20/06/2017
“Orgulho de sermos nós mesmas, de podermos ter a oportunidade de fazer o que fazemos, sem passar o que nossas antepassadas passaram, sendo felizes com isso.”
Mayara é uma fofa de 23 anos, negra, enfermeira, católica e bi*****al. Sempre soube que é bi, mas por ser católica renegava seus sentimentos por meninas, com medo de ir para o inferno. Com o tempo ela começou a ser verdadeira com ela mesma, ter uma outra visão de Deus, e se permitiu a amar. Encontrando assim o amor da sua vida, a Yasmin.
Yasmin é um mulherão da p***a de 24 anos, negra, designer de moda e lé***ca. Demorou um pouco a entender sua sexualidade, por conta da família, que era muito tradicional. Perguntas como, “Você não vai ser lé***ca não né?’’, sempre ocorriam, simplesmente porque ela queria usar um tênis. Esse tipo de imposição da sociedade acabava afetando seu discernimento. Em um determinado momento de sua vida ela entendeu que os outros, inclusive sua família, não precisavam aceitar sua sexualidade, mas sim ela mesma. Se aceitando ela começou a ficar à vontade com seu corpo e com as relações entre pessoas, não se***is, mas sociais. Mulher namorar mulher não é um problema.
Mayara e Yasmin são um casal fantástico, infelizmente nem todas as pessoas veem dessa maneira, pela cegueira da sociedade, que vê em Yasmin não só uma lé***ca, mas também uma negra e gorda. Que vê Mayara não só uma negra, mas também uma bi*****al, uma mulher que não sabe o que quer e que pode trair sua namorada com um homem, uma promíscua. Vivem intensamente o problema da falta da representatividade do homem, um casal que não é respeitado, duas mulheres que estão sempre a mercê de assédios e agressões. Se não tem homem, não é casal, é bagunça.
Juntas os “problemas” se somaram, assim como as soluções. Essas duas nos passaram questionamentos incríveis, você já imaginou ter medo da sua mãe te odiar, sem ter feito nada de errado? Não, elas tinham. Já pensou em não poder dar a mão para sua namorada na rua? Não, elas têm. Já pensou em não poder se casar com quem você ama? Não, mas elas não podem. Já pensou em uma ginecologista te negar a fazer um exame, dizendo que você não precisa, por pura ignorância? Não, Yasmin, já passou por isso. A frase, “ficar dentro do armário”, nunca fez tanto sentido.
Uma lé***ca ou bi negra não precisa ser a atriz coadjuvante, como na maioria das séries e filmes, ela pode sim ser a protagonista. Essas mulheres incríveis lançaram um canal no Youtube, tanto para o empoderamento feminino e da negritude, quanto para desmistificar um casal bi/lésbico.
Acesse o canal, Marias do Brejo: bit.ly/2sxYucr
“Um canal produzido por duas mulheres negras que se amam e sentiam falta de representatividade nos canais que assistiam.”
Texto baseado nas palavras da Mayara Christina e Yasmin Falcão