Aliança Comunicação e Cultura

Aliança Comunicação e Cultura A primeira agência a unir comunicação e cultura é também a que está há mais tempo em Pernambuco.

Rio Formoso era ainda mais formoso no tempo do cinema. Toda gente que vive há mais de quarenta anos no município lembra,...
04/02/2019

Rio Formoso era ainda mais formoso no tempo do cinema. Toda gente que vive há mais de quarenta anos no município lembra, com muita ternura, dos encontros entre amigos, dos romances no escurinho, dos filmes que marcaram época, dos vendedores de pipoca e balas na entrada. Rio Formoso ficou menos formoso no dia em que o cinema fechou suas portas na década de 1980. Desde então, seus habitantes sentem saudade da sétima arte. Esperam pela reabertura da sua sala de projeção. E vibram toda vez que o Cine Cultural chega por lá. Na última passagem do projeto, contamos mais de 6.100 rio-formosenses na plateia em frente à Igreja Matriz de São José. Com direito a tapete vermelho e pipoca quentinha de presente. Três noites de céu estrelado estrelando estrelante. E o coreto da praça todo contente por abrigar tantos amores.

Curadoria do projeto: Lina Rosa Vieira (nossa diretora de criação).

Fotografias: Fernando Vitral

Para saber mais sobre as nossas ideias, acesse www.aliancacom.com.br.

O que as árvores do Parque da Lagoa sentiram quando nosso projeto de sustentabilidade aconteceu à sua volta?"Estamos mai...
23/01/2019

O que as árvores do Parque da Lagoa sentiram quando nosso projeto de sustentabilidade aconteceu à sua volta?

"Estamos mais fortes agora", disse o ipê-amarelo enquanto bordava, no chão, seu tapete cor de sol. "Mas precisamos que toda a gente aplique o que aprendeu no Espetaculix para salvar a natureza", completou o coral de palmeiras-imperiais. Guardiãs da linda Lagoa do Parque Sólon de Lucena. Cúmplice das sentinelas do amanhã, o Relix levou o Espetaculix em duas sessões lotadas. O mestre de cerimônias, Gentilix, e a peçalix teatral deram muitas dicas úteis sobre o descarte correto dos materiais, a coleta seletiva e a redução da produção de lixo. As Ciclolix, ecobicicletas coletoras, doadas às associações de catadoras e catadores paraibanos, circularam os 15 hectares, levando as fotografias de recicladoras de Campina Grande e João Pessoa. Lindas e presentes num domingo verdejante. No espelho-d'água mais famoso da cidade, nossas divas da sustentabilidade retocaram a maquiagem para receber o reconhecimento de quem enxergou a importância e a grandeza de seu trabalho. Resistente como os paus-brasis que engrandecem o Parque. E, por que não dizer?, o planeta.

Idealização do projeto: Lina Rosa Vieira (nossa diretora de criação).

Fotografias: Chico Barros

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Quanto de corda é preciso para içar uma caravela? Mil e quinhentos metros do fio mais resistente? Os primeiros títeres q...
18/01/2019

Quanto de corda é preciso para içar uma caravela? Mil e quinhentos metros do fio mais resistente? Os primeiros títeres que chegaram ao Brasil desembarcaram de nau portuguesa. Ancoraram em terras nordestinas. Para serem apresentados aos índios, que nunca cogitaram perguntar: com quantos paus se faz uma canoa? Para eles, o que sempre importou é o mistério que move. Então, o que acontece quando a corda de jangada é içada por mãos de marionetista? A embarcação vira boneco e pode nadar tranquila pelo mar do Ceará e da Paraíba. Bonecos do Mundo 2018. De volta aos dois estados, depois de velejar por todo o Brasil.

Feito arca de Noé reinventada, do Festival desembarcaram marionetes de todas as espécies. Em solos cearense e paraibano, durante quinze dias do mês de novembro. Verão na plenitude, sem risco de dilúvio. Em tardes de um azul-anil e noites de um azul-marinho, companhias de nove países e dez estados brasileiros apresentaram sua magníf**a diversidade de técnicas e tecnologias. Reverenciaram o boneco popular brasileiro diante de mais de sessenta e cinco mil pessoas. Quem sabe inspirados pela coragem dos grandes navegadores do passado, títeres da Argentina, do Chile, da Rússia, dos Estados Unidos, da Itália, do Peru, da República Tcheca, da Espanha e, claro, do Brasil fincaram suas bandeiras e bandeirolas na terra firme da inclusão, no território da democratização do acesso à cultura. Nas ocupações dos patrimônios históricos e naturais. Espaços públicos repletos de público. Delirante aventura!

Como relíquias que emergem de antigos naufrágios, a Exposição Mamulengo: Patrimônio Imaterial Brasileiro trouxe à tona cerca de duzentas e cinquenta raridades. Coleção de Magda Modesto, em memória, enriquecida pelo acervo dos mestres mamulengueiros, em vida. Com direito à presença autêntica dos artesãos a talhar cabeças e cabeças de mulungu para multiplicar o pensamento. O sentimento? Ah... Na Praça dos Mamulengos, mais efervescente do que nunca, o Teatro de Bonecos Popular do Nordeste, tombado pelo Iphan, foi fervorosamente saudado. Seguindo a tradição, folgazões foliaram sem intervalo. Nem pensar em interromper a alegria. Na feirinha temática, a oportunidade de sair acompanhado pelo patrimônio. Recordação para salvaguardar na memória. Memória também fotográf**a: registros dos nossos mestres mamulengueiros numa mostra acessível a toda gente.

Na barca dos sonhos, imensa nau-festival, as mãos dos marionetistas mais habilidosos moveram cordas e remos. Cordas que ergueram velas feitas do pano da chita. De seda, cetim, veludo. Ou do tecido mais branco, ao gosto dos jangadeiros, para servir de suporte a sombras seculares e projeções contemporâneas. Remos do tamanho de um palito de fósforo ou da mais comprida vara de pescar.

Figuras mitológicas de cinco metros de altura no cortejo performático, cenográfico e interativo do Giramundo com o Bonecos do Mundo. Para abrir as tardes do Festival, que já estava aberto. Teatros sem portas. A receber gente, gente, gente. Inclusive gente que enxerga diferente. Gente que escuta diferente. Audiodescrição e interpretação em libras. Libres! Liberdade e igualdade de ocupar o mesmo espaço diante da arte. E não pagar nada por isso. O coletivo podendo ser gigante e belo. Navio horizontal no horizonte.

Em duas semanas de descobrimentos, a epopeia marionética apresentou ao público mais de cento e cinquenta performances, intervenções e espetáculos nunca antes navegados. Enquanto isso, o que seria visto depois já começava a ser pensado. Cerca de cem profissionais do teatro participaram de quatro oficinas, ministradas por renomados artistas nacionais e internacionais. Geração de novas ideias para novas gerações. Marinheiros de primeira viagem a preparar seus barquinhos de papel.

Se não podemos responder com quantos paus se faz uma canoa, sabemos dizer com quantos quilos de sonho se levanta um Festival. Trezentas e dez toneladas de estrutura alavancadas por mãos de trabalhadores. Marionetistas das correntes e cordas de aço. Para ancorar as caravelas em caravana e deixar a excelência seguir a correnteza, quinhentos profissionais envolvidos. Seis carretas e três caminhões a percorrer 6.760 quilômetros. Ou por que não dizer: 1.350 léguas submarinas?

Do mar de velas do Mucuripe, emergiram milhares de criativas criaturas. Inundação de gente e de bonecos em Fortaleza. Tão fluidos que, por vezes, pareciam um só. No histórico Theatro José de Alencar, de contornos que remontam às caravelas do século 19, três sessões repletas. Plateia à deriva. Ao sopro das criações. Sopro, sopro, sopro. Na direção da cidade-patrimônio à beira-mar. "Eu amo Aquiraz". Estava escrito na jangadinha. Em volta da igreja, centenas de estudantes avistaram o inusitado: a sereia ganhar vida. O velho Farol do Titanzinho, que há tempos não acendia, fez do sol o seu facho. Todo orgulhoso, iluminou os artistas. Salva-vidas daquela tarde dedicada a crianças em situação de risco. No sábado e domingo: Dragão do Mar de gente. Marinha sem comandantes. Portos sem Capitania. Ueba!!! Trinta mil cearenses em liberdade para experimentar as mais sutis e explícitas linguagens. Tripulantes periclitantes de si mesmos.

Com os porões e pulmões carregados de encanto, o projeto aportou na Paraíba. No Theatro Santa Roza, que também apresenta contornos de caravela antiga, do século 19. Quem chegou mais cedo escolheu a melhor poltrona. E por que não dizer cabine de navio? Seis sessões, ou melhor: seis marés cheias de paraibanos. De patrimônio em patrimônio, âncora em Areia. Que não tem mar, mas é cortada pelo rio. No sítio histórico, dentro do ainda mais ancião e não menos caravelístico Theatro Minerva, a deusa da poesia apreciou tudinho. Mar, rio, Lagoa... Parque da Lagoa.

Em torno dela, meninas e meninos de todas as idades perderam a noção do tempo. Oxigenados pelos quinze hectares de patrimônio natural. Naturalmente. Escafandristas de si mesmos. Capazes de chegar ao cantinho mais profundo. Resgate de identidade, susto bom de ser o que nem sabiam que eram. E continuar sendo depois, e depois, e depois. Como quem finalmente ocupa seu reino perdido. Atlântida!

De 2004 a 2018, em todas as edições do Bonecos do Mundo, a democratização do acesso à cultura, ao teatro de formas animadas, tem sido a quilha. Nau-festival que parte ao meio a modernidade líquida, valoriza o conhecimento sólido e ocupa os espaços públicos pelo público através da arte. Companhias de vinte países e de vinte e cinco estados brasileiros já navegaram pela costa oceânica e pelas veias fluviais de todas as capitais do Brasil. O lema: "Queremos você, seja você quem for". E já são dois milhões trezentas e cinquenta mil pessoas. No mundo das marionetes, a maior plateia do planeta.

Se navegar é preciso, Fernando Pessoa, partir não deveria ser. Semelhantemente aos navegantes, ao final da missão as velas desceram. M a n s a m e n t e. Assim, continuam acesas. Delicado sinal de fumaça.

Idealização e curadoria do Bonecos do Mundo: Lina Rosa Vieira (nossa diretora de criação).

Fotografias: Beto Figueiroa

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Do alto de sua divindade romana, os cabelos de Minerva se enrolavam e remexiam inteirinhos. Que ventania era aquela a ab...
14/01/2019

Do alto de sua divindade romana, os cabelos de Minerva se enrolavam e remexiam inteirinhos. Que ventania era aquela a abrir portas e janelas de casarios centenários? A impulsionar crianças, adolescentes, jovens, adultos e velhinhos para o teatro que leva o nome da deusa da poesia? Forte, muito forte, o vento trouxe sua música em zunido de acordeom. Criadores e criaturas suspensas por fios, vindos em navio-pirata-do-bem.

Oxe! E tem mar em pleno Brejo paraibano? Ah, minha gente, na cidade histórica de Areia tem rio. E ele fluiu em direção ao teatro mais antigo da Paraíba. Inundou o monumento com Bonecos do Mundo. Do sul do Brasil, do norte da América. 300 pessoas e uma divindade. Sim! Minerva assistiu a tudinho do topo do telhado. Viu os corsários desembarcarem em festa. Mirou meninos e meninas de 8 a 80 anos adentrarem em fila atrás daqueles seres divertidos. Ouviu os gritos estridentes de alegria. As palmas eufóricas, mesmo antes de terminar o primeiro número.

No teto, o lustre de ferro, com cada um de seus seis braços, envolveu a emoção. À volta do teatro, duas frisas em formato circular faziam o mesmo. Foi aí que os candeeiros, distribuídos nas paredes laterais se apagaram. No breu, um foco de luz invade o palco e surge a mais bela das bonecas que a menina Luísa já vira. Ela, que havia colocado seu vestido bordado em rendas e seu sapato de brilhos dourados para assistir ao espetáculo, alcançou um mundo além de Oz. Sem nem saber que aquele marionetista fez os bonecos do filme de mesmo nome.

Ao final, no templo da cultura erguido há 160 anos, a plateia também se ergueu. Aplausos de pé. A ventania virou tornado na imaginação. Luísa mal acreditava que as marionetes do Philip Huber tinham vida. E Dona Maria Roserita? Contou que, em 72 anos, jamais rira tanto. "Agora, toda vez que passar na frente do Theatro Minerva, vou me lembrar dessa tarde." Foi em 16 de novembro de 2018. Dia em que a bela Areia, a 130 quilômetros de João Pessoa, viu Minerva deixar de ser estátua. E dançar em liberdade.

Idealização e curadoria do Bonecos do Mundo: Lina Rosa Vieira (nossa diretora de criação)

Fotografias: Beto Figueiroa

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Você já entrou numa floresta? Tem que ter coragem para desbravar a mata fechada. A recompensa, no entanto, é de tirar o ...
09/01/2019

Você já entrou numa floresta? Tem que ter coragem para desbravar a mata fechada. A recompensa, no entanto, é de tirar o fôlego. Em Floresta, adentramos o Cine Teatro Recreio, fechado desde 1995. Encontramos relíquias no seu interior empoeirado. Mobiliário da década de 1960. Pedacinhos de película deixados para trás. Paredes desbotadas que ainda resistem ao tempo. A cidade resiste também. Seus casarios são muitos e conservados. Ao contrário da sala de projeção abandonada. Em volta dos pés de tamarindo, montamos, cuidadosamente, o nosso Cine. No fim da tarde, uma revoada de andorinhas passava alegre como quem diz: bem-aventurada seja a sétima arte. Ao lado da Igreja do Rosário dos Pretos, um rosário de gente. Mais de 4.500 pessoas nas três noites. Para relembrar os velhos tempos ou para inaugurar uma experiência inesquecível. As flores do entorno também adoraram. Tanto que perfumaram o ambiente. Espécies bem coloridas do lugarejo arborizado. Feito a diversidade dos tons de pele, olhos e cabelos de quem foi ao democrático Cine Cultural. Chegamos e partimos felicíssimos. Mas f**aríamos ainda mais se o Cine Teatro Recreio saísse da lista de cinemas abandonados no interior do País.

Curadoria do Cine Cultural: Lina Rosa Vieira (nossa diretora de criação)

Fotografias: Chico Barros

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Aliança é um substantivo. Feminino por definição, mas que, inspirada pelo soneto de Carlos Pena Filho, escolheu ser azul...
04/01/2019

Aliança é um substantivo. Feminino por definição, mas que, inspirada pelo soneto de Carlos Pena Filho, escolheu ser azul. Cor não define gênero. Nem ideologia. A nossa, por exemplo, é defender a diversidade. Realizar trabalhos conectados com os Direitos Humanos. Projetos de democratização do acesso à cultura e à sustentabilidade. Ocupação dos espaços públicos pelo público e através da arte. Sonho que já alcançou diretamente, ao vivo, 9 milhões de brasileirxs que embarcaram nas nossas ideias. Ocuparam patrimônios históricos e pracinhas de suas cidades. E encontram a parte mais criativa delxs mesmxs. Independentemente de suas cores, credos, classes sociais ou orientações. Afinal, Aliança quer dizer união.

Rosa também é uma cor linda. No Centro Educacional Irmã Maria Antônia, está derramada em toda a parte. Rosa vivo. Como queremos vivo o nosso planeta. No dia da apresentação do Espetaculix, do projeto idealizado por nossa diretora de criação, que também tem Rosa em seu nome, os jardins da escola estavam floridos. Rosinhas e cravinhos da Educação Infantil. Crianças do Ensino Fundamental, jovens do Ensino Médio. Ahh, a flor da idade. Na cabeça arejada delas e deles, plantamos ideias inovadoras. Em três sessões teatrais, o Relix falou sobre a importância da coleta seletiva e da reciclagem, a redução da produção de lixo e como descuidar do planeta é a maior sujeira. Conteúdo inteligente que mistura arte, educação e tecnologia. Distribuiu 510 quadrinholix, com o conteúdo interpretado pelos artistas. 510 espectadores atentos na plateia. 510 multiplicadores do conteúdo verde. Cor da esperança em um futuro melhor, com mais respeito ao meio ambiente, incluindo todas as pessoas que vivem nele.

Idealização do Projeto: Lina Rosa Vieira (nossa diretora de criação)

Fotografias: Chico Barros

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Mas, afinal, o que é ser grande? Aqui, não contamos grandeza pelos muitos números e longas medidas. Na matemática, o núm...
02/01/2019

Mas, afinal, o que é ser grande? Aqui, não contamos grandeza pelos muitos números e longas medidas. Na matemática, o número que mais gostamos é o que nos traz proporções infinitas e continua livre em mistério: o pi. Seu símbolo traz, sobre duas “pernas de pau”, um sinuoso e divertido “til”. A magnitude de olhar a vida por outros ângulos. Uma essência que sobrepõe a emoção à razão, que nos ajuda a perceber que não há diferença entre o perímetro e o diâmetro de um anel de criança e de uma roda-gigante. É assim que o Bonecos do Mundo enxerga o ser humano: sem distinção. Com uma margem de possibilidades infinita. Somos embalados pelas reticências... Pela liberdade. A mesma que permite a Alice crescer e diminuir de tamanho a todo momento. A altura ou o peso de uma pessoa, sua idade, cor, gênero, religião, se tem dinheiro no bolso ou não, nada disso faz diferença para o Festival. Queremos você na medida do impossível. E foi assim, sem limites ou restrições, que gente e boneco de todas as dimensões entraram em outra dimensão. Seguiram o coelho de Lewis Carroll pelos 15 hectares do Parque da Lagoa. Caíram juntos num mundo para além de João Pessoa. Joãos, Susys, Ernestos, Gabrielas, Ricardos, Amandas, Pedros, Rosas, Joaquins... Todo mundo com sobrenome Pessoa. Pessoas, pessoas e mais pessoas. Foram 37 mil em unidade e união. Imensuráveis as contas que fizemos diante do que sentimos frente àquela lagoa de gente. Um formigueiro humano, que, de miúdo, não tinha nada. Era proporcional à curiosidade e vontade de acesso à cultura. Ainda maior que a gigantesca estrutura montada com seus 5 palcões, palcos e palquinhos. Pavilhão da exposição de 300 bonecos raros. Praça dos Mamulengos e de seus Mestres. Companhias de 7 países e 8 estados brasileiros. Marionetes de mais de 5 metros a títeres do tamanho de um palito de fósforo. E não é que às vezes o miúdo parecia maior que o grande? Sim, grandeza não se conta em números finitos. É o tal enigma do pi. Quando a última apresentação do projeto chegou ao final, perguntou Alice: "E agora, onde vamos parar?". Não sabemos, querida. A próxima casa é um mistério. Mas tomara que seja na de quem leu este texto com a gente.

Idealização e curadoria do Bonecos do Mundo: Lina Rosa Vieira (nossa diretora de criação)

Fotografias: Beto Figueiroa

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Mergulhar de olhos bem abertos não é fácil. Exige prática de nadador profissional. O perigo dos tubarões, ui! Dá vertige...
28/12/2018

Mergulhar de olhos bem abertos não é fácil. Exige prática de nadador profissional. O perigo dos tubarões, ui! Dá vertigem. Mas a gente vai assim mesmo. Os corais são nossos escudeiros. A profundidade vale a pena demais. Enxergar os segredos que o mar esconde entre uma onda e outra dentro do casulo do caramujo, ahhh... Se 2018 foi uma grande aventura, 2019 exige fôlego de baleia. Adoramos baleias. E acreditamos que correnteza atlântica é corrente do bem. Na Praia de Boa Viagem, com direito a nascer de lua cheia ao cair da tarde, aconteceu a nossa confra azul. Da cor do céu do dia. Nem todo dia é assim. 💙



Fotografias: Chico Barros

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Mulungu é planta mágica. Dela, brotam mamulengos. A botânica do Bonecos do Mundo também é feiticeira. Poltrona de madeir...
26/12/2018

Mulungu é planta mágica. Dela, brotam mamulengos. A botânica do Bonecos do Mundo também é feiticeira. Poltrona de madeira vira árvore regada com cultura. Sua floração, três mil e trezentos risos. Número de pessoas que vivenciou o Festival em João Pessoa, no Theatro Santa Roza. Opa! Rosa não é com S? Ahhh... Essa é diferente de todas as outras. Pode parecer esquisita à primeira leitura, mas, na releitura, f**a encantadora. Tanto que fez a primavera acontecer em pleno verão de novembro. Jardins coloridos em cada mente da plateia. Bougainvílleas enroscadas na memória. Teatro e títeres são regadores poderosos para a fantasia. Ou seria fantazia? Bom, usar o Z em lugares incertos pode ser uma experiência extraordinária. Assim como fez o Theatro Santa Roza, que, com o seu distinto Z, acolheu os nossos bonecos em três noites hipnóticas. Depois, foi dormir feliz zzz. ❤💛

Idealização e curadoria do Bonecos do Mundo: Lina Rosa Vieira (nossa diretora de criação)

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De linha em linha, a mulher rendeira vai dando forma a seus traçados. Entrelaça cada bilro, haste de madeira acoplada a ...
17/12/2018

De linha em linha, a mulher rendeira vai dando forma a seus traçados. Entrelaça cada bilro, haste de madeira acoplada a uma semente de buriti, pacientemente, como quem borda a própria vida, sem pressa dela passar. Seguir rápido para quê? Se a vista tem mar azul e a história já provou que a memória f**a, mesmo quando a morte chega para um ou para outro. Em Aquiraz é assim: o que importa mesmo é ter memória e muita aventura para contar. E olhe que, com pouco mais de 70 mil habitantes, coisas muito curiosas costumam acontecer nesta terra de 319 anos. De nome rico em poesia, Aquiraz quer dizer “água logo adiante” em tupi-guarani. Mas ninguém da cidade esperava que, essa semana, a maré fosse subir tanto. Chegou lá em cima na vila, até a Igreja da Matriz. Depois, despejou, dentro de uma garrafa de vidro, uma miniatura de sereia. As crianças foram as primeiras a chegar perto para ver se a criatura era aquirazense. Ou aquiraense? Não importa. Todos lá gostam das duas formas. Alunos e educadores da Educação Infantil de escolas públicas, vindos de bairros com nomes divertidos: Pau Pombo, Patacas, Machuca, Gruta... Eita! A pequena sereia tem cabelos de linha! Ela deve ser lá da Prainha! E parece até que teve o rosto bordado por Dona Maria! Foi um alvoroço. Até porque, em Aquiraz, sereias não costumam sair do mar. No meio do buruçu, surgiu, de dentro da matriz, um som que não era de sino. O acordeom tomou conta de todos os ouvidos. Como que hipnotizados, os alunos das escolas públicas foram se aproximando, f**ando cada vez mais perto. Assim, descobriram todo o mistério. A sereia não veio com a maré cheia. Navegou pelo Mar Mediterrâneo, cruzou o Oceano Atlântico, veio com a companhia italiana Dromosofista, que veio com o Bonecos do Mundo. Mas como nadaram até aqui? Velejaram de jangada? Nada, menino, foi de avião mesmo! Depois de automóvel. E sabe por que aportamos na cidade? Primeiro, porque adoramos patrimônios históricos e, segundo, porque f**amos encantados por uma frase escrita em vela de jangada, bem na entrada do vilarejo, que nos tomou de supetão: “Eu amo Aquiraz”. Pensamos: se os moradores amam o seu próprio lugar, claro que vamos amar também. Âncoras ao mar! Ops, quer dizer: parem o carro que aqui a gente desce! Descemos. De mala, violões e corações. Música, artistas e bonecos. Cadeiras expostas em frente à Matriz para um público muito especial assistir ao espetáculo “Historietas de um Abraço”. Um? Ahh... Bota muito mais abraço nisso.

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Fotografias: Beto Figueiroa

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Ser anfitriã não é tarefa fácil. Nem todo mundo tem o dom de receber e deixar a visita à vontade, como se em casa estive...
13/12/2018

Ser anfitriã não é tarefa fácil. Nem todo mundo tem o dom de receber e deixar a visita à vontade, como se em casa estivesse. Já eu, ah!, adoro visitas! Desde que me plantaram na Praça Verde do Dragão do Mar, vejo gente entrando e saindo e, aqui no meu cantinho, já presenciei um bocado de coisa bacana neste centro cultural. Mas esse ano foi muito especial para mim. Eu, que já assisti a tanto espetáculo, pela primeira vez na vida virei artista. Recebi o Bonecos do Mundo em meu jardim de caules, folhas e seivas abertas. E o festival, muito gentilmente, retribuiu com o reconhecimento de meu maior talento: dar a madeira para os mestres mamulengueiros esculpirem o mamulengo. Sim! Mamulengo vem do mulungu. E eu lá, toda prosa e iluminada, percebia o povo curioso para saber que tanto colorido era aquele que saía de mim. Um moço que entende de plantas passou e perguntou: isso é mulungu-da-flor-vermelha ou mulungu-da-flor-amarela? Caro amigo, especialmente agora, sou o que mais gosto de ser: mulungu. Só mulungu mesmo. Palavra que leva a origem da minha mais preciosa matéria. Carregada de mamulengos pendurados em meus galhos. Frutos deliciosos que não se comem com a boca. Se degustam com a alma. Alimentam a poesia, as fantasias, o desejo das pessoas de se deslocarem para lugares inimagináveis. Movimentação essencial para a cultura do povo, que faz do boneco o espelho da própria vida, em presepadas, reflexões, sorrisos e lágrimas. Reflete a liberdade de falar o que bem quer. Paudório no lombório do politicamente correto! Ser livre para viver inteiramente a própria essência é a melhor sensação da vida. Vixe, como me senti uma árvore importante! Tanto que meus frutos-filhos se tornaram Patrimônio Imaterial Brasileiro. Vê só que chic-chic! Não é pra eu f**ar toda prosa? Aqui de cima, assistindo a um cultivo imenso de espetáculos de 8 países e 8 estados Brasileiros. Se pudesse me curvar para agradecer, faria. Feito fazem os artistas quando a peça termina. Gratidão às 30 mil pessoas que circularam por aqui. Atravessaram a porta invisível da minha casa para encontrar o inesperado. Coisas mágicas acontecem quando um velho pé de mulungu encontra as mãos dos mamulengueiros.

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Fotografias: Beto Figueiroa
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Você conhece os tesouros de Goiana? Tem até uma lenda sobre um túnel repleto de ouro e pedras preciosas escondido sob o ...
05/12/2018

Você conhece os tesouros de Goiana? Tem até uma lenda sobre um túnel repleto de ouro e pedras preciosas escondido sob o cruzeiro da Ordem Terceira do Carmo. Só que, agora, vamos falar de uma riqueza de verdade. Preciosidade que se revelou para todos e todas, na frente da linda Igreja, sob o Cruzeiro do Sul. Em três noites de céu estrelado, o Cine Cultural ergueu sua grande tela e estendeu seu tapete vermelho para um público de 4 mil goianenses. Em especial, para as mulheres descendentes das virtuosas heroínas de Tejucupapo, homenageadas no final da sessão do domingo com uma exibição de um ensaio exclusivo, realizado no distrito onde a batalha aconteceu há séculos atrás. Ahhh, valorosa gente!

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Fotografias: Chico Barros

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