27/11/2025
"Uma crença que sempre compartilho em reuniões, eventos e projetos da Comunicare é a importância de começar pelo que realmente importa, revelando sua mensagem e intenção logo na abertura.
Digo isso porque hoje vivemos a economia da disputa incessante pela atenção, com diversos estímulos roubando foco e concentração dos interlocutores a cada segundo.
Por isso, não ir direto ao ponto é uma prerrogativa reservada a poucos, àqueles que têm o dom da oratória e conseguem gerar expectativa apenas pela sua presença – algo que a maioria das pessoas (e marcas) não têm.
Por exemplo, Barack Obama e suas longas pausas já a partir das saudações, ou Martin Luther King, que só chegou ao mítico “I have a dream” mais de 20 parágrafos depois de começar seu discurso.
Ou ainda as apresentações de Steve Jobs, referência para lançamento de produtos há quase 20 anos, quando lançou o primeiro iPhone – com um roteiro impecável, diga-se, em que o device demora a aparecer.
Eles podiam não ir direto ao ponto porque eles eram o ponto.
No ambiente corporativo, porém, a dinâmica é outra. As pessoas estão ocupadas, aceleradas, com múltiplas demandas, dezenas de abas abertas, incontáveis notificações e, de novo, um tempo de atenção cada vez mais disputado.
Neste lugar, começar pelo essencial não é apenas uma técnica de comunicação, é demonstrar respeito por um dos ativos mais valiosos da vida moderna: o tempo.
Se você não abre uma reunião, palestra ou apresentação com o que é importante, com o real objetivo, corre o risco de perder o interesse, a clareza e, pior, a confiança.
Sempre de Frances Frei, da Harvard Business School, e seu Trust Triangle:
“Confiança depende de autenticidade, lógica e empatia. Falte uma delas, e tudo desmorona.”
Quando você começa pelo ponto central, oferece lógica (estamos por aqui por tal motivo), empatia (estou respeitando seu tempo) e autenticidade (mensagem clara desde o início), despertando interesse pelo que tem a oferecer."
Fábio Alberici
Sócio da Comunicare