22/08/2025
AS PÁGINAS 05 E 06 DO PORTOTEM DE AGOSTO
André Braga fala sobre o sonho da casa própria
Prefeito faz um balanço das ações do governo para enfrentar o déficit habitacional no município
Ter a casa própria é um dos maiores sonhos dos ferreirenses, seja para si, seja para garantir que filhos e netos fiquem livres do aluguel, conquistando mais dignidade e condições de investir em outras áreas. Mas esse objetivo ainda está distante para muitos. Porto Ferreira enfrenta um déficit habitacional estimado em 5,8 mil moradias, número expressivo e preocupante, cuja tendência é de crescimento. Para falar sobre o tema, o prefeito André Braga recebeu novamente nossa equipe e comentou, de forma clara e objetiva, os projetos, ações e políticas de sua gestão voltados ao enfrentamento do problema.
A questão do déficit habitacional em Porto Ferreira tem recebido atenção e ações por parte do seu governo?
A “encruzilhada do progresso”, título que tão bem define a vocação de nossa terra e de nosso povo nas últimas décadas, graças à força do trabalho de nossos empreendedores, atraiu a atenção de muitos brasileiros que migraram para Porto Ferreira em busca de oportunidades de emprego e de uma melhor qualidade de vida. E é claro que essa situação, naturalmente, gerou a necessidade de o município oferecer mais moradias, tornando o tema uma prioridade para qualquer gestão. Infelizmente, há mais de oito anos, nenhum ferreirense pôde receber a chave da tão sonhada casa própria por meio de algum programa do governo, fato que tornou nossa missão ainda mais desafiadora. Por isso, assim que assumimos, alinhados ao nosso compromisso de executar um governo mais humano, colocamos a questão habitacional entre as nossas principais prioridades.
Qual foi a sua primeira ação em relação à questão habitacional?
A primeira ação foi, como deve ser, conhecer a fundo as iniciativas e projetos deixados pela gestão anterior, para identif**ar o que havia sido realizado e o que estava parado. Descobrimos um projeto de conjunto habitacional que caminhava lentamente desde 2021, precisando urgentemente de articulação política para avançar. Com muito trabalho, buscamos o apoio do deputado estadual e atual presidente da ALESP, André do Prado, que não apenas se sensibilizou com a situação, mas também se empenhou pessoalmente junto ao governador Tarcísio de Freitas e ao secretário de Desenvolvimento Urbano e Habitação, Marcelo Branco, para destravar os recursos necessários.
E recentemente foi publicado no Diário Oficial do Estado o Extrato de Contrato com a empresa responsável pela construção destas casas. Em breve, 102 famílias ferreirenses poderão finalmente receber as chaves de suas casas próprias.
Além do conjunto habitacional no bairro Centenário, há outros projetos em andamento na sua gestão?
Sim, atualmente temos dois projetos em andamento. Em maio deste ano, o município apresentou duas propostas para a construção de apartamentos que poderão ser financiados pelo Programa Minha Casa, Minha Vida. Esses imóveis serão destinados a famílias com renda mensal de até R$ 2.850,00 (Faixa I). Serão 80 unidades no Jardim Annibal e 64 no Residencial Cristo Redentor. Ambos os projetos foram aprovados na fase de documentação e aprovação dos terrenos pela Caixa Econômica Federal. Atualmente, estamos na fase de chamamento de empresas para a execução das obras. Vale destacar o empenho de toda a nossa equipe, que, por meio das diversas secretarias envolvidas, tem trabalhado intensamente para viabilizar e facilitar a realização desses projetos.
De que forma a questão da habitação pode envolver diferentes secretarias da prefeitura?
Quando falamos em moradia, é fundamental reconhecer a diversidade de modelos familiares existentes, o que gera diferentes demandas habitacionais que precisam ser consideradas. Além das famílias com renda mensal de até R$ 2.850,00 (Faixa I do governo federal), há muitos ferreirenses que não se enquadram nessa faixa, mas que também buscam oportunidades para realizar o sonho da casa própria. Por isso, empreendimentos privados, como novos loteamentos e condomínios, precisam contar com mais agilidade nos trâmites burocráticos, como ocorre atualmente com o empreendimento da Alea. Com responsabilidade técnica e legal, desde o protocolo até a expedição das diretrizes, determino que toda a equipe se empenhe ao máximo. Isso só é possível porque nosso funcionalismo público entende que o sonho de uma família é também o sonho de toda a cidade. Outro ponto importante é o estudo em andamento para revisão do nosso código de obras. Construir em Porto Ferreira tem se tornado mais difícil nos últimos anos devido a uma série de medidas que, ao invés de estimular o setor da construção civil, aumentaram impostos e encargos, como por exemplo o reajuste do IPTU em 2024. Trata-se de um tema delicado que certamente precisará do apoio dos vereadores para ser discutido e encaminhado.
Existe mais algum projeto ou estudo em andamento que você queira comentar?
Como já mencionei, o tema é prioritário e estamos atuando em diversas frentes para gerar oportunidades no curto e médio prazo. Um exemplo é o trabalho da nossa Secretaria de Obras em relação a áreas institucionais que poderão ser desafetadas muito em breve, possibilitando a venda direta e parcelada de lotes pela própria prefeitura. Uma ação que prevê disponibilizar lotes de diferentes tamanhos, atendendo a várias faixas de renda.
Esse projeto, assim como outros, dependerá do aval dos vereadores e do empenho de toda a equipe da prefeitura para avançar.
Por duas vezes você cita a Câmara Municipal como instrumento essencial às políticas públicas de habitação. Seu governo conta com esse apoio?
Mais do que apoiar o meu governo, nossos vereadores estão comprometidos com o povo de Porto Ferreira. Nosso diálogo sempre foi e continuará sendo pautado pelo respeito que esta casa de leis merece. Nesse sentido, ao respeitar as diferentes opiniões e discutir qualquer assunto de forma democrática, temos a certeza de que muitas coisas boas acontecerão em nossa cidade em breve, não apenas com o apoio dos vereadores, mas também pela união de toda a classe política e das instituições da nossa terra.
Recentemente, foi divulgado que seu governo incorporou lideranças de outros grupos políticos à administração. Isso pode ser visto como uma união entre as forças políticas da cidade?
Quando a responsabilidade de governar uma cidade é levada a sério, o político precisa descer do palanque da campanha e trabalhar para corresponder às expectativas da população. Ao convidarmos o amigo Dr. Pedro, médico e candidato a prefeito nas últimas eleições por outro grupo político, para assumir a Secretaria de Saúde, e ao trazermos o ex-vereador Marcelo Ozelin, político experiente e candidato a vice-prefeito em uma chapa diferente, para a Secretaria de Relações Institucionais, demonstramos na prática nossa prioridade: a cidade de Porto Ferreira. Nossa cidade e nossa população devem estar acima das disputas eleitorais que ocorrem a cada quatro anos. A campanha política é fundamental para o debate e a apresentação de propostas, mas a união pelo bem comum é essencial para o desenvolvimento da cidade. Muito mais do que cargos comissionados, essas lideranças terão a oportunidade de colocar em prática suas ideias e propostas que representam uma parcela signif**ativa da população, e que espera o sucesso de ambos em suas funções. União é uma palavra bonita de ser usada em discursos, mas sua efetiva concretização exige que o ego dê lugar ao propósito. Para todos que não fazem da política um projeto pessoal de autopromoção e poder, a união que está em curso em nossa cidade é mais do que bem-vinda.
Para que nosso povo, que sonha com uma cidade mais humana, possa ser feliz, precisamos, sim, de trabalho e união.