05/02/2015
Modelo de gestão está indefinido
A direção da Cooperativa de Desenvolvimento da Atividade Hoteleira e Turística (Coohotur) ainda aguarda a oportunidade de conversar com o governador Robinson Faria para tratar sobre a concessão de uso do Centro de Convenções de Natal. Faltando poucos dias para desocupar o equipamento, a Coohotur ainda não sabe como será feita a transição de administração. O local tem eventos programados até 2019 e, nos últimos cinco anos, a cooperativa concedeu uso ao Governo do Estado que resultou em economia de mais de R$ 2 milhões à administração estadual.
Ontem (4) à tarde, representantes de diversos órgãos ligados à promoção do turismo no Rio Grande do Norte estiveram reunidos no próprio Centro de Convenções. Órgãos como o Natal Convention Bureau e a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Estado (ABIHRN) demonstram preocupação com o futuro do local e o impacto que a mudança de gestão pode ocasionar na cadeia produtiva que reúne aproximadamente 52 segmentos.
“Nós apoiamos o modelo de gestão que hoje é empregado no Centro de Convenções. A administração atual investe tudo que é arrecadado aqui dentro e toda a cadeira do turismo é beneficiada pois há o fomento. Acredito que há a necessidade de uma mudança na concessão do uso, mas nos preocupa como isso será feito. É necessário garantir a continuidade dos eventos”, destacou Emanuelle Barreto, do Convention Bureau.
À frente do empreendimento há 16 anos, a cooperativa foi notificada, no dia 9 de janeiro, para desocupar o local no prazo de 3o dias, “sob pena de adoção de medidas administrativas e judiciais pertinentes”. Desde 2007, o contrato de cessão da área está vencido e a Coohotur ocupa a área ilegalmente.
O presidente da cooperativa, Flávio Alexandre Pontes e Silva, admite que há ilegalidade e afirma que, desde 2010, pelo menos sete ofícios foram encaminhados ao Gabinete Civil solicitando alteração e regularização do contrato. “Procuramos o Governo, mas, não sei por qual motivo, a situação continuou a mesma. Sabemos que há esse erro e queremos consertá-lo”, contou.
Na última terça-feira (3), o governador Robinson Faria falou sobre o assunto durante a leitura da Mensagem Anual, na Assembleia Legislativa. De forma enfática, o gestor mostrou-se irreversível no desejo de retomar o controle do Centro de Convenções. “Me deixava constrangido o fato de Natal ter um Centro de Convenções construído com o dinheiro do povo, ampliado com dinheiro do povo e, se o Estado precisar usar, tem de pagar a um grupo de empresários que formam um cooperativa”, colocou. “Por isso, tomamos essa medida moralizadora”, completou.
Apesar da fala do governador, ainda não foi definido como será a gestão do equipamento. De acordo com o Procurador-geral do Estado, Francisco Wilkie, a formalização da licitação ainda será estudada. “O que está definido é que, a partir da próxima semana, haverá uma equipe de transição para verificar como será feita a gestão enquanto o processo é encaminhado”, contou. No entanto, a Coohotur ainda não foi procurada para discutir o assunto.
Concessões ao Estado
Sobre as declarações do governador, Flávio Alexandre apresentou documentos que rebatem as informações lidas na Assembleia Legislativa. De acordo com os documentos, entre os anos de 2010 e 2015, o Governo do Estado realizou pelo menos 72 eventos no Centro de Convenções sem que houvesse pagamento à Coohotur. O resultado disso foi uma economia superior a R$ 2 milhões para o Estado.
“Acredito que o governador não sabe dessa informação por omissão da própria Coohotur que não divulgou esses números. Por falta de informação, ele se equivocou e acredito que é necessário a procura pelo diálogo”, disse Flávio Alexandre.
O presidente também fez ressalva com relação a licitação que o Governo quer realizar no local. “É bom deixar as regras claras. O vencedor deve, a exemplo do que já fazemos, usar o Centro de Convenções apenas para o fomento do turismo e não para o lucro”, pontuou.
Fonte: Tribuna do Norte