09/09/2013
As razões que a própria razão desconhece
"O coração tem razões que a própria razão desconhece", célebre frase de Pascal, usada e abusada para os mais diversos fins, quem diria, vai bem como conclusão de uma pesquisa feita pelo psicólogo Richard Wiseman, da Universidade de Hertfordshire (Escócia).
Como que perdidas, foram espalhadas 240 carteiras (porta-notas) pela ruas de Edimburgo. Elas não continham dinheiro, apenas documentos de identidade, cartões de fidelidade, bilhetes de rifa e fotografias pessoais.
A única variação eram as fotos. Algumas das carteiras não tinham foto nenhuma e outras traziam imagens que podiam ser de um casal de velhinhos, de uma família reunida, de um cachorrinho ou de um bebê.
A meta do experimento era descobrir se a fotografia afetaria a taxa de devolução das carteiras. Num mundo perfeitamente racional, a imagem seria irrelevante. Devolve-se o objeto perdido porque é a coisa certa a fazer.
Resultado, foram devolvidas:
• 15% das carteiras sem foto;
• 25% das com foto dos velhinhos;
• 48% das da família;
• 53% das do cachorrinho;
• 88% das do bebê.
O experimento ilustra como o cérebro opera. Embora tenhamos nos acostumado a pensar que tomamos decisões pesando prós e contras de cada uma das alternativas possíveis e extraindo com base nisso uma conclusão, o que os estudos psicológicos e neurocientíficos mostram é que, na maioria das ocasiões, a parte inconsciente de nossa mente chega de imediato a uma conclusão, por meio de sentimentos, palpites ou intuições. Neste instante, são os vieses cognitivos que estão operando.
Em seguida, a porção racional de nosso cérebro se põe a procurar e elaborar argumentos racionais para justif**ar essa conclusão.
(Texto elaborado sobre extrato de artigo de Hélio Schwartsman para o caderno “Ciência” da Folha de São Paulo)