10/05/2026
Parabéns Mãe!
Quero deixar um abraço em homenagem às mães, em especial a minha mãe e todas as mães pelo seu dia, compartilhando esse texto sobre a maternidade, de minha irmã Sônia Arriens Cassel, publicado em sua coluna Coisas da Vida no Jornal da Manhã de Ijuí.
A maternidade não se resume ao que uma mãe faz. Ela se revela, sobretudo, no que ela deixa. Muito antes de qualquer conselho direto, são os gestos cotidianos que escrevem as primeiras mensagens. A forma como uma mãe reage ao cansaço, como enfrenta as frustrações, como fala de si mesma diante do espelho, tudo isso comunica. Os filhos não aprendem apenas com o que lhes é dito, mas principalmente com o que é vivido diante deles.
Há mães que ensinam força sem nunca dizer a palavra “força”. Ensinam pelo silêncio que sustenta, pela rotina que não falha, pela capacidade de seguir mesmo quando tudo parece pedir pausa. Outras deixam como recado a leveza, o riso fácil, a habilidade
de não transformar a vida em um campo permanente de batalha. Existem também os recados mais sutis , e talvez os mais profundos. A maneira como uma mãe ama a si mesma, por exemplo, é uma das primeiras referências que um filho terá sobre o que é amor. Se há acolhimento, ele aprende pertencimento. Se há dureza, ele pode aprender cobrança. Se há ausência, ele aprende a preencher vazios e nem sempre de forma consciente.
Nem todos os recados vêm em forma de presença. Algumas mães ensinam através da falta, daquilo que não conseguiram oferecer, das palavras que não foram ditas. E ainda assim, deixam marcas. Porque, de alguma forma, toda experiência materna, seja de afeto
abundante ou de lacunas, participa da construção de quem nos tornamos. Há também aquelas mulheres que assumem o papel de mãe sem terem gerado. Madrinhas, avós, irmãs, tias, madrastas, cuidadoras, até mesmo vínculos que nascem fora dos laços formais. Elas provam que maternidade é, antes de tudo, um exercício de entrega e responsabilidade emocional. E os recados que deixam não são menos potentes pois muitas vezes, são escolhidos, conscientes e intencionais.
Ao longo da vida, carregamos essas mensagens como uma espécie de linguagem interna.
Elas moldam a forma como nos relacionamos, como enfrentamos o mundo, como lidamos com o amor, com o erro, com o medo. Algumas nos impulsionam. Outras nos desafiam a ressignificar. Crescer em muitos momentos, é revisitar esses recados. É entender quais queremos preservar, quais precisamos transformar e quais já não nos pertencem mais. No fim, a maior herança de uma mãe não está apenas no que ela fez por seus filhos, mas no que ela silenciosamente ensinou sobre como existir no mundo. E talvez o maior gesto de maturidade seja esse: reconhecer essas marcas, honrá-las quando forem luz, e, quando necessário, ter coragem de reescrever aquilo que precisa de um novo significado. Nesse
domingo, eu e meus irmãos, queremos homenagear nossa mãe Odila, exemplo de força, luta, coragem, bem como a todas as mulheres mães: dos filhos, netos, irmãos, sobrinhos... Foto by Marco Arriens , editada por minha sobrinha Andreia Arriens Fraga
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