16/03/2023
Uma coisa que aprendi. (Escrito por uma ninguém que já foi todo mundo.)
É fácil lamentar as vidas que não estamos vivendo. Fácil desejar que tivéssemos desenvolvido outros talentos, dito “sim” para diferentes convites e ofertas. Fácil desejar ter trabalhado mais, amado mais, cuidado melhor das finanças, ter sido mais popular, feito parte de uma banda, ido à Austrália, dito sim para o café, ou frequentado mais daquelas malditas aulas de ioga.
Não exige esforço sentir falta dos amigos que não fizemos, do trabalho que não realizamos, das pessoas com quem não nos casamos e dos filhos que não tivemos. Não é difícil se ver através da lente de outras pessoas e desejar que você fosse todas as diferentes versões caleidoscópicas de você que elas queriam que você fosse. É fácil se arrepender e continuar a se arrepender ad infinitum até nosso tempo acabar.
Mas não são as vidas que nos arrependemos de não termos vivido que são o problema de verdade. É o arrependimento em si. É o arrependimento que nos faz encolher, murchar e nos sentir como nosso pior inimigo, além de o pior inimigo das outras pessoas.
Não dá para dizer se qualquer uma dessas outras versões teria sido melhor ou pior. Essas vidas estão acontecendo, é verdade, mas você está acontecendo também, e é nesse acontecimento que temos de nos concentrar.
A biblioteca da meia noite. Página 297.