03/06/2022
Quando surgiu o empreendedorismo feminino saiba mais sobre uma duvida de muitas mulheres.
No Brasil, os primeiros estudos sobre empreendedorismo feminino começaram no final dos anos 1990, diferentemente dos estrangeiros, que já abordavam o assunto desde meados dos anos 1970 e 1980.
Ou seja, mesmo no cenário internacional, apesar de as mulheres sempre estarem empreendendo, trata-se de um assunto que começou a ganhar notoriedade e ser estudado com mais profundidade há pouquíssimo tempo.
Por este motivo, é preciso seguir alimentando essa ideia, pois essa é uma das melhores formas de diminuir a estigmatização de mulheres empreendedoras e ajudá-las a tirar o seu sonho do papel e pôr a mão na massa.
Desde o início dos estudos sobre o assunto, o quadro melhorou significativamente, mas isso não significa que ainda não exista um longo caminho a ser percorrido.
Uma das ações que podem nos ajudar a motivar as mulheres é o Dia do Empreendedorismo Feminino, que é celebrado em 19 de novembro, desde 2014.
Qual a importância do empreendedorismo feminino?
O empreendedorismo feminino é importante por diversos fatores. O simples fato de ter uma maior representatividade de mulheres à frente dos negócios traz benefícios positivos para a economia, para as empresas e para a sociedade como um todo.
Para se ter uma ideia, segundo estudos realizados pelo Mckinsey Global Institute, a promoção de igualdade de condições de trabalho seria capaz de promover um salto de 30% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.
Ou seja, a participação das mulheres no mercado gera ainda mais crescimento econômico, qualidade e inovação para o país.
Isso porque, nessa mesma pesquisa, há ainda a indicação de que as mulheres empreendedoras passam ainda mais anos se dedicando aos estudos para aprimorar suas entregas de produtos e serviços.
Em comparação aos empreendedores do público masculino, as mulheres estudam 16% a mais, investindo, em média, 9,9 anos de suas vidas em qualificação profissional.
Do ponto de vista social, a presença de mulheres empreendedoras também contribui para reduzir diferenças de oportunidade de crescimento e desigualdades salariais.
Um panorama sobre o empreendedorismo feminino no Brasil
Existem diversos dados sobre empreendedorismo feminino no Brasil que mostram o crescimento de empresas lideradas por mulheres no país.
Segundo o Sebrae, 10,1 milhões de empreendimentos brasileiros são liderados por mulheres, sendo a porcentagem da participação feminina no mundo dos negócios de 34%.
Com a pandemia, o cenário ficou ainda mais aquecido. Por necessidade ou oportunidade, o empreendedorismo feminino teve um crescimento de 40% no período, de acordo com dados da Rede Mulher Empreendedora.
É possível analisar também outros dados interessantes para entender o papel da mulher empreendedora no cenário econômico.
Por exemplo, 44%, quase metade das mulheres empreendedoras, são também chefes de família e responsáveis pelas decisões de compras na casa.
Essas informações revelam também um dos problemas enfrentados pelas mulheres, que é a jornada múltipla, que torna ainda mais desafiadora a jornada empreendedora.
Quais os tipos de empreendedorismo feminino?
O empreendedorismo feminino é caracterizado por mulheres nas posições de liderança dentro das empresas.
No entanto, podemos subdividir esse tipo de empreendedorismo em outras categorias, como empreendedorismo social, de negócios, corporativo, verde, digital, de franquias etc.
Confira um pouco mais sobre cada tipo de empreendedorismo:
Social: trata-se de um tipo de negócio cujo principal produto ou serviço gera um benefício para uma determinada parcela da sociedade. Embora possa dar lucros, o principal objetivo desse empreendedorismo é, na verdade, a inclusão social, melhorias urbanas, formação profissional, atendimento à saúde e outras questões que melhorem as condições de vida da população;
De negócios: é o tipo mais amplo de empreendedorismo, que tem como objetivo gerar lucro ao atender a uma ou mais necessidades do mercado;
Corporativo: também chamado de intraempreendedorismo, nessa vertente, os colaboradores de uma empresa é que geram mudanças e inovações, ou seja, trata-se de um empreendedorismo interno;
Empreendedorismo verde: esse tipo de iniciativa empresarial tem como foco a preservação ambiental e a sustentabilidade. Em outras palavras, são empresas que buscam aliar o lucro à preocupação com o meio ambiente;
Digital: trata-se de um tipo de negócio que diz respeito a produtos e serviços possibilitados por meio digital, como lojas virtuais, provedores de conteúdo, infoprodutos ou aplicativos, por exemplo.
De franquia: trata-se de um modelo relativamente mais seguro de abrir uma empresa, pois os processos internos já estão definidos e, em grande parte dos casos, os produtos já são conhecidos pelo público;
Cooperativo: é aquele em que empreendedores individuais se aliam para trabalhar juntos, criando uma rede de apoio na qual cada profissional contribui com um serviço ou material para que todos tenham resultados melhores em seus empreendimentos.
Um olhar sobre o empreendedorismo negro feminino
De acordo com o mesmo relatório que vimos do Sebrae feito com a Global Entrepreneurship Monitor (GEM), o empreendedorismo negro, em 2019, já mostrava uma grande representatividade.
Das 9,6 milhões de mulheres à frente de uma empresa, 4,7 milhões eram mulheres negras. Ou seja, cerca de 47% das empreendedoras brasileiras.
Contudo, apesar de quase metade da potência financeira feminina ser de mulheres negras, ainda há uma grande desigualdade de acesso a oportunidades de crescimento e desenvolvimento.
Esse estudo do Sebrae revela que, durante a pandemia, foram os empreendimentos liderados por mulheres negras os que mais sofreram com a crise econômica.
Cerca de 36% tiveram de fechar as portas ou pausar os negócios, sendo em maior parte os empreendimentos de menor porte e faturamento.
Quais os desafios do empreendedorismo feminino?
Ser uma empreendedora no Brasil e no mundo já é um grande desafio por si só, dado que iniciar uma nova empresa e apostar nas suas ideias é uma atitude que requer muita coragem, dedicação e força de vontade.
No entanto, como estamos falando de uma parcela da sociedade que só teve seus direitos reconhecidos recentemente, esses desafios se tornam ainda maiores.
Por exemplo, de acordo com uma pesquisa do Sebrae de 2019, as empreendedoras pagam taxas de juros maiores em comparação a empreendedores homens, mesmo que apresentem taxas de inadimplência menores.
Os dados apontam que homens têm uma taxa de inadimplência de 4,2% e pagam, em média, 31,1% de juros ao ano, enquanto as mulheres têm de lidar com uma taxa de 34,6% de juros ao ano, mesmo que tenham uma taxa média de inadimplência de 3,7%.
Por enxergar no empreendedorismo uma chance de independência financeira, muitas mulheres começam o próprio negócio sem o capital inicial necessário.
Além disso, independente da função desempenhada dentro da empresa, as mulheres acabam assumindo vários papéis, dividindo a carreira com o tempo de dedicação aos filhos, estudos, tarefas de casa e possuindo responsabilidades além do negócio, a famosa jornada múltipla.
Como estimular o empreendedorismo feminino?
Existem diversas maneiras de estimular e apoiar o empreendedorismo feminino. Para isso, você não precisa, necessariamente, ser um investidor ou sócio.
A própria rede de apoio, amigos e clientes da empreendedora podem ajudar a impulsionar essa empresa, especialmente nos primeiros anos, que são os mais críticos para qualquer empreendedor.
Veja algumas das ações mais efetivas, e simples, para conseguir ajudar mulheres empreendedoras:
Compre os seus produtos e serviços;
Apoie o empreendedorismo feminino local na hora das compras como uma alternativa às grandes lojas e líderes de mercado;
Indique a empresa para seus amigos e familiares;
Faça comentários e sugestões positivas, estimulando com essa interação feedbacks construtivos para o crescimento do negócio;
Deixe avaliações no site, aplicativos e redes sociais da empresa.
Se você faz parte da rede de apoio da mulher empreendedora, existem outras formas de ajudar. Uma delas é se colocar à disposição para ajudar, seja com conteúdos, mentorias e conexões que possam auxliar a empreendedora a ter melhores relações de mercado.
No ambiente familiar, é importante que aconteça uma divisão justa das tarefas domésticas, tanto nos cuidados com a casa como também nos cuidados com os filhos, se for o caso.