08/10/2025
Eu Ainda Estou Aqui
Não é sinal de derrota.
Eu posso estar no corner, encurralado, tonto, levando golpes de todos os lados.
As pernas já não me obedecem, os olhos estão inchados, a respiração pesada.
Me fecho em guarda, tentando proteger o pouco que resta enquanto procuro, entre os clarões da dor, o cronômetro que marca o fim do round.
As vozes se misturam.
A maioria quer sangue.
Não que me odeiem, é só o prazer do espetáculo da queda.
Querem me ver desabar, querem rir da minha queda, saborear o momento em que o campeão vai ao chão.
Depois, claro, dirão que a minha carreira acabou.
Que eu estou velho, lento, cansado.
Dirão que o tempo venceu.
Na minha equipe, o desânimo é o mesmo.
Já sussurram que é melhor eu parar, que eu aceite a derrota com dignidade e vá fazer outra coisa da vida.
E os adversários?
Ah, esses não param.
Querem o troféu, o prazer de me ver no chão.
Querem o título de “quem derrubou o campeão”.
Mas eles se esquecem de uma coisa:
eu sou um vencedor.
Cada cicatriz que carrego conta a história de quem nunca teve privilégio algum, de quem nunca esperou ajuda, de quem apanhou e levantou incontáveis vezes.
Eu já ouvi o “não” da vida tantas vezes, que aprendi a transformá-lo em combustível.
Sim, eu chorei.
Sim, eu sangrei.
Mas eu continuei.
E agora estou aqui, novamente no canto, humilhado, cambaleante, resistindo até o gongo.
E quando ele soar, eu vou respirar fundo, limpar o sangue e me preparar para o próximo round.
Quer um conselho?
Não me subestime.
Essa carcaça velha já aprendeu a apanhar.
Já não sente tanto a dor.
Já entendeu que cada soco é um teste, e cada queda, uma lição.
Você pode achar que está vencendo, pode se empolgar com o barulho da torcida, com os aplausos dos que só aparecem quando o campeão
está prestes a cair.
Mas cuidado.
Porque quando você menos esperar, o meu cruzado vai vir certeiro.
E ele vai te derrubar com a força de todas as derrotas que eu transformei em aprendizado.
Eu posso estar perdendo o round.
Mas e a luta?
A luta ainda é minha.
Então, olhe bem pra mim antes de comemorar.
Porque, apesar de tudo, eu ainda estou aqui.
Dioge Tsutsumi.