Estação Primeira da Propaganda

Estação Primeira da Propaganda - Estação Primeira...? - Não somos a Mangueira, mas temos a mesma alegria. O que já nos rende um sorriso na entrada. Somos gente falando com gente.

Esse invariavelmente é o diálogo que travamos com as recepcionistas quando chegamos a um edifício onde ainda não somos conhecidos. Essas cenas cotidianas são um pequeno exemplo do nosso jeito de ser. Porque o trabalho da Estação Primeira está fundamentado na facilidade das relações. Entre cliente e agência, entre departamentos e entre fornecedores. O tempo inteiro. Portanto, temos que ser claros,

diretos, fáceis. Entendemos que ser fácil é ser simples. Simples que pode ser traduzido como colaborativo nas relações. Ágil nas negociações. Rápido no atendimento. E precisos nas respostas. É ser simples sem perder a originalidade. Por mais fácil que pareça. Por mais ágil que se responda. Por mais rápido que se produza. Assim como é o produto de uma escola de samba, fonte inspiradora da Estação Primeira, que faz parecer fácil a complexa, rica e envolvente comunicação que estabelece no desfile. Embalado num contagiante samba-enredo, adornado pelas fantasias das alas e amarrado pela cadência da bateria, o produto da escola de samba, assim como o da Estação Primeira, faz o público seguir a música e cantar em coro, proporcionando uma grande festa gerada pela comunicação. Simples e fácil.

Mais uma dica cultural incrível de Afonso Gentil.VIGOROSO MUSICAL DA BARRA FUNDA FAZ A BELA VISTA TREMER. É ‘URINAL’!Os ...
19/05/2015

Mais uma dica cultural incrível de Afonso Gentil.

VIGOROSO MUSICAL DA BARRA FUNDA FAZ A BELA VISTA TREMER. É ‘URINAL’!
Os mais antigos sabem o quanto as montagens dos teatros da Bela Vista e arredores contribuíram para impor respeito dos europeus pela excelência artística obtida sistematicamente. Tudo começou com a abertura do TBC (Teatro Brasileiro de Comédia, 1948), fruto da coragem e audácia do industrial italiano Franco Zampari, também ele responsável pelos filmes de sucesso internacional dos míticos estúdios da Vera Cruz. Uma perguntinha marota, talvez: será que alguma estatua venerando a memória de Zampari dignif**a algum salão nobre de palácios estatais?
O TBC viu nascer o Maria Della Costa, o Bela Vista (hoje, Sérgio Cardoso), depois o Arena, que com seus memoráveis sucessos musicais não deixaria nenhum crítico relacionar qualidade artística com o tamanho da plateia.
A eles viriam se juntar o Ruth Escobar e outros e mais outros, transformando o bairro da Bela Vista num efervescente caldeirão cultural. A abertura de novos teatros espalhou-se pelos quatro cantos da cidade. Mas o “nicho” da Bela Vista continua com seu charme senhorial reforçado pelas montagens malditas benditas dos inquietos da Praça Roosevelt, da chancela musical do Renault (ex-Abril), do Aliança Francesa ( tio do TAPA), do Anchieta e, por que não? do Itália?
Agora graças ao desprendimento – melhor seria dizer atrevimento – do Núcleo Experimental de Teatro com o multiartista Zé Henrique de Paula (produtor, diretor, cenógrafo, figurinista e até letrista) à frente de gente muito talentosa, esta montagem do musical norte-americano com ares brechtianos, “Urinal”, faz a Barra Funda emergir de sua condição operária e ser arremetida ao burburinho cultural (e também de entretenimento, vá lá!) incessante da Bela Vista.

É FACIL FALAR BEM DE “URINAL”
A direção esperta, o cenário “vitoriano” bem executado e os figurinos que remetem ao Brecht das óperas sombrias, todos da lavra de Zé Henrique de Paula; o texto de 2001, da dupla Greg Kotis e Mark Hollmann ,curiosamente bom, agradável de se acompanhar apesar do desconforto dos temas da corrupção e da crise hídrica. Logo a seguir, a adaptação das musicas e letras com direção musical de nada menos que Fernanda Maia, em vitoriosa batalha com a mesmice à espreita nos musicais. A presença de Inês Ar**ha na preparação dos atores e dividindo a vertiginosa coreografia com Gabriel Malo, mantendo a alta temperatura do espetáculo.
Ah, o elenco! Reunindo no vigoroso desempenho nomes de respeito no meio artístico, cantando com tal entusiasmo e prazer que dá ao gênero um frescor insuspeitado. São eles: Bia Bologna, Bruna Guerrin (Sol, a mocinha protagonista), Caio Salay (o anti-herói Bonitão), Daniel Costa (um mestre de cerimônias que remete à Cabaret), Fábio Redkowicz (fazendo dupla impagável com Daniel), Gerson Steves (um senador que Deus nos livre!), Luciana Ramanzini (a garotinha que tudo vê e tudo comenta),Nábia Vilella e seu vozeirão invejável, Paulo Marcos de Brito, Roney Facchini (com a autoridade do papel), Thiago Carreira e Thiago Ledler, com momentos bem resolvidos.
Vindo de quem vem, o exemplar Núcleo Experimental de Teatro, para nós a excelência do espetáculo empolga, mas não chega a surpreender.Mas, para o público é uma bela e alvissareira novidade.

AFONSO GENTIL

Serviço: Urinal, o Musical/ Teatro do Núcleo Experimental / Rua Barra Funda, 637 – Barra Funda /tel.3259-0898/6ª., sábado e Segunda às 21 h. Domingo 19h / R$ 40,00 (6ª.grátis). 125 minutos com intervalo/ estacionamento não conveniado em frente ao teatro/ até 06/07.

02/04/2015
Mais uma dica cultural incrível de Afonso Gentil.AS INSUBMISSAS: EQUIPE LÚCIDA EM MONTAGEM SINGULARO que de pronto despe...
10/02/2015

Mais uma dica cultural incrível de Afonso Gentil.

AS INSUBMISSAS: EQUIPE LÚCIDA EM MONTAGEM SINGULAR

O que de pronto desperta simpatia e respeito diante de uma estreia do grupo Arte Ciência no Palco é o acerto da escolha do tema, sempre em perfeita sintonia com os propósitos de sua existência artística: mesclar as questões científ**as – infinitas –ao universo existencial – de infinitas indagações.
Isso posto, não fosse por seus acertos de direção, este As Insubmissas – história de quatro mulheres cientistas de diferentes épocas unidas numa espécie de limbo celeste à espera do reconhecimento(coitadas!) de uma humanidade ególatra – é um soberbo exemplo de repertório sólido, que logra manter uma companhia de teatro no topo por todo o tempo.

Espetáculo de rigor estético

Esse texto do veterano Oswaldo Mendes, homem de teatro que se dá bem em todos os setores – é ator, diretor, biógrafo de expoentes do teatro brasileiro, agitador cultural - revela-se, no palco, prenhe de forte teatralidade, o que permite permanente adesão do público, que torce em silêncio à cada argumentação desta ou daquela cientista em “ julgamento”. Ninguém jamais se esquecerá de Bertha Lutz, Madame Curie, Rosalind Franklin e Hipácia, depois de ouvi-las ou saber o que se falou delas. Mendes devolve à lenda a pulsação humana em toda a sua pungência.
De mãos dadas com o autor, Carlos Palma se esmera no rigor estético, que se desdobra no cenário metafórico de pedras suspensas; na trilha sonora, de função dramática e de execução impecável; na luz (Rubens Velloso), que joga a plateia na atemporalidade da ação; mais o tom épico do elenco. Tudo da melhor qualidade, remetendo-nos à magia estética dos nossos espetáculos “sessentistas”, que fizeram do diretor Ademar Guerra – precocemente falecido – uma figura de proa da vanguarda da época com seu “Marat-Sade”, por exemplo. Os figurinos de Carolina Semiatzh e Beatriz Rivato são bem ilustrativos daquela estética. Um grande acerto da encenação de Palma foi recorrer à preparação corporal da experiente Inês Ar**ha, fazendo das intérpretes Adriana Dham, Monika Ploger, Selma Luchesi (uma Madame Curie de encantadora dignidade) e Vera Kowalska um coro de vozes reivindicadoras, cujo eco vibrante percorre séculos de justo protesto. Questionamos – apenas – o desdobramento de personagens episódicas na figura de uma firme Letícia Olivares, porém soando como algo desarmônico com a eletrizante atmosfera de até seu surgimento da plateia em trajes modernos. Um recurso brechtiano num debate “aristotélico”?
A encenação de Insubmissas dá um respiro neste vórtice de montagens de pequenos questionamentos que povoam nossos palcos.

Afonso Gentil

Serviço:
INSUBMISSAS – Mulheres na Ciência / Teatro de Arena da Funarte Eugênio Kusnet – Rua Teodoro Baima, 94 – República – região central –tel.3256-9463 – 98 lugares – Sexta e sábado 21h –Domingo 19 h – Ingresso R$ 20,00 – até 01 de março.

Mais uma dica cultural incrível de Afonso Gentil.‘CHOVENDO NA ROSEIRA’, A PULSANTE RAPSÓDIA DE FERNANDA MAIA.O período é...
29/01/2015

Mais uma dica cultural incrível de Afonso Gentil.

‘CHOVENDO NA ROSEIRA’, A PULSANTE RAPSÓDIA DE FERNANDA MAIA.

O período é longo, prepare-se: quem viu “O Mágico de Oz”, o filme que faz 75 anos vem encantando gerações com a história cantante da menina que “foge” da fazenda em que vivia com a parentela toda para fazer amizade, sucessivamente, com um Espantalho sedento de andanças pelo horror de se ver queimado; um Homem de Lata carente de lubrif**ante para usufruir a liberdade das estradas; e um Leão Covarde, por isso mesmo necessitado de autoestima para se livrar do vergonhoso estigma, todos rumo à Terra de Oz, o paraíso imaginado pelas pequenas vitimas da solidão, pois é, quem pensa que com o filme já viu ou ouviu tudo em matéria de anseios infantis, pode acrescentar uma outra experiência similar, “CHOVENDO NA ROSEIRA”, pelo mergulho certeiro no universo onírico do sonho e que até 14 de setembro fez meteórica carreira no palco do Sesc Belenzinho. Agora deverá fazer bonito no Alfa B, onde está estreando neste aniversário da Cidade: um motocontínuo de sons e movimentos na linguagem onomatopeica das crianças, bem à maneira que a mítica autora de infantis Tatiana Belinky defendia.

Na condição de um não tão novo, mas ainda novo, fenômeno no despovoado campo da direção musical do teatro paulista dramático Fernanda Maia vem acumulando prêmios feito um Vladimir Capella de saias, catapultando o teatro infantil com suas direções musicais ao patamar dos que defendem a tese que “teatro infantil é igual ao adulto, só que tem de ser melhor” (as crianças têm um senso crítico barulhento e instantâneo), temos que louvar aos deuses do teatro pela convivência com uma figura que após os prêmios ganhos conserva – como se costuma falar - “a simplicidade dos sábios”, tão necessária num ambiente que prima – como um todo - pela imodéstia do seu povo.

Fernanda Maia tem o mérito da formação lenta e gradual, tendo como mestres, entre outros, Gilberto Tinetti na música e, no teatro, parceiros que fazem do Grupo Tapa o melhor do Brasil como formador de atores e diretores. Mas, a associação mais duradoura, simbiótica mesmo, desde 1996, tem sido com Zé Henrique de Paula, o diretor de tantos sucessos recentes, figura de obrigatória menção entre os melhores encenadores, tipo Antunes Filho e Eduardo Tolentino de Araujo. Ou entre os mais novos tipo assim Rudifram Pompeo e o Marco Antonio Pâmio de “Assim é, se lhe parece”. Aqui Zé Henrique é o responsável pelos figurinos e cenários, que caminham de mãos dadas com a pulsação da história e a visão onírica da diretora.

Outro trunfo indiscutível é a versatilidade do elenco para o canto, a dança e até numa incrível aula de percussão com “instrumentos” artesanais, para o que teve o apoio da diretora e dos excelentes músicos; um dos pontos altos do esperto roteiro da própria Fernanda, que acumula também direção e direção musical, tudo com transbordante criatividade.

É justo, pois, registrar as presenças de Helena Ritto, Luciana Ramanzini, Caio Salay e Jonathan Faria, transitando todos (menos a menina, ótima em sua individualidade) por vários personagens dessa história que usa o sonho como fuga (ou o encontro?) da realidade enfrentada pelas novas gerações, tal como a Dorothy hollywoodiana.

AFONSO GENTIL

Serviço:
CHOVENDO NA ROSEIRA, musical infantil de Fernanda Maia.
Teatro Alfa B: Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722, Jardim Dom Bosco - Região Sul. Telefone 5693 4000 -195 lugares.
Sábado e domingo às 16 horas. Ingressos: R$ 15,00 e R$ 30,00 - Não recomendado para menores de 4 anos.
Até 29 de março. Valet R$ 30,00.

13/11/2014

Crítica fantástica de Afonso Gentil. É muito bom saber que ainda existem bons teatros e excelentes críticos!

A FACE RÓSEA DA CRUENTA REALIDADE: “PRETO NO BRANCO’. Por Afonso Gentil, crítico titular da APCA – Associação Paulista de Críticos de Arte.

Vinda do mais recente Festival de Teatro da Cultura Inglesa, está agora no belo espaço do SESC Bom Retiro, uma das mais prolíferas equipes (abominamos o termo “coletivo” tão caro a uns tantos amantes do “performático”...) em atividade na capital, o Núcleo Experimental. A peça é a inglesa Preto no Branco, de Nick Gill e dela – a peça – o público não sai como entrou. Mérito do autor, do diretor Zé Henrique de Paula, do elenco, da equipe de apoio.

Nick Gill nos parece um herdeiro inconteste de Bernard Shaw, pela visão corrosiva do mundo que marcou a extensa obra do genial irlandês, até agora imbatível nas flechadas certeiras ao ridículo da burguesia, que através do tempo muda de nome (agora classe média alta) mas, não o rebolado. Detectamos também as nobres influências de Harold Pinter em Volta ao Lar (o cinismo das relações); de Ionesco (a artificialidade das palavras) e do contundente cineasta Lucchino Visconti de Os Deuses Malditos (o tema do fornecimento de armas para os povos beligerantes).

Preto no Branco mexe, com precisão cirúrgica, no preconceito racial contra os negros exercido com cínica desenvoltura pela classe média inglesa, sob a capa teórica da aceitação. Como aqui no Brasil, convenhamos, daí o acerto da escolha do texto pelo Núcleo Experimental. O efeito na plateia é devastador, intimada a refletir sobre os atos abjetos que desfilam à sua frente.

Senão vejamos: uma típica família da classe média. O ritual das despedidas e das chegadas, dos jantares regados à convencionalidade das conversas ocas e vazias de real signif**ado. De uma falsa crença nos valores sociais e morais que supõem defender.

Ledo engano: a simples presença do convidado da filha do casal, o jovem afro descendente, Kwesi, desencadeia na sra. Jones uma excitação que a tira da costumeira altivez; o Sr. Jones se excita imaginando o rapaz servindo cafézinho para seus compradores de armas no oriente médio, para onde vão todos. Vemos em seguida que a filha moça, criada com liberalidade, quer s**o, venha de onde vier, do religioso e arredio namorado, do irmão ou de si própria. O irmão quer s**o, discretamente, mas muito assiduamente, mas não com a irmã... num primeiro momento. O conflito degenera em incesto, assassinato e estupro consentido pelo casal Jones à vista de vantagens comerciais, numa cena paralisante para a plateia.

O espetáculo só não choca o tempo todo pelo humor crítico e ácido à maneira de Bernard Shaw, que Gill domina com sagazes observações da “comédia humana” de cada dia.

A montagem de Zé Henrique de Paula carrega a densidade e a coesão de propósitos que só se encontram nos grandes espetáculos, não deixando de enfatizar a contundência da mensagem antirracista caminhando lado a lado com o perigoso mergulho do mundo contemporâneo na decadência moral, um dia chamada de “revolução dos costumes”.

Clara Carvalho domina todas as nuances comportamentais da sua afetada e hipócrita sra. Jones, com brilho e lucidez, dando respiros involuntariamente cômicos ao denso enredo. Marco Antônio Pâmio está esplêndido na cínica amoralidade do farsante Sr. Jones. Bruna Thedy , sincera sempre, entrega seu corpo de atriz a serviço da dissolução da alma tresloucada da filha, Joan; por sua vez Thiago Carreira ganha pontos em sua ascendente trajetória para o protagonismo. Sidney Santiago, presença constante em nossos palcos, tem grandes momentos, principalmente na 2ª. metade da peça. É dele o momento mais impactante, bem no final.

Preto no Branco é um texto corajoso que desafia o público a digeri-lo a seco!
AFONSO GENTIL / APCA
SERVIÇO: PRETO NO BRANCO / Sesc Bom Retiro /ALAMEDA Nothmann, 185, Campos Elíseos, telefone 3332-3600/ 291 lugares/ Ingressos a R$ 30,00 inteira. Sextas às 20 horas/ sábados às 19 horas e domingos às 18 horas/ Duração 90 minutos/ 14 anos/ Tem estacionamento próprio no local / até 30 de novembro/ apresentação extra no feriado do dia 20/11, quinta feira, às 18 horas. / Em dezembro e janeiro o espetáculo faz temporada no Nucleo Experimental (Rua Barra Funda).

Décio Gentil, o criativo fundador da Estação Primeira da Propaganda soma, neste mês, quatro décadas dedicadas à propagan...
12/08/2014

Décio Gentil, o criativo fundador da Estação Primeira da Propaganda soma, neste mês, quatro décadas dedicadas à propaganda. E nada mais sincero do que as palavras dele para expressar o que todo esse tempo signif**a e representa para todos nós.

“Neste mês de agosto completo 40 anos trabalhando na área de comunicação e propaganda. Sinceramente, sempre achei que comemorar datas pessoais sempre tem um fundo de narcisismo. O que importa para os outros, a não ser para aquele que está vivendo o evento?

Mas, nesse caso, não posso deixar passar a oportunidade de agradecer às centenas de pessoas que me ajudaram a chegar até aqui. Impossível citar nomes, pois certamente estaria cometendo inúmeras injustiças.

Só gostaria de registrar a minha felicidade em ter contado com o bem mais valioso do mundo: a amizade.

Amigos-de-formação (alguns, privilegiados, certamente me ouvem de outro plano espiritual) que tiveram a generosidade de corrigir meus passos claudicantes e passar conhecimento para um rapaz de 17 anos, cheio de sonhos e indecisões, oscilando entre o medo e a pretensão.

Amigos-adolescentes que me acompanham até hoje e que, entre uma e outra partida de futebol, me incentivam a vencer no difícil jogo da propaganda.

Amigos-familiares de todos os graus e ramif**ações que não se cansam de me confortar com seus conselhos e vibrações.

Amigos-irmãos que mesmo sabendo das minhas muitas deficiências, apostam nas minhas poucas qualidades.

Amigos-de-faculdade que me ensinaram a melhor matéria que se pode aprender na fase mais fervilhante da vida: a lealdade.

Amigos do teatro (minha outra paixão) - e aqui incluo meus pais - que me alimentam com conceitos e exemplos de comportamento humano, base sólida para quem quer se aventurar no campo da comunicação.

Amigos-batalhadores que colocaram seus ombros ao lado dos meus e que, confiantes como um time compactado, me ajudam a superar as barreiras naturais do mercado.

Amigos-parceiros que, colhidos nessa jornada de muitos anos em outras empresas, vindos de uma teia imensurável de relacionamentos, já trabalharam comigo em outras batalhas ou que são recém-chegados e se mostram confiantes em realizar nosso projeto, que nada mais é do que criar uma agência de amigos.

Amigos-próximos, amigos-distantes, amigos-críticos, velhos amigos que voltam, outros que se vão com vontade de f**ar, devo muito a todos eles.

Sem dúvida, nesses 40 anos devo ter criado, além de anúncios e filmes, algumas (talvez muitas) injustiças e decepções. Inútil dizer que não houve intenção. Só espero que o dano não tenha sido grande. Mas o que sobra para o que sinto agora é uma só palavra: agradecimento. Pelo que vocês me apoiaram e pelo que virá.

Daqui para frente, a luta continua. Não será fácil. Mas como costumo dizer: no ramo da propaganda, a gente sofre, mas se diverte.

Para encerrar esse papo que já ficou longo para esses tempos velozes de facebook e instagram, gostaria de citar uma composição dos Beatles, esses fabulosos amigos que irão deixar um legado irretocável de lucidez e reflexão para a humanidade. Trata-se da música In My Life: http://www.vagalume.com.br/the-beatles/in-my-life.html Perdoem o pieguismo, mas o momento exige. É o modo que encontrei de homenagear todos os meus amigos.

Obs.: quando a letra fala "mas quem mais amei foi você", só posso dizer que para mim isso se refere à Vanice e à Lirian, minha mulher e filha. Desculpem, prometi não citar nomes, mas vocês irão compreender que, nesse caso, não deu.

Abraços a todos.”
Décio Gentil

PLAY » Though I know I'll never lose affection / For people and things that went before / I know I'll often stop and think about them / In my life I'll love you more

30/05/2014

Reino, o "era uma vez" desencantado.
Crítica teatral de Afonso Gentil.

Antes, um pouco de história.

Nos tempos heroicos da EAD do Dr. Alfredo Mesquita, o lema, martelado - com “firmeza, sem perder a ternura”- na cabeça dos alunos era uma sentença curta e aterradora: TEATRO É DURO!
Do então saiu a nata do teatro paulista, muitos dividindo, a esta altura, suas experiências na televisão, com uma geração pouco empenhada no árduo aprendizado da atuação nos palcos.
De várias turmas da EAD do Dr. Alfredo Mesquita saíram, também, outros atores aptos e interessados em fazer história ensinando. Entre eles, nós, mais confortáveis no trato da direção, da encenação de um texto teatral. A época da ditadura militar marcou a efervescência do teatro estudantil com uma juventude fascinada pelo palanque dos palcos. E nós estávamos lá, comandando barcos em mares agitados.

Na Capital e por todo o Interior paulista, através dos festivais teatrais promovidos pela Secretaria Estadual da Cultura, a figura messiânica de Nagib Eximir - nunca suficientemente louvada - motivou o espocar de excelentes montagens, reveladoras de talentos quer para a atuação, como nos setores da cenografia, dos figurinos, da iluminação... Pena que a inveja de alguns profissionais da Capital fez ruir o castelo da bonança do teatro estudantil e o secretário foi afastado! Como se vê, a classe teatral paulista também tem seus pecadilhos debaixo dos tapetes vermelhos.
Mas, felizmente, o vírus do teatro já havia sido inoculado nos corações e mentes daquela geração, renovando-se através de décadas, embora com menor força. Até restarem os raros estoicos, sacerdotes dos palcos, indiferentes à “glória” e a fama televisiva. É aqui que entra a figura singular de Eloisa Vitz, também ela oriunda da EAD/USP em tempos mais recentes.

Graças ao seu trabalho de incansável e talentosa "formiguinha”, Eloisa tem sido celebrada por montagens de rigor plástico e posicionamento estético ligado à modernidade, com vários textos de Nelson Rodrigues. Mais recentemente, Eloisa e seu Grupo Gattu, perderam o teatrinho bem equipado de uma faculdade que os abrigara durante anos. Perambulou-se por vários teatros, abriu-se um espaço cultural à Rua dos Ingleses (um casarão) que se revelou estar acima das posses financeiras do Grupo. Há menos de um ano a sede passou a ser o Teatro do Sol, no bairro Santa Terezinha (Santana). Lá, além de cursos e encenações infantis (Rapunzel), este "Reino”.

O espaço é acanhado, como a maioria dos que tem surgido à sombra das leis do fomento. Mas, nos pormenores, vê-se o bom gosto da decoração e o uso inteligente do espaço cênico e para o conforto do público.

O DESENCANTO DA AUTORA ELOISA: O mundo palaciano é pintado inicialmente como um conto infantil, lúdico e irreverente como se fosse para crianças e feito por crianças. Há nessa fase inicial até a intervenção coreografada de ritmos “pop”, que fazem o delírio de uma Regina Casé/Esquenta. A ideia parece-nos, é mostrar a alienação do povo, enquanto a Rainha e seus 39 ministros engendram a sarabanda da luta pelo poder e da corrupção, com vários duelos de espada, danças à beira do ridículo e com a libido à solta, tudo sustentando e justif**ando as tramas homicidas. Instala-se, pois, a irresistível teatralidade da tragicomédia, da farsa política. A cena acabará “manchada de sangue”, como, na vida real, a população iria preferir. Revela-se, sem pudores, o desencanto da autora e de todos nós com a política. Apesar da leveza da encenação, f**a o travo amargo da desesperança.

A DIREÇÃO E O ELENCO: Como diretora, Eloisa Vitz não perde tempo com o supérfluo. As cenas se encadeiam com a velocidade dos conluios da Rainha e contra a Rainha. O comentário musical brega completa a condenação de um povo sempre distraído para os problemas.

Como atriz, Eloisa faz uma rainha ora enfadada, ora agarrada às benesses do Poder, do qual ninguém quer largar mão. É com pitadas e sutilezas do humor negro que Eloisa e seu grupo de atores deliciam a plateia. Miriam Jardim, Marília Góes, Mariana Fidelis, Daniel Gonzales e a fiel “gattuana” Laura Vidoto, fazem inúmeros papeis caricatos, sem vulgarizar a ironia, mas, mantendo-a permanentemente elegante.

Você precisa conhecer “REINO”, o desencantado Era uma Vez do Gattu.

Serviço: REINO - Teatro do Sol: Rua Damiana da Cunha, 413 / Santa Terezinha (Santana) / Telefone: 3791-2023 / 60 lugares - 6ª 21:30 h, Sábado 21 h e domingo às 20 h / 75 minutos / Censura 14 anos / Grátis / Ingressos a partir de 1 hora antes / Em cartaz por tempo indeterminado.

Aproveite e bom espetáculo! (:

Endereço

Avenida Brigadeiro Faria Lima, 2355
São Paulo, SP
01452000

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