04/06/2026
Quando eu digo que praticamente nasci dentro de um estúdio de televisão, não estou exagerando.
A casa onde nasci fazia divisa com a TVN, a emissora onde meu pai trabalhava. Enquanto outras crianças tinham a rua como extensão da casa, eu tinha os estúdios, as câmeras, as luzes e os bastidores da televisão.
Neste fim de semana voltei ao bairro onde cresci e passei em frente àquela casa. Fazia tempo que eu não parava ali apenas para olhar.
E é curioso como alguns lugares têm o poder de nos lembrar de quem somos.
Olhando para aquele muro, para aquela janela e para a emissora logo ao lado, me dei conta de que a televisão nunca foi apenas o lugar onde meu pai trabalhava.
Ela fazia parte da minha infância.
Eu saía da escola e passava horas na emissora. Conhecia os corredores, os estúdios, os profissionais e os bastidores muito antes de entender que aquilo poderia se transformar em profissão.
Talvez por isso eu nunca tenha conseguido me afastar completamente desse universo.
Ao longo da vida até tentei seguir outros caminhos. Mas, de uma forma ou de outra, sempre acabava voltando para as câmeras, para os vídeos e para tudo aquilo que acontece por trás deles.
Hoje o meu trabalho é ajudar outras pessoas a aparecerem melhor diante das câmeras. E olhando para trás, f**a difícil não enxergar uma ligação entre aquilo que faço hoje e aquele menino que cresceu correndo pelos corredores da televisão.
Algumas pessoas descobrem a sua vocação muito cedo. Outras levam anos para encontrá-la.
Eu acho que a minha estava me esperando do outro lado do muro desde o começo.