07/06/2026
A MUDANÇA DE PARADIGMA NA PROPAGANDA E PUBLICIDADE
Durante muito tempo, a propaganda e a publicidade foram construídas sobre uma lógica simples: interromper para vender; isso vem mudando em velocidade perceptível. Comerciais de televisão, anúncios em rádio, páginas publicitárias em revistas e, mais recentemente, os banners e os vídeos na internet surgiram como formas de capturar a atenção do público durante momentos de entretenimento ou consumo de conteúdo. O problema é que esse modelo começa a demonstrar claros sinais de desgaste.
Hoje, muitas pessoas pagam mensalmente para não assistir anúncios. Plataformas de streaming oferecem planos sem publicidade, enquanto navegadores e aplicativos disponibilizam bloqueadores capazes de eliminar boa parte das propagandas digitais. Resumindo, o consumidor moderno não apenas ignora a publicidade tradicional; ele investe recursos para evitá-la.
Essa mudança revela uma transformação profunda no comportamento das pessoas. Em um ambiente saturado de informações, a atenção tornou-se um dos ativos mais valiosos da economia digital. O público não deseja mais ser interrompido. Ele busca experiências relevantes, conteúdos úteis e conexões genuínas com marcas que agreguem valor ao seu cotidiano.
Nesse novo cenário já bem descortinado, empresas e profissionais de comunicação precisam compreender que a simples exposição de uma mensagem já não garante resultados pretendidos. O foco desloca-se da interrupção para o relacionamento. Marcas fortes não são mais aquelas que apenas anunciam; são aquelas que informam, educam, inspiram e participam das conversas que realmente interessam ao público.
É justamente por isso que estratégias como marketing, no contexto de “conteúdo de marca”, “e o contar histórias (storytelling)”, “redes sociais” e “produção editorial” ganham cada vez mais relevância. O consumidor contemporâneo valoriza empresas que compartilham conhecimento, demonstram propósito e oferecem soluções antes mesmo de realizar uma venda.
Portanto, a publicidade não está desaparecendo. O que está desaparecendo é a publicidade que interrompe sem gerar valor. O futuro, seguramente, pertence às marcas que compreendem que comunicar não é apenas vender um produto ou serviço, mas construir confiança, relevância e relacionamento ao longo do tempo.
Mais do que convencer, a comunicação nessa recente concepção precisa conquistar. E essa, certamente seja a maior mudança de paradigma da propaganda e da publicidade no século XXI: deixar de disputar atenção para merecê-la.
Mauro Miranda