28/09/2026
Dias intensos entre a Biennale di Venezia e a Homo Faber. Arte, matéria, cor, proporção, técnicas ancestrais, novas linguagens e diferentes maneiras de enxergar o mundo.
Mais do que ver coisas bonitas, estar diante de tantas formas de expressão é um exercício de percepção. Para quem trabalha com imagem, alimentar o olhar é parte do trabalho: sair das referências habituais, observar outras linguagens, fazer conexões e receber novos estímulos.
E algo me chamou especialmente a atenção: a força e a crescente valorização do fatto a mano.
Em meio a tanta tecnologia e à velocidade com que tudo é produzido e consumido, o gesto humano parece ganhar um novo valor. O tempo dedicado a fazer, a matéria transformada pelas mãos, as técnicas transmitidas entre gerações, a imperfeição que torna cada peça única.
Na Homo Faber isso aparece de forma explícita, na celebração do saber artesanal. Na Biennale, de outras maneiras, encontrei novamente a matéria, a textura, o gesto e processos manuais ocupando um espaço importante na criação contemporânea.
Talvez justamente porque vivemos um momento tão tecnológico, aquilo que carrega a marca da mão humana esteja se tornando ainda mais precioso.