16/02/2021
A Companhia de Reis Silvério do Carmo não é Cruzeiro do Oeste, não é Amerios, Paraná... é nossa cultura, nossa história. Mas nossa cultura perdeu espaço para uma 'arte' efêmera... Porque arte virou produto... e a indústria cultural precisa de produtos perecíveis para manter o consumo... Já ouvi várias vezes: Que projeto lindo! Mas precisamos de ajuda para que ele aconteça... não é um filme, é um registro histórico audiovisual de nossa cultura...
Nasci num tempo que não caibo. Lembro quando era secretária de cultura e ia aos encontros estaduais em curitiba... Manhã do primeiro dia, auditório lotado... a tarde, metade... no outro dia, metade da metade... quando chegava no hotel, via as diretoras e secretárias chegando dos shoppings... cheias de sacolas e tristes por não terem dinheiro pra comprar tudo que queriam... em um desses encontros, realizado no MON, o museu estava fechado e tínhamos acesso só ao auditório e as áreas externas... eu e o compadre encontramos uma porta aberta e corremos pelo museu para ver as obras de arte, até que fomos pegos pelos seguranças e postos pra fora...
Quando pesquisava sobre as reduções jesuíticas guarani, a professora Ines Parrillada me levou na reserva técnica do museu Paranaense... em meio as estantes ela me mostrou o arquivo e os objetos pessoais do Kozák... chorei como criança... tremia de emoção... o fotógrafo que fez os últimos registros dos Xetá...
Fui expulsa do Museu de arte moderna do Paraná pq não resisti em adentrar uma instalação... Chorei copiosamente no MAM, em sampa, quando comecei a ver as obras e, sem ler os nomes, reconhecia os artistas... do mesmo jeito que chorei na bienal ao ver as obras do bispo do rosário. E brinquei encantada com o futurismo de Ligia Clark...
O Brasil não ama sua arte, não valoriza sua cultura, não conhece suas violas, seus bois, seus ritmos... toadas, loas, congadas... o Brasil não sabe mais dançar ciranda... as crianças não conhecem a Terezinha de Jesus, a linda rosa juvenil... o balão nem cai mais...
Somos tão ricos e estamos tão pobres.
No país que paga para ter acesso 24h ao BBB, as tradições culturais morrem sem que ninguém queira saber.
A Cia de Folia de Reis Silvério do Carmo existe desde 1942. O projeto propõe a produção de um documentário em audiovisual contando sua história.