20/09/2026
Há 27 primaveras, pioneiro acompanha a transformação da Ceagesp de Bauru em polo de flores e plantas
Dono do box número 1, João Valtier Motti chegou ao entreposto em 1999, quando ainda não existia um galpão exclusivo para o segmento
“Estou aqui há 27 primaveras.” É assim, com uma brincadeira que combina com sua história, que João Valtier Motti, de 63 anos, resume sua trajetória no Ceagesp de Bauru, que de sexta-feira a domingo realiza a Ceagesp em Flor. Dono do box número 1 do galpão de flores e plantas, ele chegou ao entreposto em 1999, quando o comércio de flores ainda funcionava de forma bem diferente do que é hoje.
Na época, a Ceagesp havia convidado viveiros e empresas do ramo de Bauru e de outras cidades para participar de uma feira de flores e plantas às terças-feiras. Valtier estava entre os pioneiros. “A gente montava e desmontava a barraca”, lembra. O movimento deu tão certo que, pouco mais de um ano depois, a feira passou a acontecer duas vezes por semana, às terças e sextas-feiras. O público cresceu e, em 2001, a Ceagesp construiu um galpão específico para flores e plantas. Valtier foi o primeiro permissionário a ocupar o novo espaço.
“Fui o pioneiro no galpão e por isso meu box é número 1. Foi quando passei a atender em horário comercial e continuei a participar das feiras às terças e sextas. A partir daí, vieram outros permissionários para o galpão, abrindo em horário comercial e não precisando mais da feira”, conta.
A história de Valtier acompanha, portanto, a própria transformação do segmento no entreposto. À medida que a estrutura foi sendo ampliada, aumentaram também as vendas, a variedade de espécies e o número de comerciantes. Áreas que antes estavam ociosas foram ocupadas, inclusive com a instalação de estufas nas laterais.
Hoje, são cerca de 25 permissionários de flores e plantas na Ceagesp de Bauru. O termo se refere aos comerciantes que têm autorização da Ceagesp para ocupar e explorar comercialmente determinado espaço no entreposto.
A relação de Valtier com as plantas, porém, começou muito antes de 1999. Filho de viveirista da região da Bela Vista, ele cresceu acompanhando o trabalho do pai, que também participava de feiras. O conhecimento adquirido ao longo de décadas fez dele um verdadeiro especialista no assunto.
Milhares de seres vivos
Atualmente, Valtier ocupa sete boxes na Ceagesp e trabalha com cinco funcionários. Entre flores, plantas ornamentais e frutíferas, estima ter mais de mil espécies diferentes à disposição dos clientes. “Acho que tenho mais de mil plantas, flores e frutíferas nos meus boxes e sei o nome de todas elas”, diz, orgulhoso.
Para ele, vender plantas é muito diferente de comercializar um produto qualquer. É preciso conhecer, observar e cuidar diariamente. “É um ser vivo. Como tenho milhares de plantas, são milhares de seres vivos”, frisa.
E o trabalho não termina quando Valtier deixa a Ceagesp. Em uma chácara, mantém uma espécie de extensão dos boxes, onde cultiva milhares de plantas e cuida daquelas que precisam de recuperação antes de voltar para a venda. “Praticamente tudo que tenho na Ceagesp tenho na chácara também. Lá, com mais espaço, funciona como almoxarifado, onde cuido das que precisam se recuperar. Principalmente as floridas precisam de giro rápido. Se não vender logo, podem precisar de recuperação.”
De uma geração para outra
A paixão pelo trabalho também ajuda a explicar por que, aos 63 anos, Valtier não pensa em aposentadoria. Ao longo de quase três décadas, ele acompanhou gerações de clientes e viu sua própria história se misturar à história de famílias que frequentam o Ceagesp. Há casos que mostram como as plantas podem atravessar gerações — assim como o trabalho de quem as cultiva e comercializa.
“Já fiz jardim para pessoas quando casaram e hoje seus filhos me procuram para também”, conta. É uma trajetória que começou com uma barraca montada e desmontada duas vezes por semana e que hoje ocupa sete boxes, uma chácara e milhares de plantas. Uma história que também ajuda a contar como o comércio de flores e plantas ganhou espaço, estrutura e público no Ceagesp de Bauru.
Apaixonado por flores e plantas, Valtier mostra uma rosa do deserto negra