08/06/2019
BASTIDORES DE SH*TSEL em Los Angeles
Por dois dias os principais atores do elenco de SH*TSEL -- Michael Aloni / Akiva Shtisel, Dov Glickman / Shulem Shtisel, Neta Riskin / Giti Weiss e Ayelet Zurer / Elisheva Rotstein -- e seu criador Ori Elom estiveram em Los Angeles falando com executivos de Hollywood, como Larry Tanz VP International Original Series da Netflix e a comunidade judaica local.
O evento foi organizado por J.J. Sussman da GESHER (uma fundação que apoia programas educacionais para gerar tolerância, respeito, e compreensão entre os membros da comunidade judaica em Israel e no mundo) e pelo pessoal do JEWISH JOURNAL.
As fotos aqui publicadas foram tiradas na quarta-feira (5/6) a noite. O Rabino David Wolpe, recebeu os artistas na sua sinagoga Sinai Temple, na Wilshire Boulevard em Los Angeles. Eles apresentaram clipes com cenas da série, e o rabino questionou como foi o processo de criação das personagens.
Neta Riskin, a Gitti, contou que começou a construir a personagem ao conhecer a treinadora que a produção lhe arranjou pra ensinar a maneira correta como as mulheres Haredim (ultra-ortodoxas) se comportam:
“A treinadora me falou para caminhar na rua”, contou Neta, “ir daqui até ali. Fiz como foi mandado. E ela preocupada comentou: ”Hi, vamos ter que trabalhar muito com você”. Quis saber o porquê e ela me disse: “você anda como se fosse alguém”! Levei um susto. Como assim? Como se eu fosse alguém? Ela me explicou que caminhei como se estivesse passeando; olhando em volta, observando as coisas, curtindo o lugar... Ela explicou que as mulheres Haredim só saem de casa em última instancia, quando é realmente necessário, e não gostam de ser notadas. Elas andam pela rua como se tivessem antolhos. Não olham para nenhum dos lados, se mantem focadas onde querem chegar”.
Neta teve que treinar a caminhada várias vezes, junto com Shira Haas, a atriz que faz o papel de Ruchama, sua filha na série, até que as duas aperfeiçoaram a maneira correta de andar.
Já Ayelet Zurer, a Elisheva da série, contou que sua inspiração para a personagem veio de uma pintura de Marc Chagal, “A Noiva”: “Elisheva tem um pé no mundo dos vivos e outro no mundo dos mortos. Ela sofreu demais, encarou perdas demais”.
Pouco antes de aceitar o papel, Ayelet contou que havia perdido alguém muito próximo e querido. Quase chorou ao se recordar: “tivessem me convidado antes, talvez não tivesse aceitado o papel. Mas quando li o roteiro, vi que entendia muito bem aquelas emoções e aceitei fazê-la”.
Michael Aloni, o Akiva, comentou que a primeira temporada foi rodada com um orçamento mínimo, nada comparável ao que a NETFLIX normalmente investe em suas produções.
E, Neta disse que esse sucesso internacional pegou a todos do elenco de surpresa. Durante as primeiras filmagens, quando rodou a cena em que era assaltada em casa, tiveram pouco tempo para realizá-la e ela não ficou satisfeita com o resultado, ao que a continuísta lhe acalmou dizendo: “relaxa, ninguém vai mesmo assistir isso que a gente está fazendo!”
Michael completou: “Era o que a gente pensava: quem iria assistir uma serie sobre uma comunidade de judeus ortodoxos, vivendo nesse bairrozinho de Jerusalém, sem tiros, corridas de carros, violência e, principalmente, sem s**o! A cena mais erótica da série é aquela em que Elisheva tira a peruca e mostra seus cabelos grisalhos para Kive”.
O Rabino Wolpe então perguntou a Ori Elom o criador e roteiristas da série junto com Yehonatan Undursky, ambos de formação ortodoxa judaica, se ele sabia dizer qual era o segredo para o sucesso de SHTISEL em todo o mundo.
Ori não soube explicar, mas pediu licença para contar uma piada que seu avô lhe contava na infância e que talvez ajude a entender o resultado positivo do projeto:
“Um circo chega à cidade e um homem procura o dono do circo e pede para fazer parte da trupe. O empresário então lhe pergunta qual é o seu talento, ao que o homem responde: ‘sei imitar pássaros’. O empresário pouco impressionado com isso, diz que não está interessado. Ao ouvir isso o homem se vira e sai voando pela janela”.
Para Ori, os atores ali presentes não imitaram suas personagens, eles as viveram intensamente e essa verdade foi o que cativou o público internacional.
Internacional e local; SHTISEL ganhou mais de 17 prêmios em Israel e conseguiu vencer a barreira da ortodoxia. Michael, contou que nos bairros dos Haredim em Jerusalém ninguém tem televisão em casa, nem internet. Isso é proibido entre eles. Mas muitos assistiram a série nos seus celulares, mesmo antes de ser lançada, em copias piratas.
E, mais recentemente, quando esteve no Brasil, a trabalho em São Paulo, ele pode sentir o sucesso internacional da série: “Eu estava andando na rua e alguém bateu no meu ombro e me chamou de Kive. Era um rapaz que tinha visto a serie na NETFLIX e que me pediu pra fazer um selfie. Achei incrível que do outro lado do mundo, alguém que não era judeu, criado numa cultura completamente diferente, fosse me reconhecer através de SH*TSEL e tivesse gostado da série!”
Dov Glickman, que interpreta seu pai no seriado, o interrompeu e contou que estava em Paris com a esposa, para um festival de cinema israelense e, enquanto tomavam café num boulevard parisiense, foi abordado por 3 senhoras mulçumanas do Líbano. Elas assistiam a série e disseram que os problemas que os Haredim enfrentam no dia a dia são exatamente iguais aos de sua comunidade mulçumana no Líbano. E, chegaram a dizer que, quem sabe, o seriado seria um caminho para que ambos os povos encontrassem a paz...
Depois do evento pude me aproximar de Ori e conversamos um pouco. Perguntei por que demorou tanto para que aprovassem a nova temporada. Ori, que é muito tímido e de poucas palavras como a personagem de Kive em SHTISEL, me deu a entender que o problema, como sempre foi dinheiro.
O fato é que SH*TSEL irá ter a sua nova temporada pela NETFLIX e vamos poder acompanhar a trajetória dessa família da comunidade de judeus ortodoxos, vivendo naquele bairrozinho de Jerusalém.
E a grande notícia é que Ayelet Zurer está com viagem marcada para o Brasil. Ela vai ao Rio de Janeiro em setembro e não é para trabalhar. Ela vai de férias visitar amigos brasileiros. Não me disse quem são...