Comecei a pegar intimidade, tomando-a nas mãos e abrindo tampa, fechando tampa; tirando lente, colocando lente, sem filme, só vendo como a coisa funcionava. Era um mundo novo, aquilo tudo e eu tinha que aprender!
Não tinha um "professor", mas tinha quem tirasse as dúvidas, quando perguntava.
A 35mm vivia ali, existia ali, mas era pouco notada. Hasselblad era para tudo: foto de modelo, foto de obras de arte, de personalidade e até de político.
E lá vamos nós: POSSO FAZER MEUS EXPERIMENTOS, COMPRAR MEUS FILMES? Permissão concedida, tudo era foco de foto. As filhas, essas (as mais velhas) foram alvo de várias!
E assim começou meu caminho, com as imagens. Treinando com as coisas de casa, nos passeios, nos domingos.
Dessa época, uma foto não me perdoo não ter feito. Conto na proxima página...
https://youtu.be/ttaKLxV5SY8
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