22/05/2026
Mãe,
Hoje à tarde a saudade apertou de um jeito diferente. Daquelas saudades silenciosas que chegam devagar, mas que tomam tudo por dentro. Eu fiquei olhando para o tempo, perdido nas lembranças, e sem perceber voltei a ser aquele menino de muitos anos atrás.
Lembrei de quando eu brincava com meu gato amarelo pelo quintal de casa. Eu corria, ria, inventava histórias, enquanto você me observava com aquele olhar calmo que só uma mãe sabe ter. Naquele tempo eu não entendia, mas hoje percebo que a felicidade morava justamente ali: nas coisas simples que tinham você por perto.
E então meus olhos pararam neste prato com detalhes em ouro, onde está pintada justamente essa lembrança: eu criança, brincando com meu amado gato amarelo e você ao lado, sempre. É impressionante como um objeto pode guardar tanta vida dentro dele.
Quando eu olho esta pintura, não vejo apenas uma cena antiga. Vejo você viva na memória. Vejo o amor da nossa casa. Vejo uma época em que tudo parecia seguro porque você existia. Estava ali...
Hoje, infelizmente, a saudade doeu porque eu queria poder te contar como a vida passou rápido. Queria ouvir sua voz mais uma vez, mesmo que por alguns segundos...
Tem dias em que a ausência pesa mais, e hoje foi um desses dias. É claro que também entendi, enquanto olhava a pintura, que algumas pessoas nunca vão embora por completo. Você continua nos detalhes, nas memórias, nos silêncios e na melhor parte que existe em mim...
Talvez amar alguém que partiu seja isso: continuar conversando em pensamento, continuar sentindo presença nas lembranças e continuar carregando no coração tudo aquilo que o tempo nunca conseguiu apagar.
Cuide de mim daí de cima, tá bom?
Enquanto isso vou seguindo por nós dois aqui ❤️
Com amor,
Oscar Silvestre.