12/11/2022
Atribui-se a Albert Eintein a frase: “insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes”.
Poucos exemplos se encaixam tão bem nessa definição quanto o tabelamento de preços para combater a inflação.
Não foi por falta de tentativas que isso nunca deu certo: desde a Babilônia e Egito antigos até o Brasil do governo Sarney e as várias experiências da própria Argentina, o resultado foi sempre o mesmo – um desastre.
O problema não foi a falta de incentivos: enquanto no Brasil a Polícia Federal chegou a apreender bois no pasto para levá-los ao abate, na Roma antiga o imperador Diocleciano definiu pena de morte para quem desrespeitasse os preços tabelados.
Se a história é sempre a mesma, por que ainda se insiste nisso?
Pelo fato de que nenhum governante vai admitir ser o responsável pela inflação, que ocorre justamente pela expansão da oferta de dinheiro em circulação (em geral para cobrir gastos estatais ou estimular a economia). Como a maior parte das pessoas não entende a origem da inflação, a culpa sobra para os comerciantes “inescrupulosos”.
Afinal, se os responsáveis fossem mesmo os comerciantes, por que não os impedir de aumentar os preços? 🤔
A questão é que o tabelamento não resolve o problema, pois age apenas nas consequências – o aumento de preços – e não nas causas reais da inflação.
Mas a situação f**a pior: como os preços estão artificialmente baixos, haverá um incentivo para o consumo, ao mesmo tempo em que a produção deixa de ser viável. Logo, se antes os produtos estavam caros, mas podiam ser comprados, agora estão “baratos”, mas simplesmente somem das prateleiras dos mercados.
Você até pode encontrá-los com o seu “traf**ante local” em um mercado paralelo, mas por preços muito mais altos do que se não houvesse regulação.
Não se surpreendam quando, daqui há alguns meses, aparecerem notícias de desabastecimento na Argentina...
Vejam que, no final, quem paga a conta desse populismo é a população mais pobre, pois é a mais afetada pelos efeitos da inflação (que deve terminar 2022 em mais de 100%), ao mesmo tempo em que não conseguirá pagar mais caro nos mercados paralelos.