04/12/2018
No Dia Mundial da Propaganda resolvemos compartilhar com vcs essa matéria feita pelo site Tribuna ;)
>>>
Chova ou faça sol, o vendedor Elton Souza, 35 anos, está sempre na esquina das Ruas Tapajós e Teffé, no Bom Retiro, vendendo morangos, ovos e mel. Principalmente se estiver chovendo, pois deixar morangos encalhados, para vender no dia seguinte, é prejuízo na certa. Dia de venda boa é quando faz calor e o pessoal anda com os vidros abertos.
Elton diz que está há quase oito meses naquele ponto. Começou vendendo morangos e logo incrementou com ovos e mel puro. Ele ficou um ano de mochilão nas costas, rodando o Brasil. Quando chegou em Belém, no Pará, encerrou a viagem e voltou a Curitiba. “Eu ia trabalhar com Uber ou vender frutas. Acabei escolhendo as frutas. Comprei um carrinho e escolhi esta esquina para trabalhar”, diz Elton.
Em sete meses de sinaleiro, Elton aprendeu muita coisa sobre o comércio ambulante. Primeiro é que, se quer ganhar a vida, não pode ter corpo mole. Tem que trabalhar debaixo de sol ou chuva, se esforçar. Também percebeu que já ter um cartaz mostrando qual é o produto à venda e o preço ajuda muito, pois a pessoa já enxerga de longe, decide se quer e vai agilizando o dinheiro, enquanto o ambulante vai se aproximando do carro. “E já tem que estar com o troco na mão, pra agilizar a venda”, diz ele. Assim, dá pra fazer até duas vendas por sinal vermelho.
“Morango é uma coisa que estraga rápido, principalmente se já estiver bem maduro. E se cai coisa estragada na mão do cliente já na primeira compra, queima o ponto. O cliente não compra mais. Tem que cuidar com a qualidade. Tenho cliente que compra comigo desde o primeiro dia que eu me estabeleci aqui”, diz o vendedor que, nos fins de semana, também estabelece ponto fixo na frente de alguns comércios. Mas, neste caso, ele não corre atrás do cliente. F**a esperando que se aproximem da banca. “No sinaleiro é mais corrido, mas ganha mais”, revela.
Elton mostra que ele só tem 30 segundos para efetuar uma venda. Pois até o sinal fechar, os carros pararem, os motoristas visualizarem o produto e o preço e decidirem a compra, já foi um tempo precioso. Então sobra no máximo 30 segundos para Elton parar no vidro do carro, entregar o produto, receber o dinheiro e dar troco.
Os horários em que o ambulante vende melhor são das 9h30 às 11h30 e no fim da tarde, a partir das 16h30, quando as pessoas estão voltando para casa. Se chove neste horário, atrapalha muito o comércio, pois ninguém abre o vidro.
Elton quase não topou dar entrevista à Tribuna, pois no dia que estivemos com ele chovia e ele temia perder tempo de venda e, assim, ter que levar morangos de volta pra casa. As frutas já estavam maduras e, no dia seguinte, não poderia vende-las mais. Então ele botou o produto em promoção – começou o dia oferecendo uma caixa com quatro bandejas a R$ 20 e depois mudou, colocando três bandejas a R$ 10 – e correu para a fila de carros.
E assim é a vida do Elton, do artista das facas Pablo, do vendedor de balinhas Darci, dos malabares Daniel e Gonçalo, do vendedor de panos de s**o Carlinhos, mostrados pela Tribuna esta semana, e de muitos outros guerreiros, que ganham a vida debaixo do sinal vermelho. A eles, nosso respeito pela garra e um Feliz Natal!
Fonte: Tribuna
https://www.tribunapr.com.br/cacadores-de-noticias/bom-retiro/corrida-contra-o-tempo/