11/08/2021
No final de Julho, a Carol apresentou o artigo "Autonomia feminina e capitalismo: representações históricas e contemporâneas" no congresso Fazendo Gênero ). No artigo, ela analisa discursos de influenciadoras de finanças que criam a ideia de que, através da independência financeira - e somente através dela! - seria possível às mulheres alcançar uma realidade de autonomia e liberdade.
Frases como "faça suas próprias escolhas", "fazer o que você quiser, na hora que você quiser" e "tenha mais liberdade para as próprias escolhas" estão muito presentes nesses canais. Mas qual é a liberdade proposta ali? O que, de fato, a independência financeira proporciona em termo de possibilidades e autonomia? Será que isso configura autonomia por completo? E se não, o que f**a de fora, e como isso é abordado pelo discurso?
O tema é importante, pois frequentemente vemos a ideia de que a saída para conquistar a autonomia feminina passa pelo mercado de investimentos. E isso pode representar uma mudança importante no comportamento das mulheres brasileiras. Atualmente, as mulheres são cerca de 27% dos investidores em bolsa de valores, ou seja, apenas 1/4 dos investidores. No entanto, esse número representa um aumento em 4% em relação a 2017.
Se, por um lado, esse tipo de discurso incentiva a mudança de comportamento com relação a realidade financeira, por outro ele deixa de fora diversas questões sobre a realidade da mulher no Brasil que impedem ou dificultam a sua total autonomia. A começar, por exemplo, com a disparidade salarial entre homens e mulheres. Também não há uma discussão sobre direitos reprodutivos, sobre autonomia sobre o próprio corpo, sobre divisão de tarefas domésticas... Ou seja, parece ser uma promessa de liberdade muito recortada e pouco abrangente.