02/03/2016
Previsão de Crescimento em Tecnologia para 2016
A queda na comercialização de dispositivos e a transição no segmento de telecomunicações devem restringir o crescimento do mercado de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) em 2016.
De acordo com a consultoria IDC Brasil, a expansão projetada para o ano é de 2,6%, apoiada por internet das coisas, serviços em nuvem (Cloud), pagamentos móveis e big data.
Ainda assim, trata-se de um ritmo mais fraco que a estimativa de cerca de 5% para 2015.
As vendas em 2016 devem ficar em torno de 40 milhões de celulares, seis milhões de PCs e cinco milhões de tablets, correspondentes a baixas anuais de cerca de 10%, 30% e 30%, respectivamente, afirmou o gerente de consultoria e pesquisa de consumo, Reinaldo Sakis. "Vai ser um ano difícil porque não vamos vender 50 milhões ou 60 milhões de celulares como se falava há algum tempo. Já chegamos a ter números muito altos por causa da vontade dos usuários, mas motivos econômicos, de mercado e o dólar alto estão atrapalhando a venda de dispositivos", afirmou o executivo.
Outro segmento que deve enfrentar dificuldades em 2016 é o de telecomunicação. Para o gerente da área na IDC Brasil, João Paulo Bruder, o mercado de serviços corporativos (business) fechará 2016 com uma queda de 0,5% em comparação com 2015.
Esse movimento é decorrente de perdas em serviços de voz fixa e móvel, o que não deve ser compensado pelo crescimento em dados e datacenters. As operadoras serão forçadas a investir mais em infraestrutura de redes, com foco na transmissão de dados sobre 3G e LTE Advanced.
Dentre os fatores que devem apoiar o mercado de TIC, os executivos citaram internet das coisas, serviços em nuvem (Cloud) e pagamentos móveis. João Paulo Bruder explicou que, em 2016, mais de 30% de todas as operações financeiras serão feitas a partir de pagamentos móveis, o que inclui aplicativos de celular para serviços bancários, de transporte e compra de presentes, por exemplo. Para efeito de comparação, essa fatia chegava a 10% em 2014 e atingia cerca de 2% em 2012.
Os executivos do IDC também apontaram, diante da crise econômica nacional, que os setores de tecnologia das empresas sofrerão uma pressão crescente de áreas de negócios, uma vez que essa será uma das grandes soluções para aumento de eficiência e diferenciação competitiva. "As empresas perceberam que só reduzir o custo não funciona, porque volta em dobro no futuro. A busca hoje é por eficiência e diferenciação ao modificar processos", afirmou o gerente da área de enterprise, Pietro Delai.
Apesar do cenário, a oferta de empregos tende a crescer neste segmento, porém, essa alta não significa que os profissionais conseguirão oportunidades facilmente. O motivo é que o mercado também está cada vez mais exigente e em busca de candidatos completos, com conhecimentos técnicos específicos e atualizados nas mais novas ferramentas tecnológicas. Além disso, as empresas ainda procuram colaboradores que tenham competências que vão além das técnicas, como uma boa comunicação e a capacidade para gestão.
São várias as funções exercidas por profissionais formados em áreas ligadas à Tecnologia. As principais são programador, segmento que vive um verdadeiro “apagão de mão de obra”, analistas de suporte, e consultores : profissionais que ajudam os usuários na implantação, tiram suas dúvidas e customizam sistemas.
Dentre as empresas com maior crescimento, temos aquelas envolvidas com as novas tecnologias de apps, mobilidade, cloud, data center e as empresas que oferecem produtos e serviços relacionados com a conformidade da lei, ou seja, sistemas de gestão empresarial, fiscais, tributários e correlatos.
Isso tem acontecido porque o governo tem intensificado as políticas de aumento de arrecadação e fiscalização contra a sonegação. As empresas com soluções nestas áreas estão aumentando o quadro de colaboradores, investimentos em marketing, e projetando expansão da carteira de clientes.
O crescimento, também, será em torno do desenvolvimento de aplicações especialistas e migração.
É do lado da aplicação que encontramos o maior valor para a nuvem, e onde o verdadeiro trabalho precisa ser feito para que as empresas possam tirar vantagem significativa da infraestrutura mais barata oferecida pela nuvem.