17/07/2021
PANDEMIA: ESTUDAR OU TRABALHAR?...
Eis a questão!
Por: Theo G Fox
Em meio a essas ondas “pandemoníacas” e geopolíticas, podemos perceber que a educação está, paulatinamente, sendo colocada dentro de uma “bolha” de conforto, ou seja, esquecida. Sim, todos agora optam, por segurança ou conforto, através dos EADs. Ok, todos sabemos que são cursos elaborados por corpos decentes preparados e preocupados com a atual situação do ensino, mas... Será que isso resolve? Menciono isso porque hoje, ao ler no The New York Times, a matéria do jornalista David Leonhardt, intitulada “Quando a escola é voluntária”.
Gentesss... Há mais de um século, os Estados Unidos constituem leis exigindo que as crianças frequentem a escola. O objetivo principal é que a escola seja mais importante para a vida das crianças, do que ser uma questão de escolha individual. E estão redondamente corretos. Mesmo que as crianças residam em regiões rurais, ajudando nas tarefas do sítio ou da fazenda da família, não importa se remunerado ou não, isso nunca foi uma desculpa suficiente para se desistir dos estudos, principalmente com a conivência dos pais, por pior que seja a atual necessidade. Ainda mais dentro de um país onde se proporciona condições de estudos, não se pode perder essa oportunidade. Diante disso, disso, as crianças de ‘lá’ não podem deixar de frequentar a escola, simplesmente, porque querem. Simples assim.
E as leis de educação obrigatórias norte americanas fizeram muito bem. Eles aumentaram as taxas de graduação do ensino médio e a parcela de estudantes que frequentaram a faculdade, como foi mostrado na pesquisa dos economistas Derek Messacar e Philip Oreopoulos. A escolaridade, por sua vez, contribui para elevar os ganhos futuros e reduzir o desemprego. O que, infelizmente, não ocorre em nosso país. O que já não estava bom ficou pior. Pois até bem pouco tempo, mais precisamente, há dois anos, muitos dos brasileiros ainda tinham consigo alguma esperança da nossa educação melhorar.
Mas aí chegou a Covid-19 que entrou em nossas vidas, sem bater na porta e está minando a ideia de educação, não somente aqui, no Brasil, mas de uma maneira universal, ou seja, em todo o mundo. Muitas crianças e jovens estão abandonando os seus estudos em busca de trabalho imediato para poderem suprir essa lacuna deixada pelo Coronavírus, chamada fome... E com isso, a tragédia anunciada vai crescendo e comprometendo, diariamente, o futuro da educação em cada Nação existente.
E como desdita pouca é bobagem, as famílias que optam por isso, principalmente as que já se situavam dentro do quadro de baixíssima (ou nenhuma) renda, principalmente os negros e latinos residentes nas Américas. Até o ano passado, parecia que o aprendizado remoto estava sendo o mais popular entre esses grupos; porém, uma pesquisa mais recente detectou que além dos acessos à Internet estarem ficando cada vez mais escassos, devido à impossibilidade se de obter uma conta junto às operadoras do segmento, estes começam a ficar cada vez menos entusiasmados com a escola presencial, e passam a buscar, da maneira que podem, trabalhos informais para que continuem a se manter, ao menos, um pouco mais atualizados no que se refere aos conhecimentos gerais, que englobam selfies e outros aplicativos de entretenimento.
No frigir dos ovos: crianças e adolescentes estão tendo pouco ou nenhum progresso e se distanciando cada vez mais dos estudos; nada contra (e nem a favor, muito pelo contrário) sobre os estudos remotos. O problema é que com o ensino remoto as crianças aprendem muito menos do que aprenderiam pessoalmente, de acordo com uma gama de dados obtidos sobre o último ano e meio, principalmente entre aqueles jovens que precisam custear as suas conexões. Alguém duvida?... Por isso, eis aqui a pergunta que todos gostaríamos de poder responder:
“Estudar ou Trabalhar?...” – Eis a questão.
Fonte: The New York Times
Fotos: porvir.org / Jornal da USP
Edição / Textos: Theo G Fox.