15/12/2025
O incômodo de Zezé Di Camargo não é político, é com mulheres no poder
Acordei com as declarações de Zezé Di Camargo sobre o , suas novas diretrizes editoriais e, principalmente, sobre a postura das filhas de Silvio Santos durante a inauguração do novo canal da emissora, o . Pra mim, a fala do sertanejo ultrapassa o campo da divergência política e entra em um território muito mais delicado: o da intolerância, da incoerência e, sobretudo, da .
Ao criticar duramente Daniela Beyruti, Patrícia Abravanel e Rebeca Abravanel por terem recebido o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Alexandre de Moraes no evento institucional do SBT, chegando ao ponto de pedir que um especial gravado por ele, com exibição prevista para o dia 17, não vá ao ar, Zezé não apenas desrespeita a história da emissora, como distorce deliberadamente o legado de Silvio Santos.
Silvio sempre foi um homem de diálogo. Ao longo de décadas, recebeu no SBT presidentes de diferentes espectros políticos: Fernando Henrique Cardoso, Lula, Dilma Rousseff, Michel Temer e tantos outros. Sempre com educação, sorriso no rosto e a clareza de que uma emissora de alcance nacional não pertence a uma ideologia, mas ao público brasileiro.
Causa espanto, portanto, que alguém que conheceu Silvio Santos, e que sempre se beneficiou da estrutura da televisão aberta, de incentivos culturais e de verbas públicas para viabilizar seus shows, resolva agora acusar a emissora e suas líderes de “se prostituírem” por cumprirem um papel institucional básico: receber autoridades de diferentes poderes e partidos em um evento oficial.
A postura de Zezé Di Camargo só é possível porque ele fala com e sobre mulheres. Mulheres jovens. Mulheres herdeiras, sim, mas também gestoras, líderes e responsáveis por decisões estratégicas em um dos maiores grupos de comunicação do país. A reação desproporcional revela o desconforto de parte do universo masculino diante da liderança feminina. (Continua na legenda) 👇🏼