17/08/2026
Por muito tempo, me cobrei um posicionamento perfeito: separar completamente a vida pessoal da profissional, ter serviços muito bem definidos, escolher exatamente quais habilidades mostrar e deixar de lado tudo aquilo que não parecia “pertencer” à minha profissão.
Hoje percebo que eu estava tentando me encaixar em uma ideia de posicionamento que, na prática, não dava conta de quem eu sou.
Não tem como separar completamente as partes que me formam. Meus interesses, hobbies, experiências, habilidades e até aquilo que vivo fora do trabalho também atravessam a forma como penso, crio e trabalho.
Talvez posicionamento não seja sobre caber perfeitamente em uma caixa, mas sobre construir uma presença coerente, onde as diferentes partes de mim possam existir sem que eu precise transformar cada uma delas em um serviço, ou esconder tudo aquilo que não parece profissional o suficiente.
Eu não preciso escolher entre ser pessoal ou profissional. Nem transformar todas as minhas skills em uma oferta. Nem definir uma única versão de mim para ser reconhecida.
Posso ter clareza sem ser rígida. Posso compartilhar diferentes interesses sem perder meu posicionamento. Posso deixar que as pessoas conheçam outras partes de mim sem que isso diminua a seriedade do meu trabalho.
No fim, talvez um posicionamento forte não seja aquele que mostra uma versão perfeitamente organizada de quem somos, mas aquele que consegue sustentar, com coerência, a nossa complexidade.