16/07/2026
A praticidade tira a beleza da vida. Não porque tudo precise ser difícil.
Mas porque a gente anda tão obcecada em economizar tempo que já nem percebe o que está deixando de viver.
Eu gosto do processo.
Gosto de moer o café manualmente e ouvir o barulho dos grãos antes da primeira xícara. Gosto de acordar cedo pra ver o céu mudar de cor, sentir o vento e ouvir a natureza despertar. Gosto de uma leitura sem pressa. Gosto de cuidar da minha casa. Não porque ninguém possa fazer isso por mim, mas porque existe carinho em cuidar do lugar onde a vida da gente acontece.
Tudo isso requer tempo. E é justamente por isso que tem tanto valor.
Tenho notado uma coisa: quanto mais a gente elimina o esforço, a espera e os pequenos rituais pra deixar a vida mais eficiente, mais coisas a gente enfia dentro do tempo que economizou. No fim, sobra cada vez menos espaço para simplesmente viver.
A praticidade é uma boa ferramenta. O problema é quando ela passa a decidir o valor das coisas.
Porque nem tudo o que economiza tempo melhora a vida. Tem experiências que só acontecem com presença, com demora. Quando a gente resiste à tentação de apressar tudo.